POLÍTICA NACIONAL

Quarentena para ex-diretores do BC gera debate no Plenário

Publicado em

O senador Cid Gomes (PSB-CE) comunicou ao Plenário nesta terça-feira (1º) a apresentação de um projeto de lei complementar que aumenta para quatro anos o período de quarentena necessário para que ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central possam assumir cargos na iniciativa privada (PLP 144/2025). Hoje, a quarentena é de seis meses.

— O que está em jogo não é apenas o futuro do Banco Central, é a integridade da democracia econômica brasileira. A política monetária não pode ser sequestrada por uma casta tecnocrática blindada do voto popular e, ao mesmo tempo, premiada pelo mercado, que deveria regular com rigor. A autonomia do Banco Central precisa ser a autonomia da República, não das finanças — disse o senador.

Cid registrou que o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, que esteve no cargo até dezembro de 2024, assumiu nesta terça uma posição de dirigente do banco digital Nubank. O senador colocou em dúvida se a atual regra de quarentena consegue proteger o interesse público, e disse ser difícil de acreditar que haja neutralidade técnica ou isenção na condução da política monetária quando todos sabem que o dirigente tem garantido no futuro emprego privada com muitos benefícios financeiros. Também afirmou que seu objetivo com o projeto é diminuir o risco conflito de interesses.

— Não é coincidência que, ao final de seu mandato, o presidente do BC, responsável por conduzir a política de juros mais restritiva do planeta, tenha sido contratado por uma das maiores instituições financeiras privadas do país. Isso é confluência de interesses. É o retrato cristalino da porta giratória. É o que a teoria da captura regulatória descreve com precisão: quando os reguladores, em vez de servirem ao público, passam a responder, no curto ou no longo prazo, aos interesses dos setores que deveriam fiscalizar — afirmou.

Leia Também:  Comissão aprova diretrizes nacionais para aleitamento materno

O senador recebeu apoios de seus colegas, como o senador Otto Alencar (PSD-BA), que concordou que seis meses de quarentena são “muito pouco” para cargos tão relevantes. Otto disse que é comum que ex-diretores do BC sejam contratados por grandes bancos após o período de quarentena.

— Essa quarentena não pode ser de seis meses. Para quem vai assumir [o novo cargo], é uma vergonha. Quem oferece, o faz porque foi beneficiado por decisões do Banco Central — declarou.

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) também apoiou a iniciativa de Cid Gomes e disse concordar que o período de quarentena deve ser maior.

— Acho que já tarda o momento de o Congresso Nacional legislar sobre isso e expandir o espaço de quarentena de presidentes do Banco Central após assumirem esse posto. Realmente, é uma incompatibilidade entre público e privado — disse Randolfe.

Outros senadores aproveitaram o debate para elogiar o desempenho de Roberto Campos Neto à frente do BC, como Rogério Marinho (PL-RN).

— A lei é clara sobre o período de quarentena. Isso podemos discutir no projeto, mas que não pairem dúvidas sobre a honestidade de propósito do presidente Roberto Campos, que, inclusive, antes de ocupar aquele cargo, já tinha um patrimônio bastante vultoso e tem um padrão de vida de que ele abriu mão para prestar um serviço ao país, reconhecido nacional e internacionalmente — disse Marinho.

Leia Também:  Comissão de Orçamento discute obras e serviços de engenharia com indícios de irregularidades

Cid Gomes acrescentou que não estava acusando Roberto Campos Neto, mas que seu projeto busca “preservar a integridade da política monetária, evitar conflito de interesse e respaldar o interesse público acima de qualquer expectativa de benefício pessoal futuro”.

— A autonomia de uma autoridade que comanda a taxa de juros precisa ser acompanhada de responsabilidade e de limites, porque, no final, quem paga a conta das taxas elevadas, dos cortes no investimento público e do arrocho é sempre o mesmo: a população, que nunca foi convidada para esse jogo, mas que continua sendo escolhida para perder — argumentou.

O PLP 144/2025 ainda precisa ser despachado às comissões para iniciar a sua tramitação. Por se tratar de um projeto de lei complementar, ele vai precisar passar também pelo Plenário. Se for aprovado, irá para a Câmara dos Deputados.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova o uso de novas assinaturas digitais

Published

on

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite o uso de novas assinaturas eletrônicas para comprovar a autoria de documentos digitais.

Pelo texto, serão aceitas todas as ferramentas para atestar autoria que constem na Lei das Assinaturas Eletrônicas (Lei 14.063/20), inclusive tecnologias que não usem os certificados oficiais do governo (sistema ICP-Brasil).

O colegiado aprovou o substitutivo do relator, deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT), ao PL 1195/25, do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). O parecer ampliou o alcance do projeto original que se limitava a incluir o uso do blockchain como meio de assinatura oficial. “O projeto permite maior alcance a essa e outras tecnologias, presentes e futuras”, reforçou Zaeli.

Para que o documento tenha validade legal, basta que as duas partes envolvidas concordem com o formato escolhido.

A proposta altera a medida provisória 2200-2/01 que regula as assinaturas digitais no Brasil e cria a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).

Esse sistema garante que um documento assinado no computador tenha o mesmo valor legal que um documento assinado no papel. Atualmente, a regra foca em um modelo fechado. Nele, o governo fiscaliza as empresas que vendem certificados digitais para a população.

Leia Também:  Projeto dispensa pescador que exerce a atividade em propriedade privada de tirar licença

O texto aprovado permite que sistemas independentes (descentralizados) também sirvam para validar documentos. Com isso, tecnologias modernas como o blockchain passam a ter validade jurídica para assinar arquivos eletrônicos.

Próximos passos
A proposta que tramita em caráter conclusivo será agora analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada perla Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA