Tribunal de Justiça de MT
Ministro Barroso destaca pacificação nacional, segurança jurídica em palestra em Cuiabá
Publicado em
19 de agosto de 2025por
Da Redação
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso, encerrou a agenda institucional em Cuiabá (MT) na noite dessa segunda-feira (18 de agosto) com a palestra “Poder Judiciário, Segurança Jurídica e o Agronegócio”, realizada no auditório da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). O encontro reuniu magistrados, representantes do setor produtivo, lideranças políticas e autoridades estaduais, reforçando o papel do diálogo institucional para o fortalecimento da democracia e do desenvolvimento econômico.
A vinda do ministro ao Estado foi marcada pela defesa de uma pauta de pacificação nacional, fortalecimento das instituições democráticas e valorização da estabilidade jurídica como elemento indispensável ao crescimento do país. Ao mesmo tempo, Barroso fez questão de reconhecer o papel do agronegócio na economia brasileira, apontando os desafios de conciliar desenvolvimento, proteção ambiental e respeito aos direitos das comunidades indígenas.
Pacificação em meio à polarização – Logo na abertura da fala, Barroso ressaltou que o Brasil atravessa um momento delicado de polarização política e social, fenômeno que, segundo ele, fragiliza a vida democrática e impacta diretamente no ambiente de negócios.
“Vivemos um momento de imensa polarização, desgastante e, às vezes, paralisante, com extremismo, intolerância e ódio. O país precisa de paz, precisa de pacificação para que os diferentes elementos da sociedade possam se unir em torno de uma agenda comum patriótica, que não tem ideologia. Estamos falando do crescimento econômico, erradicação da pobreza, prioridade para a educação e investimento em ciência e tecnologia”, destacou.
O ministro relatou que tem buscado dialogar com todos os setores políticos e sociais, em uma tentativa de reduzir tensões e promover consensos mínimos. “Eu venho me empenhando imensamente pela pacificação possível, conversando com todos os setores. Não é fácil, mas é necessário”, acrescentou.
Barroso explicou que, por conta do modelo constitucional brasileiro, o STF é chamado a decidir sobre temas sensíveis. Ele lembrou que a Constituição de 1988 ampliou os mecanismos de acesso ao STF, permitindo que diferentes atores, como partidos políticos, governadores, associações e entidades de classe, proponham, por exemplo, ações diretas.
“No Brasil, praticamente tudo chega ao STF e nós tratamos as questões mais decisivas da sociedade brasileira. Esse arranjo institucional foi definido pelo constituinte. E, com ele, conseguimos 40 anos de estabilidade institucional, e isso não é desimportante para a segurança jurídica”, observou.
Outro ponto de destaque foi a defesa do resgate da civilidade no debate público. Barroso ressaltou que a segurança jurídica não depende apenas de leis e decisões judiciais, mas também da capacidade da sociedade de construir consensos.
“Em busca de segurança jurídica, o Brasil precisa resgatar a capacidade de pessoas que pensam de maneira diferente sentarem e trocarem argumentos, tratando o outro com respeito. Muitas vezes, ouvir o outro traz argumentos que a gente não tinha pensado e permite a construção de soluções que harmonizam diferentes visões de mundo”, afirmou.
Litigiosidade, terras indígenas e equilíbrio institucional – Ao abordar o cenário jurídico, Barroso destacou os desafios relacionados à litigiosidade no Brasil, especialmente em matérias tributárias e trabalhistas, que afetam diretamente investimentos e a formalização do emprego.
Comentando sobre a questão da demarcação de terras indígenas, o ministro explicou que o Supremo tem buscado soluções de equilíbrio. Ele também defendeu avanços na organização fundiária e na integração de bancos de dados públicos, de forma a coibir a grilagem e oferecer maior segurança ao produtor rural.
Agronegócio: motor da economia – Barroso reconheceu a importância estratégica do agronegócio para o país. Ele lembrou que o setor responde por percentuais significativos do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e que esse crescimento tem impacto direto na balança comercial e na geração de empregos.
“O agronegócio brasileiro faz parte do Brasil que está certo. É um setor que gera empregos, movimenta a balança comercial e impulsiona inovação em diferentes áreas, como transporte e serviços financeiros”, afirmou.
Barroso reforçou, entretanto, que o futuro do setor está diretamente ligado à sustentabilidade ambiental e à preservação da Amazônia. “Sem os rios da Amazônia escoando aqui no Centro-Oeste, o agronegócio seria prejudicado. E sem o agronegócio, o Brasil não teria a força econômica que tem hoje. Portanto, precisamos encontrar o ponto ideal de equilíbrio entre desenvolvimento, proteção ambiental e respeito às comunidades indígenas”, frisou.
