POLÍTICA NACIONAL

Novo PNE: monitoramento e sistema de governança são avanços, aponta debate

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O projeto do novo Plano Nacional de Educação (PNE) traz avanços ao melhorar o monitoramento para o cumprimento das metas e apresentar um sistema de governança entre os entes federativos que possa promover a intersetorialidade e o equilíbrio de responsabilidades de União, estados e municípios. Assim avaliaram os especialistas e senadores que participaram, nesta terça-feira (25), de audiência pública da Comissão de Educação (CE) sobre o tema. 

O colegiado fará um ciclo de dez debates sobre o novo PNE, atendendo ao requerimento apresentado pela presidente da CE, senadora Teresa Leitão (PT-PE). O assunto vem sendo discutido no Senado desde 2023. 

O projeto (PL 2.614/2024), de autoria do Poder Executivo, está em tramitação na Câmara dos Deputados e depois será analisado no Senado. O plano contém 18 objetivos, 58 metas (que permitem o monitoramento dos objetivos) e 253 estratégias (orientações para atingir os objetivos e as metas) para a educação brasileira nos próximos dez anos. O texto final traz contribuições do grupo de trabalho do Ministério da Educação, de representantes do Congresso Nacional e de conselhos de Educação. Também incorpora sugestões feitas durante a Conferência Nacional de Educação, que aconteceu em janeiro de 2024. 

Ao ressaltar que os planos de educação são as principais políticas de educação a longo prazo no Brasil, o secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (Sase/MEC), Armando Amorim Simões, afirmou que a proposta em tramitação no Congresso, construída através da participação da população e de especialistas no setor, busca corrigir erros passados. 

Entre os principais avanços, Simões citou a forte articulação entre as dimensões de financiamento e de infraestrutura, com metas específicas de ampliação de investimento público por aluno na educação básica, além de metas de equidade e qualidade. Ele também citou a melhoria do sistema de monitoramento, a participação e gestão democrática e o sistema de governança entre os entes federativos, que busca promover a intersetorialidade e o equilíbrio entre as responsabilidades federativas, com abordagem dos problemas da educação no contexto de cada território. 

— A visão sistêmica de planejamento é uma diretriz importante. Superar a visão fragmentada do olhar para a educação, sendo que a educação se relaciona com outros aspectos do desenvolvimento social, econômico, ambiental, e seus desafios muitas vezes exigem uma coordenação de políticas no território pelas prefeituras, pelos governos estaduais, que levem em consideração outras dimensões do desenvolvimento aos quais a educação contribui, mas também das quais a educação recebe contribuições. 

Equidade e investimento

Simões ainda salientou como avanços importantes as metas que focam na qualidade da educação e no combate às desigualdades educacionais. 

Uma novidade do projeto é o Objetivo 8, que trata das modalidades de educação escolar indígena, educação do campo e educação escolar quilombola. Também prevê a produção de materiais didáticos específicos e o desenvolvimento de instrumentos de acompanhamento que considerem as identidades e as especificidades dessas populações.

— Pela primeira vez a gente traz meta de equidade, da capacidade de financiamento, ampliação do financiamento público na educação básica por aluno e manutenção da vinculação do PIB no investimento em educação. 

A Meta 18.a prevê a ampliação do investimento público em educação para 7% do PIB até o sexto ano de vigência do novo PNE. Para o final da vigência desse plano (ou seja, após 10 anos), a meta prevê ampliação para 10% do PIB. Esse percentual já era previsto no plano atual, mas não foi cumprido.

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Simões ainda informou que o ministério fará, a partir de abril, encontros regionais em todas as regiões do país, coordenando uma cooperação entre os entes para formação de técnicos com o objetivo de capacitar e munir todos os estados e municípios na elaboração dos seus planos decenais. De acordo com o projeto de lei em tramitação, estados e municípios terão o período de 12 meses após a sanção da futura lei para elaboração dos seus planos. 

Teresa Leitão lembrou que muitos objetivos e metas do atual PNE foram deixados de lado, muitas vezes, por divergências entre as exigências, falta de suporte técnico e financeiro e a realidade das regiões. Para ela, a missão do Congresso é conseguir aprovar um novo plano que seja efetivo, levando em consideração três estratégias principais, que o tornem um verdadeiro instrumento de gestão e mobilização da sociedade para impulsionar e garantir mais direitos sociais. 

— Três estratégias são efetivas para a implementação do PNE e dos planos a ele articulados, os planos estaduais e municipais. O exercício da pactuação federativa, fazendo com que o plano mobilize, de fato, todos os entes federados no cumprimento das metas. Segundo, a existência de metas claras, indicadores e, sobretudo, sistemas de monitoramento e avaliação para o trabalho do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira  [Inep] é muitíssimo importante. E o terceiro, o serviço de engajamento e participação da sociedade em todos os processos, tendo em conta, especialmente, o Fórum Nacional de Educação e os fóruns estaduais. 

