POLÍTICA NACIONAL

CRE aprova Gilda Neves para embaixadora na Turquia

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A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (13) o nome da diplomata Gilda Motta Santos Neves para a embaixada brasileira na Turquia. A indicação, feita pelo presidente da República, agora vai ser votada em Plenário.

A mensagem presidencial (MSF 32/2024) foi relatada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). Durante sabatina que ocorreu antes da votação, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), o relatório foi lido pelo senador Esperidião Amin (PP-SC). 

Amin apontou que a Turquia atualmente possui uma posição equilibrada com relação à guerra entre Rússia e Ucrânia. O país está a cerca de 500 quilômetros de ambos os atores do conflito, separada deles pelo Mar Negro. Gilda Neves afirmou que já morou na Rússia e que possui experiência para lidar com questões geopolíticas na região.

— É uma região onde eu já vivi, fui por quatro anos [de 2014 a 2018] ministra-conselheira em Teerã [Irã] e por três anos [de 2018 a 2020] em Moscou [Rússia], então aquela dinâmica geopolítica me interessa muito. Somos dois países [Brasil e Turquia] que promovem e facilitam negociações de paz. Podemos articular juntos iniciativas de mediação, como já vimos aconteceu em 2010 com relação à questão nuclear iraniana — disse ela.

Turismo

Neves afirmou que deseja promover o turismo brasileiro com a cooperação da Turquia. Ela observou que o fluxo de turistas turcos no Brasil é de menos de 3 mil por ano, enquanto mais de 100 mil brasileiros visitam a Turquia. Segundo ela, o país é um caso de sucesso de investimento em turismo e pode ajudar o Brasil nesta área.

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— A Turquia fez um investimento muito impressionante na indústria turística, hoje é uma potência nessa área. Eles recebiam cinco milhões de turistas nos anos 90 e agora recebem 50 milhões. Acho que nós podemos aprender com essa experiência. Temos que trabalhar melhor em divulgação e estabelecer parcerias com agentes privados, tanto aqui quanto na Turquia, e promover também maior participação em feiras e divulgação ampliada nas mídias sociais.

Carne brasileira

Em contrapartida à situação do turismo, o Brasil foi responsável por mais de 70% do intercâmbio comercial entre o Brasil e a Turquia em 2023, que totalizou U$ 4,6 bilhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil foram soja, minério de ferro e seus concentrados, animais vivos, café não torrado, algodão e celulose. 

Neves afirmou que trabalhará para incluir mais itens de valor agregado, que são mais elaborados e processados. Como exemplo, ela apontou que aviões da Embraer e carne de boi podem ser vendidos pelo Brasil aos turcos, que hoje restringem a compra de carne.

— [A Turquia] importa muitos bois vivos do Brasil, mas não carne processada. As negociações estão avançando, acho que estamos próximos de conseguir abrir esse mercado. Mesmo que a gente não consiga abrir completamente, há um espaço grande para parcerias e processamento na Turquia da carne da brasileira.

Do lado turco, as mercadorias mais vendidas foram sais, motores e máquinas não elétricos e acessórios de veículos automotivos. Segundo a diplomata, o país possui apenas duas empresas instaladas no Brasil, que fornecem tecido para o setor automotivo e energia termoelétrica, enquanto há cinco grandes multinacionais brasileiras na Turquia. Ela afirmou que buscará equilibrar os investimentos.

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Turquia

A República da Turquia é um país transcontinental. A maior parte do seu território está situada no continente asiático, mas parte importante do país está localizada no Sudeste da Europa. Com cerca de 82 milhões de habitantes, segue um sistema de governo presidencialista. A República turca foi proclamada em 1923, após o fim do Império Otomano, ao final da Primeira Guerra Mundial.

Segundo Gilda Neves, o Brasil e a Turquia possuem 150 anos de relações bilaterais, que só foram intensificadas após os anos 2000, com reflexo na expansão do comércio entre os países. O Ministério de Relações Exteriores (MRE) estima que a comunidade brasileira residente na Turquia seja de cerca de 1.000 pessoas.

Biografia

Gilda Neves ingressou na carreira diplomática em 1996, e atualmente exerce a direção do Departamento de Organismos Internacionais do MRE. Ela já trabalhou, como conselheira, nas embaixadas brasileiras no Cairo (Egito), em Roma (Itália), em Teerã (Irã) e em Moscou (Rússia). Também foi diretora dos departamentos de Nações Unidas e de Comunicação Social do Ministério das Relações Exteriores.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Câmara aprova regras para realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil em 2027

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que regulamenta direitos e deveres da União e da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em razão da realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Brasil em 2027. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria do Poder Executivo, o Projeto de Lei 1315/26 foi aprovado na forma do substitutivo da relatora, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela defendeu a proposta como de importância esportiva, social e institucional, para favorecer o desenvolvimento e a promoção do futebol feminino, ampliar sua visibilidade e fortalecer a formação de atletas e público, entre outros benefícios.

Propaganda de bebidas
Segundo o texto, ao contrário da proibição legal, será permitida a propaganda de bebidas alcoólicas nas transmissões dos eventos oficiais do torneio (jogos, treinos, sorteio, etc.) e em emissoras de rádio e TV fora do horário restrito das 22 horas de um dia às 6 horas do dia seguinte.

