POLÍTICA NACIONAL

Especialistas pedem divulgação de tratamento para mielomeningocele no SUS

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A reposição de ácido fólico, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), é capaz de reduzir em até 70% a ocorrência da mielomeningocele, doença decorrente da má-formação da coluna vertebral, que faz com que os ossos da coluna do bebê não se desenvolvam adequadamente, o que compromete o desenvolvimento futuro da criança.

Nesta terça-feira (22), a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) debateu o projeto de lei (PL) 5.173/2023, que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Mielomeningocele, a ser celebrado anualmente em 25 de outubro. De acordo com o texto, na semana que compreender a data, deverão ser realizadas atividades voltadas para a conscientização sobre o tema.

O debate foi realizado por iniciativa do senador Romário (PL-RJ), autor do projeto de lei, e do senador Flávio Arns (PSB-PR), relator do texto na CAS. Os especialistas defenderam a divulgação do tratamento contra a doença, além de mais investimentos para a proteção da população, sobretudo das mulheres em idade fértil. No Brasil, a doença ocorre em 2,42 a cada 10 mil nascimentos.

O senador Flávio Arns destacou a importância da prevenção contra a mielomeningocele e disse que o Brasil “está preparado para isso”. O senador defendeu a conscientização em relação à doença, particularmente na área da saúde e entre os profissionais da área médica, para atendimento das demandas do setor.

Redução da doença

A principal causa da mielomeningocele é a deficiência de ácido fólico na gestação, explicou o urologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia José Ailton Fernandes Silva, que há mais de 25 anos trata de pacientes com a doença.

── A reposição de ácido fólico é capaz de reduzir em até 70 por cento as más-formações. O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece gratuitamente o comprimido ou a suplementação para mulheres em idade fértil. Isso está disponível nas unidades básicas de saúde, principalmente nos programas de planejamento familiar — afirmou.

O urologista defendeu a divulgação do tratamento contra a doença para que não só os profissionais de saúde fiquem atentos, mas principalmente as mulheres que possam aderir a um tratamento que salva vidas.

── Isso reduz em até 70 por cento a ocorrência da doença, que afeta a parte motora e todas os demais sistemas do corpo. É uma doença que envolve uma reabilitação multifuncional e cabe ao Estado oferecer investimentos nos centros já existentes, no sentido de proporcionar especialistas multidisciplinares no acompanhamento das crianças — afirmou.

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Desafios

Vice-Presidente da Associação Brasileira de Espinha Bífida (Abrasse) e vice-reitora da Universidade Federal do Paraná, a cirurgiã pediátrica Camila Girardi Fachin destacou a má-formação da doença.

── A mielomeningocele é o tipo mais grave e também o mais comum clinicamente de espinha bífida. É uma má-formação congênita que ocorre no desenvolvimento do embrião dentro do útero materno. É uma formação bastante precoce no desenvolvimento do tubo neural, que vai dar origem ao sistema nervoso central, e ela acontece já nas primeiras semanas de gestação — afirmou.

De acordo com a médica, um grande desafio para a cirurgia fetal é o diagnóstico precoce, que deve ocorrer de forma ideal antes da 27ª semana de gestação.

── Algumas vezes isso pode ser um pouco desafiador. Infelizmente, a gente não tem ultrassonografia fetal de qualidade para todas as nossas gestantes no Brasil, e muitas vezes esse diagnóstico é feito tardiamente, e aí não dá mais para ser feita a cirurgia fetal — afirmou.

Entre as principais dificuldades em relação aos pacientes com mielomeningocele, Camila citou o acesso à cirurgia intrauterina, oferta e cirurgia intrauterina pelo SUS, falta de exames e protocolos de atendimento no SUS das crianças e adultos com mielomeningocele, distribuição de medicamentos e materiais, dificuldade no acesso a terapias motoras multidisciplinares e acessibilidade e inclusão na escola, na sociedade e mercado de trabalho.

Conscientização

Portadora de mielomeningocele, Alícia Nunes de Borba Machado, de 21 anos, apontou a importância da conscientização sobre a doença. Vestibulanda de medicina, Alicia é influenciadora digital e busca ajudar quem enfrenta a doença.