O ministro reiterou a visão construtiva e otimista em relação ao futuro do país, mesmo diante dos desafios. “Não acho que tudo esteja ruim com tendência a piorar. O Brasil melhorou muito, mas precisamos avançar mais, sobretudo na educação e no enfrentamento das desigualdades. Tenho convicção de que o Brasil tem condições de voltar a crescer e de se tornar uma nação mais justa, próspera e civilizada”, concluiu.
Marco para o desenvolvimento – A presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), juíza Jaqueline Cherulli, avaliou a palestra como um marco no relacionamento entre o Judiciário e o setor produtivo. “Esse encontro representa um estreitamento fundamental entre a magistratura, a advocacia e o agronegócio. O tema central, segurança jurídica, impacta diretamente na economia e na vida dos cidadãos. O ministro trouxe um verdadeiro banho de realidade, reforçando a importância da aproximação das instituições e quebrando paradigmas sobre um Judiciário distante ou encastelado”, destacou.
Entre magistrados, ainda estiveram presentes o desembargador Orlando de Almeida Perri e a desembargadora Marilsen Andrade Addário, e os juízes de Direito, Tiago Abreu, Anderson Junqueira e Luís Otávio Pereira Marques, assim como a conselheira da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mariel Cavalin.
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, destacou a relevância da presença do ministro em um espaço de diálogo direto com o agronegócio. “Sem dúvida nenhuma, é um prestígio para nós recebermos o presidente do STF aqui na nossa entidade. É uma oportunidade de mostrar os desafios que enfrentamos, trazer nossas reivindicações e, ao mesmo tempo, ouvir a perspectiva do Judiciário sobre o presente e o futuro do país”, afirmou. Ele lembrou ainda que a segurança jurídica é condição para o desenvolvimento do setor, que responde pela geração de empregos e pela manutenção do crescimento do PIB.
Durante o evento, foi firmado convênio entre a Aprosoja-MT e o CNJ, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), voltado para a preparação de candidatos de baixa renda, incluindo indígenas, descendentes de africanos e pessoas com deficiência, aos concursos da magistratura. O aporte permitirá ampliar a inclusão e a competitividade em um dos certames mais concorridos do país. No encerramento, lideranças do setor produtivo entregaram ao ministro cartas com reivindicações e propostas relacionadas a diversos temas.
Diálogo com a Advocacia – O início da noite foi marcado pela presença do ministro Barroso na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), considerado um momento histórico à advocacia mato-grossense. Em 93 anos de existência da instituição, foi a primeira vez que um presidente do STF visitou oficialmente a Casa da Advocacia, em um encontro que reuniu conselheiros federais e estaduais, presidentes de subseções, dirigentes de comissões e advogados de todo o Estado.
A presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, ressaltou o simbolismo da ocasião, classificando-a como um marco à advocacia estadual. “É uma data especial. Pela primeira vez temos a honra de receber o presidente do STF em nossa casa. Isso fortalece nossa atuação e simboliza o reconhecimento de uma advocacia combativa, pujante e de destaque no cenário nacional”, afirmou.
O conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, que é de Mato Grosso e que também já exerceu funções de destaque na advocacia local, enfatizou o respeito que o ministro dedica à classe. “Para nós, mato-grossenses, é uma grande honra ter vossa excelência na nossa casa. O ministro Barroso nunca virou as costas para a advocacia. Pelo contrário, sempre prestigiou a classe em suas decisões e ações. Sua presença aqui é um momento histórico, que reafirma os valores democráticos e o papel essencial da advocacia no sistema de justiça”, destacou.
No pronunciamento, o ministro Barroso relembrou sua trajetória de mais de 30 anos como advogado e a ligação afetiva que mantém com a Ordem. Ele compartilhou episódios pessoais e destacou a importância da OAB na defesa da democracia, especialmente durante o período da ditadura militar. “Eu tenho alma de advogado. Tudo que conquistei na vida veio da advocacia e da sua nobre missão de defender direitos. A OAB desempenhou um papel decisivo na redemocratização do Brasil e continua sendo uma voz importante para a preservação do Estado de Direito”, afirmou.
Fotos: Bruno Lopes/Aprosoja-MT e Fernando Rodrigues/OAB-MT
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Autor: Talita Ormond
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos
Published
11 horas agoon
22 de junho de 2026By
Da Redação
A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.
A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.
Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.
Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.
Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.
Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.
Construção coletiva fortalece a magistratura
A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.
Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.
A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.
Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.
No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.
Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.
Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.
Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo: Rodrigo Moura
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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