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Parceria com Judiciário possibilitará que estagiários de Direito atuem como conciliadores e mediador

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A população de Sorriso (440 km ao norte de Cuiabá) que busca os serviços do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da União das Faculdades Fasipe, agora conta com a garantia da segurança jurídica proporcionada pela homologação pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) daquela Comarca dos acordos pré-processuais que ali forem firmados.

Essa segurança jurídica foi proporcionada por um termo de cooperação firmado entre a Fasipe, o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do TJMT e o Cejusc de Sorriso.

Conforme a juíza coordenadora do Centro Judiciário, Paula Saide Biagi Messen Mussi Casagrande, a parceria “destina-se à participação colaborativa da faculdade, cujos acordos pré-processuais, firmados perante o Núcleo de Prática Jurídica, são encaminhados ao Cejusc para análise e homologação judicial”.

A coordenadora do curso de Direito da Fasipe Sorriso, Ísis Pernomian, explica que a parceria irá difundir e propiciar aos estagiários do Núcleo de Prática Jurídica as ferramentas da mediação e da conciliação para tornar a justiça mais célere, possível e rápida. Ou seja, na prática, a cooperação entre a Faculdade e o Judiciário permite que esses estagiários possam atuar como conciliadores e mediadores no atendimento à população que busca o Núcleo de Prática Jurídica.

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Segundo Ísis Pernomian, todos os 40 estagiários já cursaram a disciplina de Conciliação, Mediação e Arbitragem na faculdade e, atualmente estão no estágio prático, sob a supervisão de um professor e advogado, atendendo no Núcleo de Prática Jurídica. “Durante esse atendimento, os meios alternativos de solução de conflitos são praticados. O termo fomenta o estímulo à mediação e acordo, e caso haja sucesso, o tratado no NPJ é submetido ao Cejusc. Também é possível que o Núcleo seja nomeado para atender pessoas que já tenham procurado o Cejusc e desejam auxílio jurídico”, informa.

As principais questões demandadas no Núcleo de Prática Jurídica da Fasipe são relativas a Direito de Família e Direito do Consumidor, como guarda, alimentos, divórcio e partilha de bens.

A coordenadora Ísis Pernomian acredita que a parceria com o Poder Judiciário irá contribuir na formação desses estudantes. “Há um esforço coletivo por meio da parceria com o Poder Judiciário para que a justiça seja cada vez mais célere, eficiente e menos onerosa, trazendo reais benefícios à população”, afirma.

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A juíza Paula Casagrande defende que parcerias como essa levam auxílio e orientação às lideranças para que atuem como facilitadores na conscientização da sociedade sobre a importância da mediação como método de solução adequada dos conflitos. “Além de reduzir o número de processos judiciais, otimizar a administração da justiça e realizar ações de cidadania”, aponta.

Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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