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Presidente do TRE-MT conduz painel nacional sobre democracia e meio ambiente

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) marcou presença no Fórum Nacional Verdemocracia, realizado em Belém (PA), com participação ativa da presidente da Corte, desembargadora Serly Marcondes Alves. Ela foi responsável por conduzir um dos principais painéis do evento, que debateu a intersecção entre democracia, sustentabilidade e justiça socioambiental. 

A magistrada destacou a importância da inclusão cidadã nas decisões sobre o meio ambiente. “É necessário garantir a participação ativa da população sob pena de uma injustiça ambiental. São decisões que afetam desproporcionalmente comunidades vulneráveis como povos indígenas e quilombolas. Precisamos de um civismo de compromissos para assegurar o cumprimento de pactos como o Acordo de Paris e a Agenda 2030”, afirmou. 

O painel teve início com a palestra do Prof. Dr. José Eduardo Martinelli Filho, doutor em Oceanografia pela USP. Sua fala estabeleceu um tom de urgência e combateu mitos recorrentes no debate ambiental, como a ideia de que a Amazônia seria o “pulmão do mundo”. Martinelli esclareceu que a maior parte do oxigênio do planeta é produzida pelos oceanos, e que essa narrativa simplificada desvia o foco dos verdadeiros desafios da crise climática. 

O professor explicou a diferença entre crise climática — um risco global, gerado pela atividade humana — e emergência climática, que exige ação imediata e em larga escala. Um dos dados mais alarmantes apresentados foi o da Pegada Ecológica, segundo o qual a humanidade consome, por ano, o equivalente a 1,8 planetas em recursos naturais. 

Martinelli também contestou a falsa dicotomia entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Utilizando dados do Banco Mundial, demonstrou que os serviços ecossistêmicos da Amazônia preservada geram cerca de R$ 1,5 trilhão ao ano, valor três vezes superior ao gerado pela exploração econômica convencional da floresta. 

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Ele concluiu com uma mensagem central do evento. “A defesa do meio ambiente é indissociável da defesa da democracia”. Segundo ele, uma democracia resiliente precisa garantir direitos fundamentais, como o acesso universal ao voto, mesmo diante de cenários de instabilidade ambiental.

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Amazônia, inclusão social e democracia substantiva 

Na sequência, o professor Jorge Nunes Athias, presidente do Conselho do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, trouxe uma análise política e social da Amazônia, destacando o estado do Pará como um microcosmo das contradições nacionais. Segundo ele, a região abriga, simultaneamente, uma das maiores biodiversidades do planeta e zonas de forte pressão econômica, como mineração, agronegócio e pecuária. 

Athias propôs uma leitura dupla do nome do evento: “Verdemocracia”, que pode significar tanto “democracia verde” quanto o convite a “ver a democracia” — ou seja, enxergá-la como um processo vivo, conectado às realidades ambientais. 

Ele defendeu que não existe direito ambiental efetivo sem democracia. Citando o período da redemocratização, lembrou que as principais leis ambientais do país só ganharam aplicabilidade quando a sociedade civil passou a participar ativamente do processo político. 

“A democracia que precisamos é substantiva — vai além do voto. É aquela que garante voz e presença de comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e urbanas. E a Justiça Eleitoral tem um papel essencial nesse processo, como já vem fazendo com materiais em línguas nativas, por exemplo”, concluiu. 

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Encerrando o painel, o professor Fernando Facury Scaff, doutor e professor da Faculdade de Direito da USP, abordou a estrutura de financiamento da política brasileira e seus efeitos sobre a legislação ambiental. 

Ele explicou que os fundos partidário e eleitoral, hoje principais mecanismos de financiamento, concentram poder nos diretórios nacionais dos partidos. Scaff alertou ainda para o uso de emendas parlamentares por candidatos à reeleição, prática que desequilibra a disputa e afeta diretamente a representatividade no Congresso, comprometendo a qualidade das leis ambientais futuras. 

A condução do painel pela presidente do TRE-MT inseriu a Justiça Eleitoral no centro do debate democrático-ambiental, mostrando como as estruturas eleitorais e partidárias influenciam os rumos das políticas públicas de sustentabilidade. 

