POLÍTICA NACIONAL
Agências alertam para impactos de cortes orçamentários na fiscalização
Publicado em
16 de junho de 2026por
Da Redação
A redução de recursos das agências reguladoras pode ameaçar a capacidade do Estado de fiscalizar serviços essenciais, garantir segurança jurídica aos contratos e atrair investimentos em infraestrutura. O alerta foi feito durante audiência pública da Comissão de Infraestrutura (CI) nesta terça-feira (16), quando dirigentes de órgãos reguladores falaram sobre os impactos dos contingenciamentos orçamentários sobre áreas como energia, transportes, mineração, aviação civil e recursos hídricos.
O bloqueio orçamentário imposto pelo Decreto 12.990, de 2026, atinge o funcionamento dos órgãos reguladores federais dos setores de infraestrutura. Segundo o requerimento para a audiência, o governo ampliou o bloqueio de despesas discricionárias do Executivo para R$ 23,7 bilhões, atingindo diretamente órgãos responsáveis pela regulação e fiscalização de áreas estratégicas como energia, petróleo, mineração, telecomunicações, transportes, aviação civil e recursos hídricos.
Autor do REQ 58/2026 – CI, o presidente do colegiado, senador Marcos Rogério (PL-RO), afirmou que os sucessivos bloqueios orçamentários comprometem a autonomia das agências. Segundo ele, embora a legislação assegure independência técnica e administrativa a essas instituições, as restrições orçamentárias acabam limitando sua atuação na prática.
O senador defendeu a aprovação do PLP 73/2025, de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), que impede o contingenciamento de recursos das instituições reguladoras federais. Relator da proposta, Marcos Rogério argumentou que a medida é necessária para preservar a segurança jurídica e regulatória do país.
— O investidor que aporta capital numa concessão de 30 anos não está comprando um ativo, está comprando uma promessa institucional. A promessa de que as regras serão estáveis, os contratos serão respeitados e haverá uma instância técnica independente capaz de arbitrar conflitos com imparcialidade — afirmou.
Marcos Rogério também alertou para os efeitos dos cortes sobre a fiscalização de serviços públicos e atividades econômicas. Segundo ele, nos últimos dez anos o orçamento das agências caiu 25%, enquanto o quadro de servidores foi reduzido em 13%. Para o senador, a diminuição dos recursos pode comprometer o monitoramento de setores como energia, mineração, combustíveis e transportes, com reflexos diretos para a população.
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) se somou às críticas. Para ele, é inadmissível que órgãos tão fortes e com autonomia financeira já estabelecida estejam, atualmente, dependentes de realocação orçamentária de ministérios.
— Hoje nós temos mais de 11 mil obras paralisadas no Brasil e isso demonstra a ineficiência da aplicação do recurso público. E as agências reguladoras têm exatamente esse papel de procurar trazer eficiência.
O projeto em tramitação no Senado chegou a ser pautado pela comissão para análise na reunião desta terça-feira (16), mas um pedido de vista por orientação do governo adiou a votação. Sem a participação de outros senadores governistas no debate, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) informou que, para a equipe econômica, a “blindagem [ao orçamento das agências] engessaria a execução do orçamento” e limitaria os mecanismos para o cumprimento das metas fiscais.
— O contingenciamento é um mecanismo essencial para adequar a execução da despesa à frustração das receitas para cumprir as metas fiscais estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A CI começou a analisar o projeto no início da tarde desta terça.
Capacidade de atuação
Representando o Comitê das Agências Reguladoras, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, afirmou que a discussão sobre a autonomia financeira não diz respeito a um governo específico, mas à capacidade do Estado de executar políticas públicas e garantir direitos à população. Segundo ele, os bloqueios e contingenciamentos orçamentários recorrentes desde 2021 têm prejudicado a recomposição dos quadros de pessoal, os investimentos em inovação tecnológica e as atividades de fiscalização.
Sampaio lembrou que a Lei Geral das Agências Reguladoras buscou fortalecer a autonomia dessas instituições e citou outras iniciativas recentes com o mesmo objetivo, como a destinação de emendas parlamentares para reforçar as atividades dos órgãos e a inclusão, na Lei de Diretrizes Orçamentárias, de dispositivo que vedava o contingenciamento de recursos dos órgãos reguladores. O trecho, no entanto, foi posteriormente vetado pelo presidente da República.
O diretor da ANTT também destacou o aumento das responsabilidades atribuídas às agências, especialmente no setor de transportes. Segundo ele, a expansão das concessões rodoviárias exige mais investimentos em tecnologia, pessoal e capacidade de fiscalização.
— Em 2021, tínhamos 12 mil quilômetros de rodovias concedidas, distribuídos em 22 contratos. Finalizaremos este ano com 44 contratos e 19 mil quilômetros de rodovias concedidas. No ano que vem, com o plano de concessões em andamento, chegaremos a 25 mil quilômetros, o equivalente a um terço da malha rodoviária federal sob responsabilidade da iniciativa privada — afirmou.
Para Sampaio, esse cenário reforça a necessidade de garantir estabilidade, previsibilidade e segurança institucional para que as agências consigam acompanhar a ampliação dos serviços regulados.
