POLÍTICA NACIONAL
Debatedores questionam na CE projeto que proíbe alterar textos da Bíblia
Publicado em
30 de outubro de 2025por
Da Redação
Em audiência promovida pela Comissão de Educação (CE) na tarde desta quinta-feira (30), debatedores questionaram a viabilidade do projeto que proíbe alterações nos textos da Bíblia. O PL 4.606/2019 já foi aprovado na Câmara dos Deputados. No Senado, a matéria já passou na Comissão de Direitos Humanos (CDH), com o senador Magno Malta (PL-ES) como relator. Na CE, a relatora é a senadora Dra. Eudócia (PL-AL).
Do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o projeto “veda qualquer alteração, adaptação, edição, supressão ou adição nos textos da Bíblia Sagrada, para manter a inviolabilidade de seus capítulos e versículos, e garante a pregação do seu conteúdo em todo o território nacional”.
A audiência atendeu a requerimento (REQ 31/2025 – CE) apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que dirigiu o debate. Damares reconheceu que o projeto envolve “questões de elevada complexidade jurídica e social”. Ela disse entender os questionamentos sobre o projeto, principalmente em um momento em que outras demandas parecem ser mais prioritárias para o país. Segundo a senadora, porém, instituições religiosas pediram que a matéria não fosse aprovada sem o devido debate.
— Mais de 80% da população brasileira é cristã e tem a Bíblia como regra de fé e prática. Na verdade, esse projeto fala com a maioria esmagadora da nossa população — registrou a senadora.
O diretor-executivo da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), Erní Walter Seibert, disse reconhecer a boa intenção do autor da proposta. Para Seibert, porém, o projeto pode trazer complicações acadêmicas e legais. Ele lembrou que o hebraico original, em que os textos do Antigo Testamento foram escritos, não tinha vogais — que foram acrescidas depois. Os números dos capítulos e dos versículos foram introduzidos mais de mil anos após a Bíblia ser organizada. Essas medidas, destacou Seibert, poderiam ser questionadas pelo projeto.
O pastor Paulo Nunes, representante do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei), manifestou preocupação com a repercussão do projeto em traduções para as línguas indígenas — que exigiriam, segundo ele, uma linguagem mais prática e acessível.
— Precisamos continuar com a nossa liberdade religiosa, em todos os aspectos. Sou indígena e sou cristão. Tenho livros e uso internet e isso não tira minha essência de ser indígena. Se a Bíblia é a palavra de Deus, não precisa da proteção do projeto — argumentou Nunes.
Laico
Para Renato Gugliano Herani, doutor em direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e representante da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), se o projeto passar da forma como está, o Estado se tornaria por lei guardião oficial de um texto sagrado. Herani pediu uma reflexão sobre a proposta e o conceito de Estado laico e lembrou que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), o controle estatal das questões da fé não está autorizado.
— O Estado passaria a tutelar a sacralidade de um cânon, atuando como um guardião teológico, deslocando o estado laico — apontou Herani, que ainda questionou o interesse público do projeto.
Doutor em teologia pela Universidade de Basiléia (Suíça), Rudolf Eduard von Sinner afirmou que a dinâmica da interpretação e reinterpretação dos textos bíblicos é recorrente do ponto de vista histórico dentro das religiões cristãs. Para o especialista, o projeto é uma ingerência inconstitucional do estado em assuntos de religião e inibiria a liberdade de interpretação das religiões.
— O projeto não estabelece com clareza o objeto de proteção. Se essa lei passar, o Congresso Nacional teria que compor uma comissão para decidir qual versão correta. Não sei se o Congresso quer assumir essa tarefa e é certo que, em algum momento, haveria judicialização da questão — declarou.
Versões
Na visão do professor e pastor luterano Walter Altmann, doutor em teologia sistemática pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, o projeto não é exequível, até por não existir unanimidade sobre uma versão original do texto bíblico. Ele apontou diferentes versões da Bíblia, desde a usada pelo reformador Martinho Lutero, até outras edições mais modernas.
O teólogo Lourenço Steglio Rega disse que a revisão e a atualização das traduções são importantes por vários motivos, desde questões gramaticais e linguísticas, até em razão de novas descobertas arqueológicas. Ele citou 17 versões da Bíblia em circulação no Brasil, com gramáticas, estilos e traduções diferentes e questionou qual texto serviria de base para o objetivo do projeto.
Lourenço Rega, que é doutor em teologia e especialista em grego bíblico, manifestou apoio a uma emenda apresentada pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), com um texto alternativo para o projeto, em que a ênfase é na liberdade da pregação, com o reconhecimento da legitimidade das versões da Bíblia adotadas pelas diferentes confissões religiosas do Brasil.
— Eu não quero deixar um impasse, mas a emenda é um caminho para achar uma possível resposta — declarou Rega.
De acordo com o pastor e teólogo Franklin Ferreira, o projeto contraria os princípios bíblicos. Ele afirmou que as escrituras sagradas não precisam de proteção humana ou estatal, pois está sob a soberania de Deus. Segundo Ferreira, o projeto confunde o texto original com as versões que surgiram ao longo dos tempos e são usadas hoje em dia. Ele lembrou que versões católicas, protestantes e ortodoxas têm divergência até no número de livros internos da Bíblia.
— Não é a igreja que deve ser tutelada pelo estado, mas o estado que precisa ser julgado pela Palavra de Deus. O projeto é desnecessário e problemático — apontou o pastor.
O padre Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e presbítero da Diocese de Jundiaí (SP), falou como representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na mesma linha dos outros especialistas, ele apontou a dificuldade de entender um texto bíblico definitivo que pudesse ser classificado como original.
— Nesse projeto, a Bíblia deixa de ser Palavra de Deus para ser palavra humana ou palavra do Congresso. Optar por um texto seria destruir o esforço para o diálogo inter-religioso e ecumênico. O projeto parece ser algo pessoal do autor, mas não vejo utilidade para a sociedade — ressaltou padre Cássio.
Interativa
A audiência foi promovida de forma interativa, com a possiblidade de participação popular por meio do portal e-Cidadania. A senadora Damares destacou algumas das mensagens que chegaram até a comissão.
A internauta identificada como Cássia, do Distrito Federal, defendeu o texto bíblico sem alterações. Já César, de Goiás, lembrou que o Estado é laico. Internautas também demonstraram preocupação com uma possível censura a estudos acadêmicos que envolvem textos bíblicos e a versões alternativas da Bíblia, como as que trazem ilustrações para crianças e as versões artísticas em rimas e em cordel.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
Published
1 dia agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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