POLÍTICA NACIONAL

Vai à Câmara criação de política nacional de prevenção à exposição ao mercúrio

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A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (10), em decisão final, projeto de lei que institui a Política Nacional de Prevenção da Exposição ao Mercúrio no país. O PL 1011/2023 estabelece uma série de diretrizes permanentes para prevenir a exposição humana ao mercúrio, substância altamente tóxica, com impactos graves à saúde, especialmente em gestantes, crianças e populações vulneráveis, como comunidades ribeirinhas e indígenas.

De autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a proposta foi aprovada na forma de substitutivo (texto alternativo) da senadora Leila Barros (PDT-DF) e segue agora para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para votação no Plenário do Senado Federal.

De acordo com o texto aprovado, a política deverá seguir as recomendações e limites de exposição definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e priorizar ações preventivas interdisciplinares nas áreas de saúde, segurança alimentar e qualidade de vida.

Entre as diretrizes estão:

  • desenvolvimento de instrumentos de informação, monitoramento e controle da contaminação;
  • apoio à formação continuada de profissionais de saúde;
  • sensibilização da sociedade sobre os riscos da exposição ao mercúrio;
  • articulação entre diferentes setores para prevenção, tratamento e minimização dos efeitos à saúde;
  • promoção da gestão ambiental adequada do mercúrio, com tecnologias que evitem a poluição e permitam a recuperação de áreas contaminadas.

Notificação e monitoramento

O projeto determina que a contaminação por mercúrio passe a integrar a Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A medida permitirá o acompanhamento oficial dos casos em todo o país. O elemento químico é usado na mineração de ouro, entre outras atividades.

Também está prevista a criação de uma Ficha de Investigação de Contaminação por Mercúrio, com registro individual dos casos confirmados, dados demográficos, histórico de exposição, atendimento e desfecho clínico. A autoridade de saúde deverá divulgar relatório anual com o mapeamento da distribuição geográfica da contaminação no Brasil.

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Além disso, o texto prioriza ações de biomonitoramento em gestantes, lactantes e crianças em áreas consideradas de risco.

Segurança alimentar

Ainda são previstas medidas específicas de segurança alimentar (com orientação para a ingestão de alimentos com menor bioacumulação de mercúrio, especialmente em regiões onde há maior risco de contaminação, como áreas de garimpo) e ações permanentes de monitoramento ambiental do pescado, da água e de outros recursos naturais utilizados para consumo humano.

A política cria ainda uma campanha permanente de enfrentamento à exposição e intoxicação por mercúrio, de caráter educativo e preventivo, voltada à população em geral e, de forma prioritária, aos grupos vulneráveis. A campanha prevê ações de:

  • educação em saúde;
  • divulgação dos riscos da exposição;
  • capacitação de profissionais do SUS;
  • acompanhamento das pessoas intoxicadas.

Além disso, convênios poderão ser firmados com universidades, empresas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos para apoiar as ações de conscientização.

Saúde pública

A relatora ressaltou que a exposição ao mercúrio pode causar danos neurológicos permanentes, problemas cardiovasculares, renais, respiratórios e comprometimento do desenvolvimento infantil.

— A gente viu recentemente a questão da contaminação dos povos ianomâmis eu acho que a iniciativa do senador vem muito de acordo com os últimos incidentes e é também uma forma de controle, da gente está monitorando não só essas contaminações do garimpo, mas também de alimentação e até mesmo certas profissões que também tem certa exposição ao mercúrio.

No relatório aprovado, Leila Barros promoveu ajustes para sanar vícios de iniciativa e preservar a constitucionalidade do projeto, retirando dispositivos que impunham obrigações diretas a ministérios, estados e municípios.

Também foi excluída a previsão de criação do Dia Nacional do Enfrentamento à Exposição ao Mercúrio, por ausência de audiência pública específica exigida em lei para a criação de datas comemorativas.