── A gente passa por inúmeros desafios, empecilhos no cotidiano, pouco se fala da doença, causas e sequelas. São imensos os desafios para o paciente e para a família. Hoje eu sou influenciadora para mostrar que não é uma deficiência que vai impedir você de conseguir seus sonhos e caminhar. A gente pode, sim, ter futuro digno, tratamento adequado e conseguir muitos benefícios. O diagnóstico não é um destino. Existem casos em que é possível a gente conquistar os nossos sonhos. Ser diferente não quer dizer que você não seja normal — afirmou.

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Presidente da Associação de Espinha Bífida e Hidrocefalia do Rio de Janeiro (AEBH), Júlio Cesar Moreno Lucena defendeu melhorias na qualidade de vida dos pacientes e destacou o poder da comunidade no apoio aos portadores da mielomeningocele. Ele defendeu que o Estado brasileiro esteja presente em ações de apoio, amparo e tratamento dos portadores da doença.

Reconhecimento

Filho do presidente da AEBH e portador de mielomeningocele, Gabriel Lucena, de 19 anos, defendeu o reconhecimento da doença em nível nacional.

── Falar sobre conscientização é falar também sobre preparar o Estado e, como um todo, a máquina pública, para lidar e cuidar dessas condições. Mas, muito além disso, é também se fazer conhecida essa condição tão rara que acomete 2,42 bebês a cada 10 mil nascidos em território brasileiro. Conscientizar é cuidar, tratar e incluir na sociedade todas as pessoas, inclusive as pessoas com mielomeningocele — afirmou.

Presidente da Associação Brasileira de Espinha Bífida (Abrasse), Paulo Cesar Cechin destacou que a escolha do dia 25 de outubro está alinhada ao movimento internacional que, desde 2011, reconheceu a data como o Dia Mundial da Espinha Bífida e Hidrocefalia. Ele afirmou que Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Bélgica, Espanha, Colômbia e África do Sul já adotaram oficialmente essa referência, promovendo anualmente campanhas de conscientização em seus territórios.

── Ao oficializar essa data no calendário oficial da União, o Brasil passa a integrar de forma efetiva essa mobilização global, reafirmando seu compromisso com os direitos humanos, com a equidade em saúde e com a valorização da diversidade. Ganham visibilidade não apenas os desafios enfrentados pelas pessoas com mielomeningocele, mas também suas conquistas, potencialidades e demandas por políticas públicas específicas e eficazes.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Sessão especial do Senado destaca importância da Defensoria Pública da União

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Senadores e autoridades defenderam nesta quinta-feira (7) o fortalecimento das atividades dos defensores públicos federais, lembrando que essa categoria atua para garantir direitos e assistência jurídica gratuita à população mais humilde.

As manifestações aconteceram durante sessão especial promovida pelo Senado para homenagear os 45 anos da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais (Anadef). A solenidade ocorreu a pedido do senador Paulo Paim (PT-RS).

Direitos fundamentais

A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), que presidiu a sessão, afirmou que a Defensoria Pública da União, mais do que uma estrutura do sistema de Justiça do país, representa esperança para quem mais precisa do Estado.

— Representa a mãe que busca um medicamento para salvar a vida do filho; o idoso que luta pelo benefício previdenciário; a pessoa em situação de vulnerabilidade, que muitas vezes encontra na Defensoria, no defensor público, o único caminho possível para ser ouvido — declarou ela.

Dra. Eudócia ressaltou que a existência da Defensoria Pública da União — como instituição permanente — está prevista na Constituição. E também frisou que a Defensoria é essencial à função jurisdicional do Estado.

Para Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça, a criação da Defensoria Pública da União foi uma das maiores conquistas da atual Constituição, também chamada de Constituição Cidadã. Ele disse que a concretização dos direitos fundamentais não seria possível sem essa instituição.

