POLÍTICA NACIONAL

Diagnóstico e vacinação são chave contra o câncer, aponta debate

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No Brasil, mais de 700 mil novos casos de câncer são diagnosticados por ano, e a projeção é alarmante: até 2030, a doença deve se tornar a principal causa de morte no país, superando as doenças cardiovasculares. Especialistas e parlamentares cobraram, nesta terça-feira (23), durante audiência da Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, ligada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o acesso igualitário ao diagnóstico precoce e a terapias avançadas no Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de enfrentar o desafio.

Eles também defenderam outras medidas fundamentais para evitar esse cenário. A incorporação de novas terapias, a ampliação da cobertura vacinal e a descentralização do atendimento foram apontadas como algumas das ações que podem ajudar a reduzir a mortalidade e ampliar as chances de cura.

A presidente da subcomissão, senadora Dra. Eudócia (PL-AL), apontou a desigualdade no acesso ao tratamento oncológico no Brasil. A parlamentar destacou que os avanços científicos já permitem que o câncer, em muitos casos, seja uma doença controlável ou até curável, desde que o paciente tenha acesso ao diagnóstico precoce e às terapias adequadas.

— A nossa realidade é a seguinte: aqueles pacientes que têm acesso à saúde suplementar ou podem pagar por tratamentos oncológicos avançados têm uma sobrevida muito maior. Hoje, graças a tantas terapias inovadoras, o câncer se tornou, na maioria dos casos, uma doença controlável. Para muitos, há cura, desde que o diagnóstico seja precoce e o tratamento oportuno. Mas essa não é a realidade que vemos no SUS — afirmou a senadora.

A senadora citou o caso da imunoterapia, tratamento que utiliza medicamentos para estimular o sistema de defesa do corpo a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Ela afirmou que, atualmente, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) — órgão responsável pelas decisões sobre tratamentos no SUS — leva em média 180 dias para decidir se um paciente deve ter direito ao tratamento. 

— Enquanto eles estipulam, pela lei do SUS, um prazo médio de 180 dias para decidir se o paciente deve ou não receber imunoterapia, o paciente já pode ter falecido ou desenvolvido metástases — criticou a senadora.

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Segundo o coordenador-geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Cavalheira, o governo tem avançado para superar alguns gargalos e ampliar o atendimento à população.

— Olha o que aconteceu com a cirurgia oncológica, que era o nosso principal déficit e gargalo: crescemos 19,5%. Melhorando o componente cirúrgico gradativamente desde 2022, estamos batendo recordes no número de procedimentos realizados. Se essa tendência continuar, significa que estamos conseguindo ampliar as cirurgias, e o paciente não está mais chegando tanto nos estágios 3 e 4 — disse.

Apesar dos avanços no tratamento, Cavalheira admitiu que o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 60% e 70% dos casos de câncer no Brasil são identificados em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e eleva os custos do tratamento.

— Para ter uma ideia, em países desenvolvidos é o contrário. Cerca de 30% dos pacientes com câncer são diagnosticados nos estágios 1 e 2. Isso já indica onde precisamos trabalhar mais para mudar essa realidade — apontou.

Ele destacou avanços proporcionados pela medida provisória que criou o programa Agora Tem Especialistas (MP 1.301/2025) e citou a situação da radioterapia no país como exemplo. Segundo o coordenador, o governo tem trabalhado para ampliar o número de aparelhos disponíveis para esse tipo de tratamento.

— Há pacientes que precisam andar mais de 20 horas para chegar a um aparelho de radioterapia. Isso é inaceitável. Estamos desenvolvendo vários programas para mudar essa situação, por isso o componente de radioterapia está incluído na medida provisória. Amapá e Roraima, por exemplo, não têm um aparelho de radioterapia. A gente está colocando nos dois estados agora — disse.

A oncologista Dayana Mendes Ribeiro reforçou o impacto da desigualdade regional no acesso a terapias.

— O acesso a essas terapias significa mais tempo de vida para os pacientes. Mas os centros especializados estão concentrados no Sul e Sudeste — afirmou.

