POLÍTICA NACIONAL

CI inclui fontes renováveis no incentivo à pesquisa e inovação na cadeia do petróleo

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A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) aprovou nesta terça-feira (1º) uma emenda de Plenário ao PL 5.066/2020, que incentiva a pesquisa e a inovação na exploração de petróleo e gás natural. A emenda contempla as garante a pesquisa também sobre fontes de energia renováveis. Apresentada pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) recebeu parecer favorável do senador Chico Rodrigues (PSB-RR), com uma emenda substitutiva. A matéria segue agora para votação do Plenário.

O PL 5.066/2020 é do senador Plínio Valério (PSDB-AM) e já havia sido aprovado pela CCT e pela CI em decisão terminativa. O senador Carlos Portinho (PL-RJ), no entanto, apresentou recurso para que o texto fosse votado em Plenário. Como foi apresentada emenda de Plenário ao texto, ele retornou às comissões.

A emenda de Contarato, incorporada pelo relator ao texto do projeto, estabelece que o estímulo à pesquisa e inovação deverá contemplar, além das áreas que já são previstas na Lei do Petróleo, outras fontes renováveis de energia, bem como a eficiência energética-ambiental, a conservação e preservação do meio ambiente. A emenda acrescentou que esse estímulo deve fomentar a aquisição de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos em todas as bacias sedimentares no território nacional, além de promover a alocação de recursos entre instituições e centros de pesquisa situados em todas as regiões geográficas brasileiras — Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

O projeto, que altera a Lei do Petróleo (Lei 9.478, de 1997) e a Lei do Pré-Sal (Lei 12.351, de 2010), tem como objetivo garantir investimentos na pesquisa petrolífera. Atualmente, a Lei do Petróleo estabelece como uma das atribuições da Agência Nacional de Petróleo (ANP) o estímulo à pesquisa e a adoção de novas tecnologias na exploração, produção, transporte, refino e processamento de petróleo, gás natural, biocombustíveis e hidrogênio. A Lei do Petróleo também prevê que a exploração, o desenvolvimento e a produção de petróleo e de gás natural serão exercidas mediante contratos de concessão ou, no caso do pré-sal ou nas áreas estratégicas, sob o regime de partilha de produção.

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Percentual para pesquisa

Os regimes de concessão e partilha diferem pela participação do Estado. Na concessão, todo o petróleo e gás produzidos são adquiridos pelo concessionário; e o Estado se limita a regular e a fiscalizar as atividades. Na partilha, o Estado, além de regular e fiscalizar, participa das atividades de produção e assim lucra com a comercialização de petróleo e gás. Além desses dois regimes, existe também a cessão onerosa, utilizada pelo governo em 2010 como estratégia para capitalizar a Petrobras. Nesse regime, a União cede o direito de exploração do petróleo ou gás em troca de uma remuneração preestabelecida.

O projeto obriga que todos os contratos, em todos os regimes, tenham uma cláusula de investimento obrigatório em pesquisa, desenvolvimento e inovação, chamada “Cláusula de PD&I” (pesquisa, desenvolvimento e inovação), de acordo com os seguintes percentuais mínimos: 1% da receita bruta, nos contratos de concessão de campos de grande volume de produção ou elevada rentabilidade; 1% nos contratos de partilha de produção; e 0,5% nos contratos de cessão onerosa. Durante os cinco primeiros anos após a lei entrar em vigor, esses recursos deverão ser destinados às universidades e aos centros de pesquisa credenciados pela ANP, de forma que cada uma das regiões geográficas — Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul — receba, no mínimo, 10% dos recursos.

Conforme a proposta, o investimento mínimo obrigatório em pesquisa, desenvolvimento e inovação passa a ser uma cláusula essencial dos contratos de concessão e dos contratos de partilha de produção, ou seja, uma cláusula sem a qual o contrato não pode ser executado.

Dados geológicos

O relator incluiu novamente na proposta artigo que havia sido suprimido por Contarato, que prevê que no mínimo 5% dos recursos da cláusula de PD&I dos contratos entre a ANP e as operadoras serão destinados para a aquisição de dados geológicos em bacias sedimentares terrestres. Esse percentual poderá ser reduzido se a sua aplicação comprometer recursos de projetos de pesquisa que já tenham sido contratados ou iniciados quando a lei for publicada. Essa destinação só será válida por cinco anos após a entrada em vigor da lei.

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Ao justificar a destinação de recursos às bacias terrestres, Plínio Valério explica que atualmente as empresas alocam a maior parte dos recursos em bacias sedimentares marítimas, e isso limita o conhecimento geológico sobre as bacias terrestres e, consequentemente, seu aproveitamento.

“É importante ressaltar que a exploração de petróleo e gás natural em áreas terrestres é um estímulo importante para o desenvolvimento regional e a geração de emprego”, defende o autor da proposta.

Regiões

A emenda de Contarato propunha uma bonificação de 5% na realização das despesas obrigatoriamente destinadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação quando elas contemplarem projetos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No entanto, Chico Rodrigues seguiu a orientação do parecer da Comissão de Ciência e Tecnologia (CT) e suprimiu esse trecho da emenda, pois considera que ela pode acabar reduzindo os recursos destinados à pesquisa.

— Esse dispositivo, em que pese busque incentivar a aplicação de recursos de P,D&I nessas regiões, pode ocasionar a redução do volume total de recursos alocados nessas atividades em todo o país, além de não garantir a efetiva redistribuição de recursos. Na prática, a alocação poderia permanecer sendo feita como é atualmente — explicou o relator na CI.

Ele ressaltou que o projeto objetiva orientar a aplicação dos recursos compulsórios, “mas sem impedir que as empresas continuem investindo voluntariamente, além os recursos compulsórios, da forma que entenderem mais adequado”.

Caso aprovada, a futura lei entrará em vigor 180 dias após a sua publicação.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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