POLÍTICA NACIONAL

Senado aprova criação da Universidade Federal da Fronteira Norte; projeto vai à sanção

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A Universidade Federal da Fronteira Norte (Unifron) está a um passo de se tornar realidade. O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) o substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei 3.455/2023, que transforma o campus binacional da Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Oiapoque, em uma nova instituição federal de ensino superior.

Como a matéria já foi aprovada pelas duas Casas (Câmara e Senado), o texto segue para a sanção da Presidência da República.

O autor da proposta é o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Quando a lei for sancionada, os cerca de 1.200 estudantes atualmente matriculados nos cursos do campus de Oiapoque serão automaticamente integrados à nova universidade, sem necessidade de adaptação ou mudanças burocráticas.

A Unifron oferecerá cursos de graduação e pós-graduação, além de desenvolver projetos de pesquisa, extensão, cultura, inovação e desenvolvimento regional. Atualmente, o campus oferece os cursos de Ciências Biológicas, Direito, Enfermagem, Licenciatura Intercultural Indígena, Letras (Francês-Português), História, Geografia e Pedagogia, que passarão a integrar a estrutura da nova universidade.

A iniciativa também está alinhada às metas de ampliação do acesso ao ensino superior previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).

Para viabilizar o funcionamento da nova instituição, o projeto autoriza o Poder Executivo a criar os cargos de reitor e vice-reitor, além de 80 cargos de professor da carreira do magistério superior, 40 cargos técnico-administrativos de nível superior e outros 60 de nível intermediário.

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Relator da matéria, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a criação da Unifron acontecerá em um momento estratégico para o Amapá, diante das perspectivas de desenvolvimento econômico associadas à exploração de petróleo na Margem Equatorial. Segundo ele, a nova universidade contribuirá para formar profissionais qualificados para atender à demanda gerada por esse novo ciclo de crescimento.

— A instituição contribuirá para a formação de mão de obra local, permitindo que esse desenvolvimento regional seja acompanhado pelo fortalecimento da educação superior — ressaltou Paim.

Autor da proposta, Randolfe Rodrigues ressaltou a importância estratégica da localização de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. Para o senador, a universidade ampliará o acesso ao ensino superior em uma região historicamente carente desse serviço e fortalecerá a cooperação acadêmica e científica entre Brasil e França.

— A universidade será voltada para o que está acontecendo na fronteira. Com a ampliação da integração entre Brasil e Guiana Francesa, haverá necessidade de cursos voltados para a cooperação internacional e para esse novo mercado que se abre entre o Mercosul e a União Europeia. Ao mesmo tempo, a pesquisa de petróleo na costa do Amapá exigirá tecnologias e profissionais especializados, e isso precisa ser desenvolvido naquela região — disse ele.

Randolfe acrescentou que a instituição também terá papel importante na valorização dos povos originários.

— Será a universidade do petróleo, da relação do Brasil com a França e também a universidade dos povos indígenas. O campus de Oiapoque já possui um curso específico para os povos originários, e essa vocação será fortalecida com a autonomia da nova instituição.

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O presidente do Senado e também representante do Amapá, Davi Alcolumbre, declarou que a criação dessa universidade representa um passo decisivo para o desenvolvimento do estado.

— É uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Amapá, na relação entre a academia, a pesquisa sobre essa nova riqueza que é o petróleo e os benefícios que ela vai trazer para o estado, sempre em diálogo com os povos originários.

Para a senadora Teresa Leitão (PT-PE), a criação da Unifron reforça a política de expansão das universidades federais.

— Essa iniciativa se insere no contexto da expansão das universidades. Somente neste semestre aprovamos a Universidade Indígena e a Universidade do Esporte. Agora damos mais um passo para ampliar o acesso ao ensino superior público.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) enfatizou que a proposta fortalece a democratização da educação superior no país.

— Essa é uma pauta que me deixa feliz. Precisamos levar educação pública de qualidade para todos. As pessoas estão no Oiapoque e é lá que o Estado precisa garantir oportunidades por meio do ensino superior.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Ativistas criticam deportações em massa dos EUA e pedem medidas de acolhimento de migrantes no Brasil

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As deportações em massa dos Estados Unidos e as falhas no acolhimento de migrantes no Brasil dominaram o debate entre ativistas de causas humanitárias em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

A audiência realizada nesta quarta-feira (8) resultou da mobilização internacional de parlamentares e sociedade civil que participaram, em março, da Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania.

Integrante do comitê da jornada em São Paulo, Bárbara Corrales lembrou que o movimento se intensificou a partir da truculência do ICE, o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos. “Na semana passada, os agentes do ICE prenderam 10 mil pessoas em cinco dias. Isso não deixa dúvida do que o imperialismo quer: a guerra pode ser com bombas, mas a guerra também pode ser com opressão social.”