Cobertura vacinal segue crítica

A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Angélica Nogueira, chamou a atenção para a baixa cobertura da vacina contra o HPV, essencial na prevenção do câncer do colo do útero, e defendeu o foco em estratégias para ampliar a vacinação.

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— Existem vacinas contra o câncer, existem vacinas gratuitas e a principal delas é a vacina do HPV. Se considerarmos que 11% dos cânceres em mulheres são causados pelo vírus HPV, precisamos cobrar uma alta adesão à vacina, que hoje, como todos sabemos, está aquém do necessário no Brasil — alertou.

Ela defendeu que a vacinação volte a ocorrer nas escolas, por meio de parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação.

— Um movimento simples, como mudar o local da vacinação, pode levar à eliminação do câncer. Todos os programas de vacinação contra HPV bem-sucedidos no mundo são programas escolares — exemplificou, citando Austrália, Reino Unido e países do Norte da Europa.

Eduardo Jorge Lima, do Conselho Federal de Medicina (CFM), destacou que a pandemia de covid-19 influenciou negativamente a adesão às demais vacinas, incluindo a do HPV. Ele também afirmou que é necessário avançar na conscientização da população e ampliar a faixa etária de vacinação até os 26 anos. 

— Atualmente, cerca de 20% das crianças entre 9 e 14 anos não foram vacinadas contra o HPV. Agora, há um esforço para imunizar adolescentes de 15 a 19 anos que, por algum motivo, não receberam a vacina. Estamos em outubro e a cobertura nessa faixa etária é de apenas 47%. Menos da metade dos adolescentes que deveriam ser protegidos contra o câncer está imunizada. Precisamos avançar para que a vacina seja administrada dos 9 aos 26 anos, especialmente levando a vacinação até onde o povo está — defendeu.

Requerimentos

No início da reunião, o colegiado aprovou uma série de requerimentos para a realização de novas audiências públicas. Entre os temas aprovados estão: o financiamento da pesquisa e do desenvolvimento de vacinas, medicamentos e terapias contra o câncer; os processos de aprovação e registro desses produtos; e ações integradas para a redução da mortalidade por câncer do colo do útero no Brasil. As audiências serão agendadas. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Senado pode votar na próxima semana incentivos fiscais para data centers

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O Senado pode votar na próxima semana, durante esforço concentrado da Casa, o projeto de lei que cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers (centros de processamento de dados) no Brasil.

A proposta (PL 278/2026) é uma das matérias anunciadas como prioritárias pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na quarta-feira (26), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O texto cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que beneficia empresas com a suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Aprovado em fevereiro pela Câmara, o PL 278/2026 ainda não tem relator no Senado e ainda não foi despachado para as comissões da Casa — mas já há requerimento de líderes para que a matéria seja votada diretamente no Plenário. 

Medida provisória

A criação do Redata estava inicialmente prevista na Medida Provisória 1.318/2025, que não foi votada pelo Congresso Nacional e acabou perdendo a validade.

Para garantir a criação desses incentivos fiscais, a proposição foi novamente apresentada em fevereiro — mas dessa vez sob a forma de projeto de lei: o PL 278/2026 — pelo então deputado federal José Guimarães (PT-CE), que era o líder do governo na Câmara.

Ele se licenciou do cargo em abril para assumir a chefia da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Dependência

De acordo com o Ministério da Fazenda, o Brasil ainda depende de data centers de outros países: cerca de 60% das cargas de dados e de inteligência artificial utilizadas no país são processadas no exterior.

O ministério também argumenta que o diferencial de custos operacionais é um fator determinante, já que a operação no Brasil seria, em média, 30% mais cara que no exterior — e a principal causa disso são os tributos.

O projeto

O texto em análise no Senado cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no país, principalmente os que tenham como foco a computação em nuvem e a inteligência artificial.

Os incentivos do Redata incluem cinco anos de suspensão de tributos na compra de equipamentos. As contrapartidas das empresas incluem o uso de energia de fonte limpa (hidrelétricas) ou renovável (solar e eólica).

Como condição para ter acesso aos benefícios, as empresas têm de estar em dia com os tributos federais. A estimativa do governo é de uma isenção em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.