Audiência pública

A CAS aprovou ainda requerimento do senador Laércio Oliveira (PP-SE) para a promoção de uma audiência pública (REQ 110/2025 – CAS) sobre projeto de lei que cria a cota de uma vaga para pessoas com deficiência em empresas que possuam entre 50 e 99 empregados. O projeto (PLS 277/2016) do senador Romário (PL-RJ) já recebeu voto favorável da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e estava na pauta desta quarta-feira, mas teve a votação adiada em razão da sugestão de audiência pública.  

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— Esse projeto tem um alcance extraordinário, com referência à inclusão de obrigações para que as empresas a partir de 50 funcionários acrescentem, em seus quadros, pessoas com deficiência. Eu entendi que o projeto está muito restritivo. A questão das pessoas com deficiência é uma questão que a gente precisa enfrentar, mas a gente tem condições, a partir desse projeto, ampliar a atuação, inclusive com o envolvimento de empresas públicas — argumentou Laércio. 

Mara Gabrilli disse entender que a extensão do debate por meio de audiência faz parte do processo, mas lamentou o adiamento de uma pauta  considerada por ela prioritária. 

— Não é algo do outro mundo, que seja impossível de cumprir. Se a gente está falando de empresas que tenham de 50 a 99 funcionários, a gente está falando que as pessoas com deficiência não vão ter que cruzar a cidade para ir a uma empresa enorme, numa multinacional. Não; ela pode trabalhar do lado de casa, num supermercado de bairro. E aí esse supermercado não vai ser obrigado a ser acessível, não só para esse funcionário, mas para todo cidadão que quiser entrar nesse supermercado. 

A data da audiência pública ainda não foi divulgada pela presidência da CAS. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão mista aprova redução de prazo para acesso a benefício fiscal por importadores de cacau

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Foi aprovada em comissão mista a medida provisória (MP 1341/26) que limita a seis meses o prazo para empresas que exportam produtos fabricados com cacau estrangeiro usufruírem de vantagens no pagamento de impostos na importação da fruta. O prazo anterior era de até dois anos.

O mecanismo, conhecido como drawback, serve para evitar a cobrança repetida de impostos na cadeia produtiva e melhorar a competitividade das exportações. Ele suspende ou isenta de tributos insumos importados que serão usados na produção de bens para exportação.

Penalidades
Quem descumprir as novas regras poderá:

  • perder o direito de usar o benefício;
  • ter de pagar os tributos suspensos ou isentos; e
  • receber multa.

O Poder Executivo definirá os detalhes em regulamento.

A MP 1341/26 já está em vigor e segue agora para análise nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. Para virar lei definitiva e não perder a validade, o texto precisa ser aprovado pelas duas Casas até 9 de julho.

Mudanças
O texto aprovado é a versão do relator, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). O relator incorporou duas emendas do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). Foram rejeitadas outras 15 sugestões apresentadas no colegiado.

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Uma das emendas aprovadas prevê sanções em caso de descumprimento de obrigações e prazos. A outra determina a divulgação trimestral do volume e do valor das exportações que comprovam a conclusão da importação sob drawback.

Transparência e proteção
Durante a reunião, Zequinha Marinho disse que as novas regras devem equilibrar a relação entre os produtores e a indústria de chocolate. “É um momento interessante para a produção do cacau brasileiro e para a indústria também. Isso dá transparência, isso dá segurança”, comentou o relator.

Zequinha Marinho afirmou que, atualmente, a falta de transparência sobre o volume de importações prejudica as vendas dos agricultores brasileiros no mercado interno. Segundo ele, o prazo de 24 meses está desalinhado com o ciclo de produção do cacau, que tem duas safras por ano.

O presidente da comissão mista, deputado Gabriel Nunes (PSD-BA), defendeu o fim do prazo longo para o drawback, que, segundo ele, gera especulação no mercado de cacau. “Esse tema é de fundamental importância”, afirmou.

Da Reportagem/RM
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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