POLÍTICA NACIONAL

CPMI do INSS aprova mais de 300 requerimentos de convocações e pedidos de informação

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A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (27) mais de 300 requerimentos de convocação de autoridades, servidores públicos e dirigentes de entidades associativas ligados às investigações sobre fraudes em descontos indevidos e operações suspeitas envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. Também foram aprovados requerimentos de pedidos de informação destinados a diversos órgãos públicos, bancos, entidades e órgãos de fiscalização. A votação ocorreu na primeira parte da reunião, após discussão entre os parlamentares, evidenciando a falta de acordo que levou à retirada de mais de 70 requerimentos da pauta.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), lamentou a falta de consenso para concluir a votação de todos os requerimentos, mas confirmou que as propostas serão reincluídas na pauta da próxima quinta-feira (4), com ou sem consenso.

Um dos requerimentos que causaram discussão entre parlamentares da base do governo e da oposição foi o de convocação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado recentemente ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Os oposicionistas alegaram que a AGU tinha conhecimento das denúncias de fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas e pediram esclarecimentos sobre a atuação do ministro em relação ao assunto. Na avaliação dos governistas, a oposição tenta usar o tema e a convocação de Messias para desviar o foco das investigações e desgastar o nome do indicado ao STF na véspera de sua sabatina no Senado, anunciada para o dia 10 de dezembro.

“Não havia essa inquietação com o Messias lá atrás, antes da indicação. Houve a indicação, aí houve uma polvorosa aqui na CPMI, claramente numa tentativa de instrumentalizar e usar essa possível convocação do Jorge Messias”, disse a senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

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Para os parlamentares governistas, o consenso sobre os requerimentos deve levar em consideração também os da base, como o que foi apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) pedindo a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a quem acusou de ser dono de agência que opera créditos consignados fraudulentos. A fala de Correia foi sucedida por uma série de xingamentos e uma confusão generalizada entre os parlamentares, com representantes do Partido Novo, de Zema, criticando o deputado.

A discussão foi interrompida por Carlos Viana, reforçando que todos os requerimentos serão votados na próxima quinta-feira, desde que tenham conexão com o objeto das investigações.

Requerimentos aprovados
A CPMI confirmou a convocação do secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, que deverá esclarecer a atuação da pasta diante das denúncias de falhas na proteção aos beneficiários e no controle de descontos.

Foi aprovada também a convocação de dirigentes da Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec), entidade apontada nas investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União como uma das beneficiárias de cobranças consideradas irregulares.

Também serão ouvidos representantes de empresas privadas investigadas por suposta atuação em fraudes previdenciárias. Entre os convocados estão Priscilla Mattos Gomes, sócia do Centro Médico Vita Care, e Luiz Blotta, ligado ao grupo Total Health.

Informações
Outra parte dos requerimentos aprovados solicita ao INSS, ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Banco Central e à Polícia Federal o envio de resultados de auditorias, relatórios de fiscalização, contratos e dados estatísticos sobre fraudes em consignados entre 2020 e 2025. Também foram aprovados pedidos ao Ministério Público Federal sobre sua atuação nas investigações envolvendo descontos irregulares.

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Foram pedidas análises do TCU sobre tomadas de contas relacionadas ao funcionamento do sistema de consignações e auditorias que tratam especificamente de mensalidades associativas descontadas sem autorização dos beneficiários.

Também foram aprovados pedidos de informações sobre operações da PF, como Egrégora, Data Leak, Sem Desconto e Unblok, que apuram suposto vazamento de dados de beneficiários, concessão de consignados irregulares e atuação de intermediários no acesso a sistemas internos do INSS.

Outros requerimentos aprovados miram possíveis conexões entre lobistas, entidades associativas e integrantes de órgãos públicos. A comissão pediu, por exemplo, relatórios de visitas e acessos a prédios da Previdência, Receita Federal, Banco Central, CGU, Casa Civil, Dataprev e STF envolvendo pessoas investigadas, dirigentes de entidades associativas e executivos do setor financeiro.

Não votados
Entre os requerimentos retirados de pauta estão as convocações de Ricardo Bimbo, coordenador do Setorial Nacional de Ciência e Tecnologia/TI do Partido dos Trabalhadores (PT), e de Gustavo Marques Gaspar, empresário e ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT–MA).

