POLÍTICA NACIONAL

Novo PNE: universidades defendem autonomia financeira e sistema nacional

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Para que o ensino superior consiga ampliar o acesso a cursos de graduação, reduzir a evasão estudantil e modernizar a educação com qualidade, é preciso aprovar um novo Plano de Educação Nacional (PNE) que garanta financiamento sustentável e a implantação do Sistema Nacional de Educação (SNE). A defesa foi feita por representantes das universidades públicas, privadas e comunitárias durante audiência pública promovida pela Comissão de Educação (CE) nesta terça-feira (22). 

Esta foi a terceira de dez audiências públicas que fazem parte do ciclo de debates para discutir o PL 2.614/2024, que institui o novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2024-2034. O projeto ainda está em análise na Câmara, mas o Senado já se prepara para recebê-lo. Os debates foram requeridos pelos senadores Teresa Leitão (PT-PE) e Flávio Arns (PSB-PR). 

O texto, encaminhado pelo Executivo, contém 18 objetivos, 58 metas e 253 estratégias a serem implementadas nos próximos 10 anos. Do total de metas, sete tratam do ensino superior. 

Apesar de destacarem o mérito da proposta, principalmente pelo foco na qualidade do ensino e na regionalização, os debatedores defenderam melhorias na matéria. 

Na visão do reitor da Universidade Federal de São João del-Rei e representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Marcelo Pereira de Andrade, o novo PNE só trará resultado com a adoção de uma política de Estado que garanta um financiamento da educação com autonomia financeira às instituições públicas de ensino superior. Segundo o reitor, em 2014 as universidades federais tinham orçamento anual de cerca de R$ 8 bilhões. Atualmente  esse montante foi reduzido a cerca de R$ 6,5 bilhões. 

— O PNE somente será eficaz para a educação pública (e aqui me refiro especialmente ao ensino superior federal) se houver garantia de financiamento e orçamento sustentável compatível com as suas metas. É um documento que avança, tem grandes contribuições; mas sem orçamento compatível e claro (também para a educação básica), fica muito difícil alcançar essas metas. 

A Meta 18.a prevê a ampliação do investimento público em educação para 7% do PIB até o sexto ano de vigência do novo PNE. Até o final da vigência desse plano (ou seja, após 10 anos), esse percentual deverá ser ampliado para 10% do PIB. Atualmente, o investimento público em educação é de aproximadamente 5% do PIB, longe da meta prevista pelo PNE atualmente em vigor (que já previa percentual de 10% de investimento até 2024).

Metas factíveis 

O presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Juliano Griebeler, defendeu mais clareza nas estratégias a serem seguidas para que as metas sejam de fato atingidas e que elas também sejam mais factíveis. 

Segundo Griebeler, as universidades brasileiras registram atualmente cerca de 10 milhões de matrículas, com índice de 50% de evasão, e os programas de incentivo ao acesso e permanência do aluno, como o ProUni e o Fies, têm tido queda em interessados para as bolsas ou para o financiamento. 

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Ele defendeu a necessidade de se avaliar as razões da queda na procura e as principais demandas atuais dos estudantes, para que os programas sejam atualizados. 

— Não temos conseguido preencher todas as bolsas do ProUni que estão sendo ofertadas. E quando se fala do Fies, a gente vê  ano a ano uma queda na quantidade de alunos que estão de fato usufruindo do benefício. No ano passado chegamos a mais de 100 mil bolsas do Fies ofertadas, e apenas 21 mil bolsas preenchidas. O que mostra o quanto o programa precisa ser reinterpretado e modificado, porque ele não está mais atendendo às necessidades dos alunos, que são os principais interessados nesses programas. 

Presidente da CE e responsável pela condução do debate, a senadora Teresa Leitão disse acreditar que um dos ajustes a serem feitos no projeto original deve ser em relação às metas. Ela enfatizou que quase todas as audiências públicas promovidas pela comissão indicaram a necessidade desse aperfeiçoamento. 

— Ter uma meta e não alcançar é muito frustrante. Então como fazer para alcançar e como torná-la mais factível, fazendo talvez um parcelamento, uma coisa mais processual para a análise e monitoramento das metas? 

Na visão do presidente da Associação Brasileira das Instituições Comunitárias de Educação Superior (Abruc), Claudio Alcides Jacoski, a meta 13 do projeto (que propõe elevar o percentual da população de 18 a 24 anos com acesso à graduação para 40%) deve ser atrelada à qualidade. 

— A regulação precisa avançar com critérios de qualidade mínimos para que a gente possa atingir esse número. 

Ainda na opinião dele, diante da diversidade de instituições de ensino superior no país (que engloba as redes pública e privada e as instituições comunitárias), o novo PNE poderia estabelecer um sistema de avaliação diferenciado para cada uma delas. 

— Seria importante a gente rever alguns processos avaliativos para que a gente pudesse aproximar a regulação do processo de avaliação e fazer entregas muito mais efetivas. 

Ele defendeu que o projeto traga regras para o uso da inteligência artificial no sistema educacional e proponha reduzir a distância entre o ensino superior e o setor produtivo, como meio de aproximar o estudante da realidade do mercado de trabalho. 