  

Daniel Dino – Assessoria de Comunicação – TRE-MT 

  

#PraTodosVerem – A imagem retrata um painel de discussão do evento Fórum Nacional Verde Democracia. No palco estão quatro pessoaso sentadas em cadeiras brancas, de frente para a plateia. Entre elas a desembargadora Serly Marcondes Alves, presidente do TRE-MT, que fala ao microfone. O cenário atrás delas é um telão grande com a inscrição “FÓRUM NACIONAL VERDE DEMOCRACIA” em letras brancas e verdes, sobrepondo uma imagem da floresta amazônica e um horizonte urbano. Há também, à direita, a imagem de uma onça-pintada. No canto inferior esquerdo, uma placa indica a data e o local do evento: “15 a 17 de setembro, Teatro Maria Sylvia Nunes, Estação das Docas – Belém do Pará”. 

Fonte: TRE – MT

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TRE-MT discute parcerias com Polícia Federal e Sesp para a segurança nas Eleições 2026

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A segurança nas eleições foi a temática principal de duas reuniões sequenciais nesta quinta-feira (16), visando aos preparativos da Justiça Eleitoral no Estado para o pleito de 4 de outubro. No primeiro encontro, a presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, recebeu o superintendente Regional da Polícia Federal em Mato Grosso (PFMT), delegado Fabricio Fernando Diogo Braga; e, no segundo encontro, a recém-empossada titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), coronel PM Susane Tamanho. 

Na reunião com representantes da Superintendência da PFMT, foram alinhadas tratativas para uma parceria que será formalizada e que prevê o apoio da corporação, enquanto órgão da União, em todos os aspectos que envolvem o trabalho do TRE-MT. A ação conjunta proposta tem o intuito de estabelecer uma rotina de atuação no enfrentamento à criminalidade e na apuração de denúncias de crimes eleitorais, fruto da cooperação entre as instituições, especialmente com o Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Corte Eleitoral. 

Dessa reunião participaram o juiz auxiliar da Presidência, Luís Aparecido Bortolussi Júnior, coordenador do GGI/TRE-MT, e o chefe de Inteligência Operacional da PFMT, Antônio Flávio Rocha Freire. A desembargadora enalteceu o trabalho da Polícia Federal no país e disse que a instituição sempre esteve presente na manutenção da democracia. 

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“A Polícia Federal é a maior do país e tem credibilidade. A Justiça Eleitoral está tranquila porque vai trabalhar com a melhor polícia do Brasil. Sempre acompanhei o trabalho da Polícia Federal nos últimos anos e na construção da democracia, especialmente nesses 40 anos de magistratura, quando atuei como juíza no interior de Mato Grosso”, afirmou a presidente do TRE-MT. “A eleição é nossa prioridade máxima; a gente vai envidar todos os esforços necessários pelo êxito do pleito de 2026. Deixamos a reunião satisfeitos em poder contribuir. Contem conosco”, disse o superintendente Regional da PFMT. 

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Uma das propostas feitas à Sesp tem relação com sistemas de segurança por videomonitoramento

Na segunda reunião, com a secretária da Sesp, também foram abordadas questões relativas à segurança pública, ocasião em que a presidente do TRE-MT expôs os desafios da Justiça Eleitoral e as pretensões das parcerias propostas ao Poder Executivo. A desembargadora Serly Marcondes Alves ainda parabenizou a secretária pelo comando da pasta e desejou sucesso diante do desafio. A coronel PM Susane Tamanho agradeceu a acolhida e afirmou que o Estado será parceiro do TRE-MT. 

“A Secretaria de Segurança Pública está à disposição da Justiça Eleitoral e o que estiver ao nosso alcance será feito para que a eleição ocorra da melhor maneira possível para todos os cidadãos”, destacou a secretária da Sesp. 

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Também participaram das duas reuniões o diretor-geral do TRE-MT, Mauro Sérgio Rodrigues Diogo; os secretários Carlos Luanga Ribeiro Lima (Judiciário) e Leon Manoel Campos dos Santos Filho (Tecnologia da Informação); além dos assessores Sueli Sanae Shimada (da Presidência), Marlus Boletta Gomes de Oliveira (TJMT), Hernandésio de Lima (Jurídico) e Daniel Dino (Comunicação). Os encontros ocorreram no gabinete da Presidência do TRE-MT. 

Jornalista Anderson Pinho 

#PraTodosVerem – A primeira imagem mostra uma mesa de reunião em ambiente institucional. À esquerda, estão sentados representantes da Polícia Federal em Mato Grosso, vestindo trajes formais e fardamento administrativo, em diálogo com outros participantes. Sobre a mesa, veem-se livros de fotografia e documentos. Ao fundo, há um mapa regional na parede. No segundo registro, o grupo aparece em uma nova perspectiva na mesma sala. No centro da cabeceira, destaca-se a titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que gesticula enquanto fala para os demais presentes. A composição mantém o tom profissional e colaborativo entre as instituições. 

 

Fonte: TRE – MT

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