A diretora-presidente interina da Agência Nacional de Águas (ANA), Larissa Oliveira Rêgo, afirmou que o órgão regulador vive o mais grave cenário orçamentário de sua história. Segundo ela, os R$ 44 milhões bloqueados comprometem 40% das atividades de monitoramento de barragens e podem levar à interrupção, a partir de setembro, da rede hidrometeorológica nacional, formada por mais de 4,5 mil estações. A diretora alertou que os cortes ocorrem em um momento de elevado risco hidrológico e podem prejudicar a prevenção e a resposta a eventos extremos, como secas e inundações, como o El Niño.
— A ANA será obrigada a interromper, a partir de setembro, a operação de rede hidrometrológica composta por mais de 4,5 mil estações de monitoramento em todo território nacional. Essa rede sustenta o planejamento da rede elétrica, a segurança da navegação interior, o abastecimento público e, sobretudo, o alerta de desastres utilizado pelas defesas civis para salvar vidas. Sem esses dados o Brasil perde a capacidade de oferecer respostas a esses eventos extremos.
Impactos internacionais
Os dirigentes também alertaram para os reflexos dos contingenciamentos na imagem do Brasil perante investidores e organismos internacionais. Segundo eles, a falta de previsibilidade orçamentária e de segurança jurídica pode afastar investimentos e comprometer projetos de expansão da infraestrutura.
— Nós estamos sendo regularmente procurados por blocos econômicos, por países individualmente para entender como é a nossa mecânica no setor de mineração, e não adianta a gente fazer todo esse esforço de convencimento, de atração de investimento, se nós não damos as condições ideais para que a Agência Nacional de Mineração [ANM] possa se desincumbir adequadamente do seu mister institucional e garantir que esses investimentos tenham uma acolhida — afirmou o diretor-geral da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa.
Segundo ele, a agência acumula cerca de 15 mil processos pendentes por falta de estrutura para analisá-los e liberar novas lavras.
O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas Faierstein, informou que a agência perdeu cerca de 70% do orçamento desde 2015. Segundo ele, os cortes sucessivos afetam a confiança de organismos internacionais responsáveis por avaliar a segurança da aviação civil brasileira.
Faierstein argumentou ainda que os contingenciamentos podem reduzir a arrecadação federal ao limitar atividades como a certificação de aeronaves. Segundo ele, atrasos nesse processo afetam a operação de aeronaves, a comercialização de equipamentos pela indústria aeronáutica e a geração de tributos.
— Nós não somos contra o governo fazer meta fiscal, nós devemos sim parabenizar o governo por querer cumprir a meta, querer manter a saúde financeira, o que nós estamos questionando é que será que dentro desse corte as agências precisam ser tão sacrificadas antes a outras áreas do governo?
A mesma argumentação foi colocada pela diretora-geral substituta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agnes Maria de Aragão da Costa, e pelo diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Netto.
— A gente reduziu em 80% o nosso orçamento. Somente no programa de fiscalização da qualidade de combustível o impacto foi de 50%, saindo de R$ 55 milhões para R$ 25 milhões — informou Watt Netto.
TCU e plano de ação
O assunto teve repercussão também no Tribunal de Contas da União (TCU). A corte publicou o Acórdão 280/2026 determinando que a Casa Civil apresente um plano de ação para efetivar a autonomia financeira das agências reguladoras, garantindo verbas suficientes para custeio e fiscalização de autarquias como Aneel, ANP, ANM e Anatel.
O TCU reconheceu que os cortes orçamentários e contingenciamentos dos últimos dez anos têm prejudicado a capacidade fiscalizatória e administrativa das agências. O acórdão foi alvo de recurso e, neste momento, sua discussão está em curso no TCU.
O auditor-chefe da Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear do TCU, Marcelo Leite Freire, afirmou que a corte tem preocupação com as contas públicas e com a responsabilidade fiscal. Mas ele também disse que é preciso buscar um maior planejamento para que as atividades das reguladoras não sejam comprometidas.
— Uma proposta de melhor planejamento tem o seu lugar porque permite que aquilo que se almeja com a atuação das agências reguladoras seja alcançado da melhor maneira possível.
O bloqueio orçamentário do Executivo passou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões no segundo bimestre de 2026.
As agências reguladoras sofreram cortes específicos, como:
- ANTT: R$ 57 milhões;
- Anatel: R$ 51,8 milhões;
- ANA: R$ 44,9 milhões;
- ANP: R$ 38,1 milhões;
- Aneel: R$ 34,3 milhões;
- Anac: R$ 24 milhões;
- ANM: R$ 22,7 milhões;
- Antaq: R$ 14,3 milhões.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Lucas Barreto quer fim de reserva para permitir exploração mineral na Região Norte
Published
15 minutos agoon
16 de junho de 2026By
Da Redação
Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (16), o senador Lucas Barreto (PSD-AP) defendeu um projeto de lei de sua autoria, o PL 3.101/2022, que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados – Renca, localizada entre os estados do Amapá e do Pará.
Segundo ele, a região concentra jazidas estratégicas de cobre, fósforo, titânio e terras raras, com potencial para impulsionar o desenvolvimento econômico da região, gerar empregos e reduzir a dependência brasileira de insumos importados.