Monitoramento

A proposta do novo plano mantém o Inep como responsável pelo monitoramento do PNE. A cada dois anos, esse órgão deve publicar o índice de alcance das metas, como já ocorre hoje, por meio de indicadores. O órgão usa atualmente cerca de 50 indicadores. 

O presidente do órgão, Manuel Palacios, informou que a instituição já vem trabalhando, juntamente com o auxílio dos profissionais de educação e secretarias estaduais e municipais, a adoção de parâmetros para estabelecer o que seria uma criança alfabetizada ao final do segundo ano do ensino fundamental. Os critérios, segundo ele, já estão sendo implantados por meio do Programa Alfabetização da Idade Certa, o que deve ser replicado no novo PNE. 

— Quando o projeto que estabelece o Novo Plano Nacional de Educação define a meta de 80% das crianças alfabetizadas ao final do segundo ano do ensino fundamental, ela mobilizará o parâmetro de qualidade, o padrão estabelecido pelo Inep, com o objetivo de se transformar em um padrão nacional adotado pelas redes de educação básica, em especial dos municípios, que são as instâncias de governo responsáveis pela oferta de educação nos anos iniciais. 

Ele informou que o Inep vai fazer encontros regionais com as secretarias de Educação estaduais e municipais, a partir do dia 16 de abril, para subsidiar a definição dos parâmetros de qualidade da aprendizagem ao final do ensino fundamental, nas quatro áreas do conhecimento. Já as referências para o nível de aprendizagem do ensino médio ainda serão debatidos e definidos a partir da nova Lei 14.945/2024, que estabelece a Política Nacional de Ensino Médio. A lei foi sancionada ano passado e passou a valer em 2025. 

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— Esperamos que até o mês de junho tenhamos uma proposta do Inep para qualificar esse nível de aprendizagem — disse Palacios. 

Damares Alves (Republicanos-DF) enfatizou a importância do Inep para a efetividade do plano e pediu que o órgão esteja presente durante todo o ciclo de debates sobre o tema. 

 Não se tem um bom plano sem uma boa avaliação. Não se tem um bom plano sem um bom índice acompanhando a execução do plano. A gente não vai conseguir dar as respostas que o Brasil precisa tão somente com a comissão, com o texto que vai vir. Sabemos que vamos precisar demais e que vamos contar com o Inep. 

Ajustes

Na avaliação da assessora de Políticas Educacionais da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Vivian Katherine Fuhr Melcop, o projeto do novo PNE tem pontos positivos, mas também traz retrocessos e lacunas que deverão ser tratados pelo Congresso Nacional. 

Devem ser consideradas, conforme defendeu a assessora, as dificuldades que impediram a execução dos objetivos e metas do atual plano, como as instabilidades que aconteceram na implementação, a exemplo da falta de aprovação do projeto de implementação do Sistema Nacional de Educação (SNE). 

Ela ainda considerou como desafio para as gestões municipais e estaduais o fato de a formação dos técnicos para elaboração dos planos decenais começarem a ser discutidos agora, enquanto o projeto do novo PNE não foi aprovado. Ela explicou que os gestores locais não terão acesso aos microdados definitivos que deverão embasar os planos futuros. 

— Os dados nacionais que precisam ser desagregados por municípios não estarão disponíveis, só estarão disponíveis em seis meses [após a sanção da futura lei]. Então como ajustar esse prazo de um ano dado aos municípios para a execução dos seus planos? 

Segundo a representante da Undime, 61% das matrículas no ensino público na educação básica são de responsabilidade da gestão municipal. Ela advertiu que o novo PNE precisa considerar a realidade dos municípios em relação às exigências para elaboração dos seus próprios planos. Conforme dados apresentados pela assessora, quase 2,5 mil municípios brasileiros possuem apenas 10 mil habitantes, o que corresponde a 44% dos municípios brasileiros. 

Ela observou que esse universo de municípios pequenos pode representar um número de equipes técnicas e de profissionais reduzido, o que demandaria metas e estratégias específicas, bem como financiamento adequado. A assessora apontou ainda que algumas metas e estratégias não têm prazos intermediários definidos, o que repercute no processo de monitoramento, avaliação e controle social. 

Cenário atual 

O Plano Nacional de Educação atualmente em vigor foi instituído pela Lei 13.005, de 2014, com validade até 2024. O Poder Executivo deveria ter enviado o projeto do novo PNE ao Congresso Nacional até junho de 2023.

Como isso não aconteceu, a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) apresentou um projeto de lei para prorrogar o plano atual até 2025. O PL 5.665/2023 foi aprovado pelo Congresso Nacional e se transformou na Lei 14.934, de 2024.

A proposta do novo PNE (o PL 2.614/2024), elaborada pelo Ministério da Educação, foi enviada pelo Executivo ao Parlamento em junho de 2024.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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