O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) resgatou, nesta sexta-feira (28.11), uma ave curicaca que estava nas proximidades da rua Stanislau Kolsenti, em Confresa (a 1.058 km de Cuiabá).
A equipe do 2º Núcleo Bombeiro Militar (2º NBM) foi acionada por uma solicitante que informou que o animal apresentava sinais de ferimento e permanecia exposto em via pública.
Ao chegar ao local, os militares identificaram a ave e realizaram o manejo adequado, efetuando a captura do animal de forma segura.
Em seguida, a curicaca foi transportada até uma clínica veterinária do município, onde ficou sob os cuidados de profissionais especializados para avaliação e tratamento.
A curicaca é uma ave grande, com bico longo e curvado, conhecida por sua vocalização alta e onomatopeica que soa como um “despertador”. Ela é encontrada em áreas abertas como campos, pastagens e áreas agrícolas, além de se adaptar a ambientes urbanos como gramados e parques, onde busca seu alimento principal: insetos e pequenos répteis e anfíbios.
O Corpo de Bombeiros ressalta que, em casos envolvendo animais silvestres, o cidadão deve entrar em contato pelo 193 solicitando auxílio e, em nenhuma hipótese, deve tentar capturar o animal de forma indevida.
O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.
Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.
“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.
O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.
Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.
Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.
“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.
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