Lucas Barreto afirmou que o Brasil não pode ignorar riquezas minerais estimadas, de acordo com o senador, em mais de US$ 1 trilhão. Para ele, existe um “paradoxo amazônico”: apesar de concentrar grandes riquezas naturais e minerais, a região continua convivendo com pobreza e baixo desenvolvimento econômico devido às restrições ao aproveitamento desses recursos.
O senador também ressaltou que é necessário agregar valor à produção mineral por meio de investimentos em pesquisa. Ele reiterou que a exploração de recursos naturais deve estar associada à geração de emprego, renda e bem-estar social para a população amazônica.
— Não basta apenas extrair minério. É necessário investir em ciência, tecnologia e inovação para transformar essas riquezas em emprego, renda, desenvolvimento e bem-estar social.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Lucas Barreto quer fim de reserva para permitir exploração mineral na Região Norte
Mato Grosso registra maior crescimento do país no abate de bovinos no 1º trimestre de 2026
Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão em Comodoro e apreende armas de fogo e munições
Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão em Comodoro e apreende armas de fogo e munições
CGE aplica multa a consórcio por registros fictícios de atendimento no Ganha Tempo
CUIABÁ
Prefeitura de Cuiabá registra adesão de 90% dos credores em primeiro leilão de dívidas
A primeira Sessão de Oferta Pública do Programa de Regularização do Passivo Financeiro da Prefeitura de Cuiabá, realizada nesta terça-feira...
Prefeitura abre segunda etapa do Minha Rua Show de Bola e vai premiar quatro bairros com telões
Após o sucesso da primeira etapa do concurso Minha Rua Show de Bola, que reuniu milhares de moradores nas ruas...
Regularização dos bairros Silvanópolis e Paraisópolis avança com apoio da Prefeitura de Cuiabá
Reunião ampliada realizada nesta terça-feira (16), no Palácio Paiaguás, sede do Governo de Mato Grosso, reuniu representantes do Estado, da...
MATO GROSSO
Mato Grosso registra maior crescimento do país no abate de bovinos no 1º trimestre de 2026
Mato Grosso registrou o maior crescimento absoluto no abate de bovinos do país no primeiro trimestre de 2026, com aumento...
Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão em Comodoro e apreende armas de fogo e munições
A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta terça-feira (16.6), um mandado de busca e apreensão domiciliar em uma propriedade localizada...
CGE aplica multa a consórcio por registros fictícios de atendimento no Ganha Tempo
A Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT) aplicou multa administrativa de R$ 489.615,75 ao consórcio Rio Verde por irregularidades...
POLÍCIA
Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão em Comodoro e apreende armas de fogo e munições
A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta terça-feira (16.6), um mandado de busca e apreensão domiciliar em uma propriedade localizada...
Força Tática prende cinco pessoas por tráfico de drogas na Região Metropolitana
Policiais militares da Força Tática do 1º Comando Regional prenderam quatro homens e apreenderam um adolescente por tráfico ilícito de...
Polícia Civil prende condenado por tráfico de drogas procurado pela Justiça de São Paulo
A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta terça-feira (16.6), um mandado de prisão expedido pela Justiça do Estado de São...
FAMOSOS
Ary Mirelle surpreende João Gomes com presente dos sonhos no Dia dos Namorados
Ary Mirelle, de 24 anos, encantou os seguidores ao compartilhar um momento especial ao lado de João Gomes, de 23....
Renata Silveira realiza sonho histórico ao narrar Copa do Mundo direto do estádio
A narradora esportiva Renata Silveira viveu um momento marcante na carreira ao realizar o sonho de narrar uma Copa do...
Rafa Kalimann se derrete ao mostrar Zuza pronta para sua primeira Copa do Brasil
A atriz e influenciadora Rafa Kalimann encantou os internautas ao compartilhar um momento especial envolvendo a filha, Zuza. Nas redes...
ESPORTES
Irã e Nova Zelândia fazem jogo movimentado e empatam por 2 a 2
Irã e Nova Zelândia protagonizaram uma partida intensa e cheia de alternativas nesta segunda-feira (15.06), pela Copa do Mundo, e...
Uruguai empata com Arábia Saudita e deixa Grupo H totalmente indefinido
O Grupo H da Copa do Mundo de 2026 começou com um equilíbrio raro. Na noite desta segunda-feira, no Hard...
Bélgica e Egito empatam e deixam Grupo G aberto na Copa do Mundo
A estreia do Grupo G na Copa do Mundo de 2026 reservou emoções no Lumen Field, em Seattle. Em um...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
POLÍTICA NACIONAL6 dias agoAgenda com propostas sobre direitos femininos é apresentada ao Congresso
-
Esportes6 dias agoConvite para a Copa Ouro coloca arbitragem mato-grossense em evidência nacional
-
Sorriso6 dias agoSorriso conhece modelo educacional referência em ensino bilíngue
-
FAMOSOS6 dias agoAna Castela e André Luiz Frambach vivem romance e gravam cena de beijo: ‘Ansioso’