— A proteção dos direitos fundamentais nas suas várias gerações. A primeira geração, que corresponde aos direitos individuais, à proteção da vida, da liberdade, da propriedade e dos direitos políticos. Os direitos de segunda geração, que são os direitos econômicos, sociais e culturais, o direito ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura, à previdência (…). Tudo isso faz parte da missão que é atribuída pela Constituição Federal às defensoras e aos defensores públicos federais — destacou Lewandowski.

Anadef

Luciana Grando Bregolin Dytz, presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais, explicou que a entidade foi fundada em 1981 com o propósito de representar e fortalecer os defensores públicos federais. Mas ela acrescentou que, além desse objetivo institucional, a Anadef se consolidou como um instrumento de promoção de direitos e de transformação social.

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O defensor público-geral em exercício, Marcos Antônio Paderes Barbosa, reiterou que a Anadef é indispensável para a valorização dos defensores públicos e para a defesa das prerrogativas dessa carreira.

— Não há Defensoria forte sem profissionais valorizados, e não há profissionais valorizados sem uma associação que os represente com coragem, com competência e visão estratégica, contribuindo decisivamente para a afirmação do papel constitucional da Defensoria Pública como instrumento de transformação social — argumentou ele, frisando a importância de questões como autonomia, estrutura, plano de carreira “e, acima de tudo, dignidade no exercício da função pública”.

Marcos também enfatizou que, ao longo de seus 45 anos, “a Anadef foi voz qualificada neste Parlamento, interlocutora firme com os demais órgãos do sistema de Justiça e guardiã de pautas que transcendem o interesse corporativo”.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) reforçou a importância da instituição. Para ela, o diálogo entre o Parlamento e a Anadef é fundamental para a aplicação adequada de decisões tomadas pelo Legislativo.

Tarcijany Linhares Aguiar Machado, cuja indicação para a chefia da Defensoria Pública da União foi recentemente aprovada pelo Senado, observou que as histórias da Anadef e da Defensoria caminham juntas. Ela salientou que a Anadef participou de diversas conquistas da carreira, como a Lei Complementar 80, de 1994, e a Emenda Constitucional 80.  

— A Anadef sempre foi e continua sendo muito mais do que uma entidade de classe. É um braço de reflexão, execução e apoio para todos os órgãos públicos envolvidos na missão de levar justiça aos que mais precisam dela — elogiou ela.

Para a representante do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, Cândida Souza, a Anadef contribuiu para fortalecer a compreensão de que o acesso à Justiça e aos direitos humanos são agendas interligadas.

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— Garantir direitos exige instituições públicas capazes de acolher, orientar, proteger e assegurar que nenhuma pessoa seja excluída da proteção do Estado por sua condição social, origem, raça, território, identidade ou situação econômica — sublinhou ela.

Interiorização

Para vários participantes da sessão, cumprir a Emenda Constitucional 80 é um dos grandes desafios da Defensoria Pública da União e da Anadef. A emenda prevê que o Estado brasileiro viabilize o atendimento de defensores públicos federais em todas as unidades jurisdicionais do país.

Eles apontaram que a norma previa um prazo de oito anos para a sua implementação, o que não aconteceu.

Para Michelle Leite de Souza Santos, ex-presidente da Anadef, o não cumprimento da determinação constitucional limita o acesso à Justiça.

— Enquanto houver uma jurisdição federal com juiz federal e Ministério Público Federal mas sem defensor federal, haverá cidadão desamparado e sem acesso à Justiça. A Anadef existe para não deixar esse compromisso ser esquecido, para ser voz de quem não tem voz e para cobrar do Estado que cumpra o que a Constituição já determinou.

Segundo a vice-presidente da Anadef, Alessandra Lucena Wolff, a Defensoria Pública da União é a instituição que deve chegar aos lugares que “o Estado não alcança”.

— É por isso que a interiorização não é uma bandeira corporativa. É uma exigência constitucional e uma exigência de justiça social, que depende do efetivo acesso à Justiça. Mais de 65 milhões de brasileiros, quase um terço da população brasileira, vivem hoje em localidades com subseções da Justiça Federal, mas sem qualquer atendimento da Defensoria Pública da União. Isso é um estado de coisas inconstitucional que não podemos mais tolerar.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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