Também não foram analisadas as convocações da diretora de Tecnologia da Informação do INSS, Léa Bressy Amorim, responsável pelos sistemas e pela segurança das bases de dados da autarquia, e de Marcelo Oliveira Panella, ex-chefe de gabinete do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Da Redação – AC
Com informações da Agência Senado

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Ambientalistas celebram queda no desmatamento da Mata Atlântica, mas apontam ameaças legislativas

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Ambientalistas detalharam a queda histórica no desmatamento da Mata Atlântica, mas apontaram “ameaças legislativas” para o bioma, durante audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (19). O debate ocorreu em meio à “Semana do Agro”, em que o Plenário da Casa analisa vários projetos de lei de interesse do agronegócio, considerados nocivos às causas socioambientais.

Estudos da Fundação SOS Mata Atlântica e do MapBiomas mostram redução de 28% no desmatamento do bioma entre 2024 e 2025 (de 53,3 mil para 38,3 mil ha). No acumulado dos últimos dois anos, a queda chegou a 47%. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1985, apontou redução histórica de 40% na supressão de vegetação nativa das áreas florestais, como conta o diretor da SOS Mata Atlântica, Luiz Fernando Pinto.

“É a menor taxa de desmatamento anual da história de 40 anos de monitoramento no bioma: pela primeira vez abaixo dos 10 mil hectares. A gente tem esse otimismo cauteloso e, se a gente seguir nesse ritmo de redução de 20% a 30% a cada ano, a Mata Atlântica vai ser o primeiro bioma do Brasil a alcançar o desmatamento zero, ainda antes de 2030”, prevê.

Restrição de crédito para desmatadores ilegais, fiscalização mais rigorosa e aplicação de políticas públicas ajudam a explicar a queda. Luiz Fernando Pinto também valoriza o papel da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/06), que vai completar 20 anos de vigência em dezembro.

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“A Lei da Mata Atlântica é uma referência para a governança florestal no Brasil e do mundo e certamente um dos instrumentos responsáveis por uma redução drástica do desmatamento desde a sua publicação. E ainda é atualmente.”

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Mata Atlântica como aliada chave para a adaptação climática. Dep. Nilto Tatto (PT-SP)
Tatto reclamou de projetos incluídos na pauta do Plenário: ameaça permanente

Ameaças ao bioma
Por outro lado, os ambientalistas alertaram para o chamado “pacote da destruição”, com uma série de projetos de lei que podem frear esses avanços. Um deles (PL 364/19) acaba de ser aprovado pela Câmara e, na prática, flexibiliza proteções aos campos de altitude, inclusive na Lei da Mata Atlântica, segundo Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.

“São mais de 48 milhões de hectares de formações não florestais no Brasil. Isso representa uma ameaça. É extremamente grave, porque a Mata Atlântica não é só uma floresta de árvores gigantes: ela tem toda a sua diversidade de fitofisionomias, que vão desde as restingas não arbóreas aos campos nativos e às florestas ombrófilas densas e ombrófilas mistas”, explicou.

Organizador do debate e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) reclamou de dez projetos de lei incluídos na pauta da “Semana do Agro”, entre eles, os que tratam de redução de Florestas Nacionais, flexibilização da fiscalização ambiental e expansão de plantações de eucaliptos.

“Ao mesmo tempo em que a gente celebra avanços – e tem aí passivos históricos que precisam ter estratégia para recuperar –, a gente também vive aqui, na verdade, uma ameaça permanente. A gente tem que lutar para não ter mais retrocesso e a gente não perder aquilo em que se avançou até agora”, alertou.

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Urbanização como problema
Alguns palestrantes lembraram que a Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil, restando apenas 24% da vegetação nativa e 12% de suas florestas. Os remanescentes estão em 17 estados, que abrigam 70% da população e 80% do PIB nacional (Veja infográfico abaixo).

O bioma também registra 80% dos alertas e ocorrências de desastres naturais, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), devido principalmente à ocupação desordenada. A urbanização cresceu 133% (de 1 milhão de habitantes para 2,33 milhões) entre 1985 e 2024.

Segundo Júlio Pedrassoli, do MapBiomas, 25% de toda a expansão urbana brasileira ocorreu em áreas classificadas como de segurança hídrica, afetando 1.325 municípios. A cidade do Rio de Janeiro lidera essa estatística, com crescimento de 7,6 mil hectares na ocupação dessas áreas hídricas.

Entre as soluções apontadas, está a restauração de fragmentos de floresta, sobretudo em meio a áreas densamente povoadas. Para os especialistas, o bioma é fundamental para a adaptação às mudanças climáticas. O Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio, será comemorado com sessão solene no Plenário da Câmara.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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