Pactuação entre os entes 

Para que o novo PNE seja viável para todos os atores envolvidos, Teresa Leitão defendeu que, juntamente com o plano, o Congresso também aprove o projeto que regulamenta o Sistema Nacional de Educação. Ela explicou que a proposta (PLP 235/2019) vai alinhar as políticas, programas e ações entre União, estados e municípios (e também o Distrito Federal) no âmbito de uma articulação colaborativa dos entes da Federação, o que vai possibilitar o cumprimento das estratégias e metas do novo PNE. 

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— Muita coisa fica prejudicada, de difícil alcance, se não tivermos um Sistema Nacional de Educação já em vigor. Então é uma coisa que a gente já vem discutindo. 

Para a presidente da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), Cicília Raquel Maia Leite, é necessário uma pactuação equânime e justa entre os entes e a soma de forças entre todos os Poderes para a definição do eixo de ações e das perspectivas para avançar na educação no país, principalmente na estratégia de interiorização e regionalização do ensino, além da formação dos docentes.

— Acredito que o Plano Nacional de Educação passa prioritariamente por essa discussão [SNE]. Então há uma necessidade de, primeiro, discutir o Sistema Nacional, porque a partir daí a gente tem condição de fazer uma correta pactuação com os entes, especialmente com o público e privado e também municipal, estadual e federal. Porque só aí a gente vai começar a dividir de fato as possibilidades de uma conquista na íntegra de um Plano Nacional de Educação — disse a presidente da associação, que congrega 46 instituições, com mais de 700 mil estudantes matriculados. 

Interiorização 

Para avançar na interiorização e regionalização do ensino superior e melhorar a qualidade do ensino, como estabelece o projeto, é preciso valorizar as universidades estaduais e municipais e os seus profissionais, afirmou a secretária-executiva do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), Salette Marinho de Sá. Ela também ressaltou a necessidade de revisão dos planos de carreira docente, melhoria salarial e incentivo à capacitação continuada.

— Queremos garantir que as nossas instituições de ensino superior, cada vez mais, alavanquem os cursos de graduação e pós-graduação, trazendo novos padrões de qualidade para que nós tenhamos também docentes mais qualificados. 

Na opinião de Amábile Pacios, da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), o novo plano precisa sanar os impactos causados pela pandemia de covid-19, como o aumento da evasão. Também deve incentivar avanços na área de tecnologia e informação, com a integração entre os setores privado e público e o incentivo à colaboração das instituições privadas na formação e capacitação de professores e no aprimoramento das gestões. 

— Nós gostaríamos de ser entendidos como um sistema orgânico do sistema educacional brasileiro. Somos corresponsáveis pela educação dos brasileiros, nossos números são marcantes. Precisamos de cooperação e diálogo. Seria muito importante que pudéssemos participar mais intensamente das discussões e das decisões nacionais no que diz respeito à educação, tanto para o setor público como para a rede privada, e à integração efetiva do sistema educacional com a escola particular, reconhecendo nossa importância na educação dos brasileiros. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão de Educação aprova projeto que prorroga bolsas de pesquisa para pais estudantes

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A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que garante a pesquisadores e estudantes do ensino superior o direito de prorrogar o prazo de suas bolsas de estudo em caso de nascimento de filho. A proposta inclui explicitamente a paternidade biológica entre as situações que permitem o afastamento temporário mantendo o auxílio financeiro.

Pelo texto, bolsas de estudo com duração mínima de 12 meses poderão ter seus prazos estendidos por até 180 dias se houver comprovação de afastamento por nascimento, adoção ou obtenção de guarda judicial.

O projeto altera a Lei 13.536/17, que já permite a prorrogação dos prazos de vigência das bolsas de estudo, mencionando a maternidade, o parto e a adoção, mas não o nascimento de filho. A proposta revoga ainda trechos dessa lei que impedem que dois bolsistas usufruam do benefício simultaneamente pelo mesmo evento de adoção ou guarda.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Professor Alcides (PSDB-GO), para o Projeto de Lei 4311/25, da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

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Professor Alcides afirmou que a proposta incentiva a “participação dos pais no cuidado dos filhos desde o nascimento ou adoção”. “Caso ambos os pais sejam bolsistas, o direito assegurado aos dois favorece a conclusão de estudos e pesquisas da mãe, que ficaria menos sobrecarregada nos cuidados com o filho”, destacou ainda.

Mudança no prazo
O projeto inicial de Tabata propunha um afastamento padrão de 60 dias para os pais, que só seria ampliado para 180 dias em situações específicas, como falecimento da mãe ou adoção monoparental pelo pai. O novo texto passou a prever prazo de até 180 dias para todos os casos, alinhando a norma com legislações recentes sobre o tema.

Outra mudança foi a retirada de dispositivos que tratavam da prorrogação de prazos para a conclusão de cursos e atividades acadêmicas. Professor Alcides explicou que essa necessidade já é suprida pela legislação vigente, que garante um prazo mínimo de 180 dias para estudantes de ambos os sexos concluírem seus cursos em virtude de nascimento ou adoção.

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Por isso, o novo texto altera especificamente as regras de vigência das bolsas de estudo concedidas por agências de fomento.

Próximos passos
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda passará pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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