Como a jurisprudência legal e o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publiciária (Conar) estendem a proibição legal às redes sociais, canais de internet e outros meios virtuais de transmissão, por extensão a permissão de propaganda desses produtos nos eventos também atingirá esses meios.

Comércio
A relatora incluiu no substitutivo toda a Medida Provisória 1335/26, que disciplina questões como patentes, comércio nos locais de eventos e acesso a imagens.

Quanto à venda de bebida alcoólica, Gleisi Hoffmann retirou trecho ambíguo da MP a fim de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e locais de eventos oficiais.

Entretanto, a proteção aos direitos comerciais e de marketing não implica autorização, dispensa ou flexibilização de normas sanitárias.

Exclusividade
O texto estabelece regras de exclusividade para a Fifa e seus parceiros econômicos para a realização da Copa no Brasil, envolvendo a titularidade de todos os direitos de exploração comercial relacionados às imagens, sons, símbolos, marcas, slogans, marketing e demais propriedades intelectuais de todos os eventos relacionados à Copa, desde as partidas oficiais até treinos, festas, entrevistas, etc.

Uma das novidades em relação às normas da Copa de 2014 é o resguardo dos direitos do governo federal pelo uso de seus próprios slogans, mascotes, denominações, campanhas, personagens, símbolos oficiais e outros existentes ou criados especificamente para uso em publicidade institucional, comunicação de utilidade pública, campanhas educativas, informativas ou de interesse público ou divulgação de políticas públicas, ainda que realizados no contexto ou no âmbito dos eventos oficiais e desde que não haja exploração comercial nem associação promocional com marcas ou produtos de terceiros.

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Imagens
O projeto também traz regra para a liberação de imagens para outras emissoras não autorizadas a transmitir integralmente as partidas, cerimônias de abertura e encerramento ou sorteio da competição.

Essas imagens liberadas após o fim do evento oficial, classificadas como flagrantes, poderão ser usadas apenas para fins jornalísticos com uso nas 24 horas após o evento, proibida sua associação a qualquer forma de patrocínio, promoção, publicidade ou marketing.

As emissoras não autorizadas poderão exibir um máximo de 30 segundos de flagrantes para cada evento, exceto no caso das partidas, cujo limite será de 3% do tempo de partida.

Para ter acesso a essas imagens, os veículos de comunicação terão de comunicar à Fifa com 72 horas de antecedência sua intenção de usar o material.

Edição de imagens
A Fifa ou pessoa por ela indicada deverá preparar 6 minutos de gravação dos principais momentos das partidas ou eventos oficiais, dos quais serão extraídos os flagrantes dentro dos limites de tempo estipulados. A gravação será entregue em até 6 horas depois do evento.

O conteúdo editado poderá ser distribuído pelas emissoras às suas filiadas, que também terão de cumprir os limites de tempo dos flagrantes.

Em todos os casos, não poderá ser associada às imagens qualquer atividade publicitária ou haver exploração comercial do conteúdo.

Todas as regras serão aplicáveis à veiculação pela internet ou plataformas digitais.

Premiação
O texto permite ainda ao Ministério do Esporte pagar um prêmio de R$ 500 mil a cada jogadora da seleção brasileira de futebol feminino participante do Torneio Experimental Fifa realizado na China em 1988.

Nesse torneio, o Brasil ficou na terceira colocação e participaram, a convite, 12 seleções das confederações de futebol para avaliar o potencial econômico e de inserção no calendário de um torneio mundial da Fifa em caráter permanente.

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Nesse ponto, a relatora incluiu como beneficiárias da premiação as jogadoras participantes da 1º Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino, igualmente realizada na China em 1991. Com isso, o total de jogadoras que podem receber as premiações passa de 18 para 30.

A estimativa inicial de impacto orçamentário do governo é de R$ 9 milhões. Caso alguma jogadora já tenha falecido, os sucessores indicados pela Justiça poderão receber o prêmio proporcionalmente à sua cota-parte na sucessão da herança.

A premiação não tem data definida para pagamento, mas a vigência desse trecho do projeto ocorrerá a partir de 24 de junho, um ano antes do início da Copa.

Reparação histórica
Gleisi Hoffmann afirmou que o poder público tem a obrigação de promover o futebol feminino. Ela lembrou que o Decreto-Lei 3.199/41 proibiu por mais de 40 anos às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições da natureza feminina” e afetou principalmente as modalidades como futebol, lutas e halterofilismo.

“Se foi o Estado, em tempos de ditaduras, que proibiu o esporte por tanto tempo e gerou as dificuldades que vemos agora, nada mais justo do que promover, na democracia, as medidas de reparação”, disse.

Feriado
Outra medida prevista no projeto é a permissão para a União decretar feriado nacional nos dias em que houver jogo da seleção brasileira de futebol durante o torneio. Estados, Distrito Federal e municípios poderão também decretar feriado ou ponto facultativo nos dias em que ocorrerem eventos oficiais em seus territórios.

Já os calendários escolares dos sistemas de ensino deverão ser ajustados para que as férias do primeiro semestre de 2027 abranjam todo o período entre a abertura e o encerramento da Copa, tanto nos estabelecimentos da rede pública quanto nos da rede privada.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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