Bárbara Corrales afirmou que, mesmo diante de intensa manifestação popular nos Estados Unidos (com o lema “No kings, no ICE, no war”), o governo Donald Trump manteve as deportações em massa e reforçou o orçamento do ICE com 70 bilhões de dólares.

De janeiro de 2025 até junho deste ano, foram cerca de 600 mil deportados, dos quais 4,6 mil brasileiros. Também houve 60 mil detidos de várias nacionalidades, a maioria (70%) sem antecedentes criminais.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Direito de Migrar. Brasileira Vivendo nos EUA, Heloisa Galvão.
Por videoconferência, Heloísa Galvão relatou situação de “catástrofe” de brasileiros nos EUA

Brasileiros nos EUA
Falando diretamente de Boston, em Massachusetts, a organizadora do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, deu detalhes do cotidiano de tentativa de ajuda aos migrantes brasileiros. “A situação aqui é uma catástrofe. É um governo que coloca em risco a vida das pessoas, coloca uns contra os outros e alimenta o ódio. O que a gente vê na nossa comunidade é um medo, é um pavor. Todos os dias a gente recebe ligação de brasileiros presos.”

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Os ativistas calculam que há 17 mil brasileiros enfrentando detenções prolongadas e dificuldades de defesa nos Estados Unidos.

A diplomata Carlota Ramos, que trabalha na Divisão de Assuntos Humanitários do Ministério de Relações Exteriores, afirmou que o Brasil enfrenta a situação com base nos princípios de não criminalização da migração, proteção dos direitos de migrantes e refugiados e integração socioeconômica.

“Vivemos [no mundo] um momento de recrudescimento de discursos anti-imigração, endurecimento de políticas migratórias e crescente erosão de mecanismos internacionais de proteção. Nesse contexto, o Brasil tem atuado para ser uma voz dissonante, que defende soluções baseadas em direitos humanos, cooperação internacional e não discriminação”, afirmou.

Carlota Ramos citou ações em curso, como a Operação Acolhida, voltada aos venezuelanos, e o primeiro Plano Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (I PlaNaMigra), assinado em junho deste ano.

Ações em andamento
Um dos organizadores da audiência, o deputado Rui Falcão (PT-SP) pediu o fortalecimento do Programa Aqui é Brasil, lançado no ano passado para a reintegração de brasileiros repatriados à força.

“Apesar de toda a boa vontade, tem baixo orçamento. Mais de 5 mil famílias foram deportadas com violência e precisam de acolhimento, direito à moradia, quem sabe acesso a benefícios sociais e também possibilidade de reinserção no mercado de trabalho. Nós não queremos muros, queremos horizontes”, disse o deputado.

Rui Falcão ainda defendeu a formalização de uma delegação multipartidária de parlamentares para verificar a situação dos brasileiros presos nos Estados Unidos.

Migrantes no Brasil
Durante a audiência, migrantes radicados no Brasil também relataram os desafios por aqui, como racismo, xenofobia, trabalho precário, separação da família e medo de deportação e de violência institucional.

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Integrante do Conselho Municipal do Migrante de São Paulo, a nigeriana Constance Salawe afirmou que a legislação migratória brasileira é uma das mais avançadas do mundo, mas precisa ser plenamente implementada.

“Nós, imigrantes, não somos um problema a ser resolvido. Somos parte da solução: trabalhamos, empreendemos, produzimos conhecimento, cuidamos das pessoas, enriquecemos a cultura brasileira e ajudamos a construir um Brasil mais diverso, mais forte e mais humano”, declarou.

Segundo Constance Salawe, “migrar não é apenas mudar de território, é reconstruir uma vida”.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Direito de Migrar. Representante Do Conselho Municipal De Imigrantes (Cmi), Constance Salawe
Constance Salawe: a legislação migratória brasileira precisa ser plenamente implementada

Outro organizador do debate, o deputado Reimont (PT-RJ) afirmou que “fronteiras administrativas não podem impedir o livre deslocamento das pessoas”.

Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de um observatório para monitorar a situação dos migrantes e uma moção de repúdio da comissão à política anti-imigratória de Trump.

Também na audiência, a palestina Muna Muhammad Obdeh citou a Declaração Universal dos Direitos Humanos como fundamento para a reconstrução da sua vida no Brasil. “Eu, como palestina, resido aqui no Brasil desde 1992, faço pesquisa, estudo e oriento estudantes nessa temática, que transcorre a partir de direitos humanos e de dignidade humana”, disse.

Muna Muhammad Obdeh é professora de saúde coletiva na Universidade de Brasília (UnB) e representou o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) no debate.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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