POLÍTICA NACIONAL

Financiamento é principal desafio para garantir psicólogos e assistentes sociais nas escolas, dizem especialistas

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O principal desafio para a implantação plena da lei que prevê equipes de psicólogos e assistentes sociais nas escolas (Lei 13.935/19) é o financiamento, segundo disseram participantes de debate sobre o tema na Câmara dos Deputados.

Na opinião da diretora de Articulação com Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (MEC), Maria Selma Rocha, o pagamento das equipes não deve ser feito com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“No meu entendimento, essas funções não devem integrar o orçamento da educação. Os desafios no Brasil para financiar a educação pública são extraordinários, o Fundeb tem sido um mecanismo redistributivo de recursos dos mais poderosos que nós tivemos na história da educação brasileira. Mas, acho que nós temos muito pela frente ainda para assegurar que a educação brasileira atinja os níveis que precisa atingir, seja do ponto de vista da qualidade, seja do ponto de vista da infraestrutura”, apontou.

Já o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Garcia, tem opinião diferente. Para ele, psicólogos e assistentes sociais que atuam nas escolas podem ser remunerados com os 30% do Fundeb destinados a outras despesas que não o financiamento da educação básica ou o pagamento de professores.

Luiz Miguel Garcia também apresentou um estudo da Undime sobre o número de escolas municipais do país que já contam com psicólogos ou assistentes sociais. As escolas municipais são as principais responsáveis pelo ensino fundamental no país, enquanto compete aos estados oferecer o nível médio.

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Segundo o representante da Undime, entre as escolas que responderam ao levantamento, 72% já haviam contratado psicólogos ou assistentes sociais para atuar na rede de ensino. Outros 20% ainda não contavam com esses profissionais, mas a contratação já estava prevista no plano de educação municipal. A pesquisa consultou 2.469 prefeituras, 44% do total do país.

Na opinião de Luiz Miguel Garcia, esses números mostram que as escolas já estão bastante conscientes sobre a lei que obriga o sistema de ensino a ter psicólogos e assistentes sociais e o processo de contratação dos profissionais já está bastante avançado.

Previsão no novo PNE
O objetivo do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), que sugeriu a realização da audiência pública, era prever no novo Plano Nacional de Educação que, ao final da vigência da lei, em 2035, todas as escolas deveriam ter uma equipe com psicólogo e assistente social. No entanto, diante da pesquisa da Undime, disse que irá reformular a proposta.

“Nós temos dificuldade, dada a diversidade de tamanho das escolas e da diversidade de um país continental como o nosso. Talvez a estratégia no PNE seja muito mais determinar que os municípios e os estados estabeleçam suas metas quantitativas do que a gente tentar uma meta quantitativa nacional”, ponderou. De acordo com ele, cada município e cada estado, na elaboração dos seus planos específicos para as suas redes, poderiam então estabelecer metas que visem à universalização do atendimento ou do cumprimento da lei.

Os participantes da audiência pública, realizada na Comissão de Educação, também defenderam ser fundamental definir de forma clara as atribuições de psicólogos e assistentes sociais nos sistemas de ensino. Todos afirmaram que a tarefa dessa equipe deve ser integrada ao projeto pedagógico da escola e do sistema de ensino, de forma a atender às necessidades dos profissionais da educação e dos alunos no que se refere ao processo de aprendizagem.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Audiência Pública – Implementação de serviços de psicologia e serviço social nas redes públicas de educação básica (Lei nº 13.935/2019) PNE. Representante do - Programa Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolas da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro, Barbara Bittar
Barbara Bittar: “Não é política de saúde na escola, é para favorecer a aprendizagem”

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Estratégias educacionais
A representante do Programa Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares (Proinape) da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Barbara Bittar, reforçou que o objetivo deve ser sempre atender toda a comunidade escolar, sem individualizar os atendimentos.

“Não é uma política de saúde que está dentro da escola, não é uma política de assistência social. A gente trabalha ampliando as estratégias educacionais, em conjunto com a escola, para as questões que perpassam os processos de ensino-aprendizagem. Então, os objetivos são garantir o acesso do estudante à educação básica pública, a permanência, e principalmente, favorecer as condições de aprendizagem e o aproveitamento escolar”, explicou.

Barbara Bittar acrescentou que, mesmo quando há necessidade de atendimento individual, a lógica é considerar as condições de aprendizagem para manter o estudante na escola. Caso a equipe perceba alguma demanda específica de um aluno ou outro componente da escola, deve acionar outras políticas públicas, como saúde ou assistência social.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Projeto insere o nome do sociólogo Betinho no ‘Livro dos Heróis da Pátria’

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O nome do sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho, poderá fazer parte do Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) apresentou, no último dia 11 de maio, projeto nesse sentido (PL 2.288/2026). A matéria ainda aguarda sua distribuição às comissões pertinentes.

Segundo a senadora, Betinho ocupa lugar singular na história política e social brasileira. Teresa afirma que a inscrição do nome Betinho no Livro dos Heróis representa o reconhecimento de uma vida dedicada à construção democrática do país.

Trajetória

Betinho nasceu em Bocaiúva (MG), em 1935, e morreu no Rio de Janeiro (RJ), em 1997. Ele formou-se em sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou sua militância ainda jovem, na UFMG e em movimentos ligados à Ação Católica. No início dos anos 1960, engajou-se nas lutas pelas reformas de base no período do governo João Goulart.

De acordo com a senadora Teresa Leitão, a biografia de Betinho é marcada pela resistência democrática. Ele se opôs ao golpe de 1964 e à ditadura militar instaurada no Brasil. Com o agravamento da repressão política, foi forçado ao exílio em 1971, vivendo no Chile, no Canadá e no México.

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Anistia e combate à fome

Seu retorno ao Brasil, no contexto da anistia, tornou-se símbolo da luta pela redemocratização do Brasil. Ele foi homenageado como “o irmão do Henfil” na canção O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina.

Hemofílico, Betinho foi contaminado com o vírus da Aids e viveu seus últimos anos com a doença. Ele foi articulador de campanhas pela reforma agrária e coordenou a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, fundada em 1993. Sob a liderança de Betinho, a iniciativa mobilizou o país em torno de uma ideia simples e poderosa: a fome não poderia esperar.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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