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De acordo com o projeto, a entrada de uma empresa no Redata deverá ser autorizada pelo Ministério da Fazenda. A empresa beneficiada terá suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A suspensão será válida para a compra — dentro ou fora do Brasil — de componentes eletrônicos e outros produtos de tecnologias da informação e comunicação. A empresa que vender os equipamentos também poderá ser beneficiada pelo Redata (mas somente no caso dos produtos empregados na fabricação dos computadores a serem utilizados nos data centers).

Para o Imposto de Importação, a suspensão se aplica aos produtos sem similar nacional.

O projeto também prevê que, após o cumprimento dos compromissos e a entrega final dos produtos, a suspensão será convertida em alíquota zero.

Quem pode participar

Podem participar do Redata os centros de processamento voltados à armazenagem, ao processamento e à gestão de dados e aplicações digitais, incluindo:

  • computação em nuvem;
  • processamento de alto desempenho;
  • treinamento;
  • inferência de modelos de inteligência artificial e serviços correlatos;
  • outros itens, desde que estabelecidos em ato do Poder Executivo, de acordo com a Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (NBS).

Contrapartida

As contrapartidas para as empresas que quiserem participar do Redata envolvem os seguintes compromissos:

  • direcionar ao mercado interno pelo menos de 10% do fornecimento efetivo de processamento, armazenagem e tratamento de dados a ser instalado com os benefícios;
  • atender a critérios e indicadores de sustentabilidade definidos em regulamento;
  • honrar a totalidade de sua demanda contratual de energia elétrica, seja com contratos de suprimento ou autoprodução de fontes limpas ou renováveis;
  • apresentar Índice de Eficiência Hídrica no uso da água para resfriamento dos equipamentos igual ou inferior a 0,05 litro/kWh em aferição anual;
  • fazer investimentos no país equivalentes a 2% do valor dos produtos comprados no mercado interno ou importados com o benefício fiscal.

Além disso, um dispositivo incluído no projeto durante a tramitação na Câmara exige do beneficiário do Redata a publicação de relatório de sustentabilidade das instalações (com o índice de eficiência, as fontes de energia elétrica utilizadas e os demais indicadores de sustentabilidade).

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Desenvolvimento regional

A proposta prevê que o direcionamento do processamento ao Brasil e o compromisso de investimento serão reduzidos de 10% e 2% para, respectivamente, 8% e 1,6% quando a empresa estiver localizada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (ou se estiver em área de abrangência das agências de desenvolvimento regional).

O texto também determina que, de todos os recursos direcionados a investimentos em projetos e programas de fomento à cadeia produtiva da economia digital, 40% deverão ir para aqueles localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluídas as respectivas áreas de abrangência das agências de desenvolvimento regional, como Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Punições

Se a empresa habilitada não cumprir os compromissos no prazo estipulado (exceto o direcionamento de processamento ao Brasil), ela deverá pagar os tributos suspensos com juros e multa de mora.

Para a empresa vendedora dos equipamentos, a quitação de tributos deve ocorrer caso eles não sejam entregues ao data center.

Já no caso de descumprimento da condição de direcionar 10% do fornecimento efetivo de processamento ao Brasil, o texto prevê a suspensão dos benefícios tributários em novas compras de equipamentos. Se, depois de 180 dias da notificação, a empresa não corrigir o procedimento, a suspensão será convertida automaticamente em cancelamento da habilitação.

Os benefícios fiscais criados pelo Redata deverão ser objeto de acompanhamento e avaliação por dois ministérios: o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Fazenda.

Emendas

Até a tarde desta quinta-feira (27), os senadores haviam apresentado 22 emendas ao texto.

Entre as mudanças sugeridas estão:

  • retirar a obrigatoriedade da exigência de uso de energia de fonte limpa ou renovável;
  • incluir no texto regras sobre temas de outras leis, como a atualização do marco legal das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs);
  • possibilitar que o atendimento à totalidade da demanda de energia elétrica se dê também com fontes de baixa intensidade de carbono, como a biomassa;
  • incluir outras regiões entre as beneficiadas pela redução de compromissos para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Caso o Senado faça modificações no mérito do projeto, a matéria terá de voltar à Câmara dos Deputados para nova análise. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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