Tribunal de Justiça de MT

Representantes da Enfam visitam Esmagis-MT para fortalecer diálogo e cooperação

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A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) recebeu nesta semana a visita de integrantes da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). O encontro teve como objetivo intensificar o diálogo institucional e promover o alinhamento pedagógico e administrativo das ações educacionais, em conformidade com as diretrizes da Enfam e da Rede Nacional de Escolas Judiciais e da Magistratura (Renejum).

Durante a visita, ambas as equipes apresentaram os eixos que norteiam as instituições na atual gestão, trocaram experiências sobre práticas pedagógicas e gestão educacional. A iniciativa reforça o compromisso das duas escolas judiciais, nacional e estadual, com a cooperação para a melhor formação de magistrados e, consequentemente a excelência na entrega da prestação jurisdicional.

O presidente da Enfam, ministro Benedito Gonçalves, participou virtualmente do encontro. Ele ressaltou que a visita não tem cunho fiscalizatório, pelo contrário, busca cooperação e integração com as escolas do Brasil inteiro. “Nós transformamos a ideia normativa de fiscalização dos cursos iniciais, de formação e capacitação continuada. Eu vejo as 27 escolas estaduais e as seis federais nesse mister constitucional. O que fazemos é esse contato em forma de informação e de intercâmbio de ideias, ações extremamente importantes. Essa ação dialogal eu comecei ainda quando estava no Tribunal Superior Eleitoral.”

O ministro apontou que a cooperação Enfam-escolas regionais/federais está gerando ações significativas. “No decorrer deste ano já podemos verificar vários resultados advindos das visitas técnicas. Um exemplo é a redução da carga horária para credenciamento (que antes eram exigidas 20h e agora passaram a ser necessárias 12h) tão almejadas pelas escolas. Outras melhorias ainda virão por meio de projetos que estão em nossas escolas e também da coleta de dados que foi feita nesta conversa técnica.”

Foto do des. Márcio Vidal. Ele é um homem de cabelos grisalhos, veste terno azul e camisa azul e usa óculos. Ele está sentado em uma cadeira preta com o espaldar alto. À frente dele, imagens desfocadas de pessoas que participam da reunião.O desembargador Márcio Vidal, diretor da escola do TJMT, destacou a satisfação pela cooperação entre Enfam e Esmagis e ressaltou que esse é um momento de construção de pontes e, ainda, de conhecimento. “O conhecimento é infinito. Nossa ação é infinita. A magistratura brasileira, a exemplo das magistraturas do mundo todo, precisa estar retilínea e afinada com a realidade do mundo em que vivemos. Ao longo do tempo, vamos percebendo que os problemas são comuns, tratam-se de todos os seres humanos, os quais têm sonhos, projetos e esses precisam ser implementados. Então, é importante ver a Enfam, sob a direção do digno ministro, conduzindo uma integração e uma cooperação. Essas são as palavras-chaves do momento que estamos vivendo.”

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Vidal apresentou as cinco diretrizes que conduzem a gestão 2025/2026 na Esmagis-MT, quais sejam: Comunicação, Deontologia, Economia, Meio Ambiente e Tecnologia da Informação. Também apresentou o projeto Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente, que, por meio da união entre diversas instituições do estado, promove diferentes expertises para enfrentar desafios ambientais complexos. “Não adianta nada termos casa e conforto, se não tivermos vida, oxigênio suficiente, água para ser consumida ou se houver fome. Vai aumentar a violência. Surgirão mais tiranos. Temos que ter essa percepção e diálogos com todas as escolas, por meio da Enfam, para juntos construirmos a solução. Sozinhos, nós não vamos a lugar nenhum.”

O juiz coordenador da Esmagis, Antônio Peleja, que também participou do evento, pontuou que a reunião foi profícua. “A equipe da Enfam veio a Cuiabá visitar as dependências da Esmagis-MT no intuito de colaboração, de integração, conhecer os nossos cursos, as nossas metodologias que estão alinhadas à Enfam. A finalidade, além de fazer essa visita, é verificar o que pode ser otimizado. A intenção do ministro Benedito é oferecer excelência a essas atividades pedagógicas por parte de uma rede de escolas da magistratura do país, para que haja uma maior uniformidade e evite o dispêndio de recursos. Então, é preciso, é recomendável uma integração dessas escolas.”

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O secretário-executivo da Enfam, Leonardo Peter da Silva, registrou que a Escola está no caminho certo, segundo o esperado pela Enfam. “Viemos aqui, ao TJMT, para conhecermos o desenvolvimento da formação de magistrados e como que nós podemos, enquanto órgão coordenador, ajudar e participar em parceria com a escola. Em Mato Grosso, especificamente, os eventos, os cursos e atividades desenvolvidas, em especial na área de comunicação, nos marcaram e vamos levar para outras escolas, principalmente os programas e os podcasts que promovem a aproximação com os magistrados mais distantes da capital e com a sociedade. Também na parte de cursos credenciados, pontos que foram colocados pelo desembargador e pelo juiz coordenador mostram o quanto estamos alinhados [Enfam e Esmagis-MT], pensando em como achar novos caminhos na formação da magistratura.”

Silva pontuou ainda que o resultado da reunião foi muito positivo. “Estamos muito satisfeitos com a reunião. Estamos levando muitas anotações, vários pleitos apresentados para serem analisados pela direção da Enfam, em conjunto com pleitos de outras escolas, para eventuais revisões normativas e eventuais futuros projetos em colaboração.”

A comitiva da Enfam foi composta ainda pela secretária Acadêmica e de Formação, Mariana Camargo Rocha; pela chefe da Seção de Infraestrutura Educacional, Ana Paula Nóbrega Camilo de Morais Antunes; pelo assessor da Secretaria de Gestão Administrativa, Orçamentária e Financeira, Ivan Gomes Bonifácio; e a técnica da Seção de Credenciamento e Acompanhamento de Cursos (Secra), Naysa Polliana Freire Pereira. Pela Esmagis-MT, participaram ainda a secretária-geral Claudia Regina Candia; a equipe pedagógica Pollyana Ollini, Sarah Arruda e Miriam Macário; o assessor de relações institucionais Reginaldo Cardoso e a assessora de imprensa Keila Maressa.

Autor: Keila Maressa

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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