POLÍTICA NACIONAL

Deputados defendem consenso para proteger orçamento das agências reguladoras

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Deputados defenderam nesta terça-feira (5) a criação de um consenso no Congresso Nacional para ampliar a autonomia orçamentária das 11 agências reguladoras federais e limitar o efeito dos bloqueios orçamentários decretados pelo governo federal sobre a atuação destes órgãos.

A crise orçamentária das agências foi debatida em uma reunião conjunta de quatro comissões da Câmara dos Deputados (Desenvolvimento Urbano; Minas e Energia; Saúde; e Viação e Transportes) com executivos das agências.

Atualmente, estes órgãos possuem autonomia limitada para gastar o que arrecadam com taxas e multas. Parcela significativa dos recursos é bloqueada pelo governo para cumprir metas fiscais. Em maio, por exemplo, o Executivo anunciou um congelamento de 25% das despesas discricionárias das agências (R$ 444,1 milhões). Após críticas no Congresso, parte dos valores foi retornada em julho.

Comprometimento
O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que propôs a audiência, disse que a penúria de recursos e a falta de pessoal comprometem a atuação regulatória e fiscalizadora destes órgãos, que atuam em setores dinâmicos da economia, como energia elétrica e telecomunicações. “Todos os setores têm um dinamismo muito acentuado e se essas agências não conseguirem acompanhar isso, não têm condições de bem exercer o seu papel”, disse.

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A diretora-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Veronica Sánchez, afirmou aos deputados que as agências arrecadam anualmente para a União valores superiores aos necessários para sua manutenção. “Isso implica em que todas as agências são superavitárias em relação ao que custam para o estado brasileiro”, disse. No entanto, segundo ela, as 11 agências estão com carência de pessoal e defasagem tecnológica.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Bruno Caselli, afirmou que a situação pode piorar em 2026, já que os limites orçamentários propostos pelo governo às agências é inferior ao deste ano. “Isso, já de partida, nos coloca numa situação de corte a partir do janeiro”, disse Caselli. A proposta orçamentária do próximo ano está sendo elaborada pelo Executivo e deve ser enviada ao Congresso no final deste mês.

Diante da situação, diversos parlamentares sugeriram medidas concretas para as agências reguladoras. O deputado Danilo Forte (União-CE) defendeu uma união de esforços para “salvar” o orçamento delas. Já o deputado Julio Lopes (PP-RJ) propôs um fundo específico para financiar as agências, com fontes próprias, que ficaria protegido do contingenciamento.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Discutir mecanismos de fortalecimento das Agências Reguladoras. Diretora-Presidente - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico - ANA, Veronica Sánchez da Cruz Rios.
Veronica Sánchez entregou proposta de autonomia para as agências

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Proposta de autonomia
Durante a audiência pública, a diretora-presidente da ANA entregou ao deputado Arnaldo Jardim, em nome do Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf), uma proposta de autonomia orçamentária e financeira para as agências reguladoras federais. O comitê representa os interesses dos órgãos reguladores junto a instâncias governamentais e não governamentais.

Jardim disse que vai levar a proposta para os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Senado, Davi Alcolumbre. Além disso, ele e outros deputados devem se reunir com o relator do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deputado Gervásio Maia (PSB-PB), para analisar a possibilidade de incorporar no texto da lei a limitação de contingenciamento das verbas das agências reguladoras.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova incentivos para provedores regionais de internet

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A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria medidas de estímulo para provedores regionais de internet, com foco na ampliação da conectividade em áreas remotas, rurais e de baixa atratividade econômica. O texto também institui o Programa Nacional de Incentivo aos Provedores Regionais.

O texto aprovado prevê prioridade de provedores regionais no acesso a crédito em bancos públicos e recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust); editais de apoio à implantação de redes em áreas remotas, rurais e de comunidades tradicionais; além de parcerias com o poder público para instalação de pontos gratuitos de internet em escolas, instituições públicas de saúde, bibliotecas e praças.

O colegiado aprovou o substitutivo do relator, deputado Julio Cesar Ribeiro (Republicanos-DF), ao Projeto de Lei 3211/25, do deputado Duda Ramos (MDB-RR). Em seu parecer, Ribeiro destacou que os provedores regionais já são responsáveis por mais de 63% das conexões de internet fixa nos lares brasileiros, mas a falta de apoio freia a expansão das redes.

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“As políticas públicas em vigor ainda não conferem o devido reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos provedores regionais para a redução da exclusão digital e das desigualdades regionais no acesso à internet”, reforçou o relator.

Ajuste no texto
Julio Cesar Ribeiro optou por adotar parcialmente as alterações (emendas) feitas pela Comissão de Integração Nacional ao texto original. O novo texto define provedor regional como a prestadora cujo grupo econômico tenha participação nacional inferior a 5% em cada mercado de varejo em que atua, de acordo com os critérios adotados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O texto aprovado também inclui a criação de grupo de monitoramento e de avaliação do programa. O comitê terá representantes do governo, da agência reguladora, de bancos e de provedores.

Por fim, o texto substituiu “universalização de serviços” pelo termo “massificação de acesso”. A justificativa foi que a universalização se aplica a serviços prestados em regime público, enquanto a internet funciona em um modelo de exploração por empresas de mercado.

Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada agora pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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