POLÍTICA NACIONAL

Solução de casos de desaparecimento de crianças requer integração, aponta debate

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Debatedores defenderam a articulação entre órgãos públicos e a criação de instrumentos nacionais de prevenção, investigação e localização de crianças desaparecidas no Brasil em audiência realizada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta segunda-feira (2). O debate foi requerido (REQ 16/2026 – CDH) pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e teve como referência casos recentes de desaparecimento registrados na Ilha do Marajó (PA), no Rio de Janeiro e no Maranhão.

Damares apresentou dados que indicam que em 2024 o país registrou 81 mil casos de desaparecimento, o que representa um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior. Para a senadora, no entanto, o número é ainda maior, tendo em vista problemas como a subnotificação e a não unificação de dados. Para a senadora, o tema representa uma violação grave de direitos humanos e exige respostas institucionais rápidas e coordenadas.

— O desaparecimento de crianças e adolescentes constitui fenômeno complexo e multidimensional que envolve fatores sociais, familiares, institucionais e criminais, demandando atuação integrada entre políticas de segurança pública, justiça, assistência social e proteção à infância — declarou. 

Integração e políticas públicas

O defensor público do Distrito Federal Tiago Kalkmann reforçou que a realidade dos desaparecimentos deve ser tratada por meio de políticas públicas de maneira global. Ele argumenta que, apesar dos avanços, há ainda a inexistência de mecanismos nacionais para prevenção e de resposta rápida nos casos de desaparecimento, bem como dificuldade de operacionalização e padronização dos procedimentos que devem ser seguidos pelos diversos segmentos do setor público.

Para gestor técnico do Ministério Público do Rio de Janeiro André Luiz de Souza Cruz há problemas estruturais na concepção de políticas públicas que tratam do desaparecimento, aplicando-se muitos recursos quando há uma grande quantidade de informações que permitiria tratar a questão com mais racionalidade. Cruz explica que há no Brasil um déficit de procedimento para lidar com o desaparecimento de pessoas.

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— Nós dispersamos energia absurdamente e de uma maneira que as vezes nos parece um pouco desnecessário. Nós conseguimos chegar a essa compreensão, de fato, lidando com os casos, internalizando-os para além dos inquéritos policiais e entendendo o desaparecimento — disse.

Coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Iara Buoro Sennes afirmou que o Ministério da Justiça tem tido avanços muito relevantes na estruturação de uma política nacional para o setor.

— A gente tem o papel de fomentar a política, o papel de fortalecer, dentro das nossas atribuições, entendendo que os órgãos estaduais têm responsabilidade operacional sobre os casos. São eles que de fato investigam. O nosso papel é fortalecer e fomentar diretrizes para que a gente possa ter um sistema de resposta em nível nacional integrado — afirmou.

Além de um caderno temático de referência com as principais diretrizes para a busca e localização de pessoas desaparecidas, Iara expôs outras ferramentas desenvolvidas, como o alerta Amber, um sistema de emergência internacional para a localização rápida de crianças e adolescentes de até 18 anos de idade desaparecidos. Trata-se de uma parceria do Ministério da Justiça com a Meta (dona do WhatsApp, Facebook e Instagram) para a propagação do alerta.

Outro instrumento é o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, que, segundo Iara, fortalece as capacidades e potencialidades de investigação, por meio da integração de dados e da interoperabilidade com outros sistemas.  O órgão também desenvolveu uma cartilha direcionada aos sistemas e saúde e de assistência social que orienta profissionais das duas áreas sobre como proceder em casos de acolhimento de pessoa com identidade desconhecida.

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Casos de desaparecimento

Marinete Moraes Lopes, avó de Elisa Ladeira, criança desaparecida no Pará, foi uma das participantes da audiência. Damares argumentou que, segundo relatório do Senado, o Distrito Federal encontra 98% dos desaparecidos, enquanto o Pará encontra menos de 10%. Segundo a senadora, a diferença no número de casos de sucesso é resultado, principalmente, da extensão e dos desafios logísticos da região.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, coronel Célio Roberto Araújo, e o delegado-geral operacional da Polícia Civil do Maranhão, Ederson Martins, deram detalhes sobre as operações de busca das três crianças desaparecidas no município do Bacabal (MA). Eles destacaram a importância do apoio interinstitucional na localização de uma das crianças e afirmaram que as operações de busca pelas outras duas vai continuar.

Também participou do debate Marize Araújo, mãe de Edson Davi Silva Almeida — criança de 6 anos desaparecida no Rio de Janeiro. Ela reforçou o sofrimento das famílias e cobrou um posicionamento das autoridades para esclarecer diversos questionamentos relacionados à investigação do desaparecimento do filho.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Inclusão no Mapa Brasileiro de Educação Midiática marca 6 anos do Senado Verifica

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A inclusão do Senado Verifica no Mapa Brasileiro de Educação Midiática marca um novo capítulo na trajetória do serviço oficial de combate à desinformação do Senado. O reconhecimento nacional chega no momento em que o programa completa seis anos de atuação, fortalecendo uma estratégia que vai além da checagem de fatos e investe na formação de cidadãos mais preparados para lidar com a circulação de informações no ambiente digital.

O Mapa Brasileiro de Educação Midiática é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o governo do Reino Unido e a agência de jornalismo e educação Porvir. O levantamento reúne 523 projetos desenvolvidos por universidades, escolas, organizações da sociedade civil, governos e veículos de comunicação e busca fortalecer a educação midiática no Brasil.

A diretora da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Glauciene Lara, ressalta o reconhecimento do trabalho.

— Ao longo desses seis anos, percebemos que verificar fatos, embora essencial, não é suficiente. Também é preciso fortalecer a educação midiática para que os cidadãos desenvolvam autonomia, senso crítico e consigam identificar conteúdos falsos antes de compartilhá-los. Esse reconhecimento reforça que estamos no caminho certo ao combinar informação oficial, checagem de fatos e ações educativas em favor da democracia — afirma.

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A jornalista responsável pelo Senado Verifica, Sara Reis, afirma que o trabalho se torna ainda mais necessário diante do atual ambiente digital.

— Dados do Digital News Report 2026 [Relatório de Notícias Digitais 2026], elaborado pelo Reuters Institute, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostram que 53% dos brasileiros usam as redes sociais e plataformas de vídeo como principal fonte de informação. Ao mesmo tempo, quase metade da população (47%) afirma evitar notícias. Esses números evidenciam a importância de sensibilizar a população para o consumo consciente de informações — destaca.

Da checagem de fatos à educação midiática

O Senado Verifica foi criado em 7 de julho de 2020 para responder dúvidas da população e verificar conteúdos falsos ou enganosos relacionados ao Senado Federal e ao processo legislativo. A partir do lançamento do novo portal em setembro de 2025, a atuação do serviço passou a priorizar também ações de educação midiática.

Além de responder às demandas encaminhadas pelo WhatsApp, a equipe tem produzido materiais explicativos sobre temas fundamentais para a compreensão do ambiente digital, como algoritmos, bolhas informacionais, clickbait, rage bait, checagem de fatos e consumo responsável de informações.

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Entre os temas abordados estão projetos de lei alvo de desinformação, como o debate sobre o fim da escala 6×1 e a reforma do Código Civil, além de conteúdos sobre desinformação relacionada à Justiça Eleitoral, os impactos do uso da inteligência artificial nas eleições de 2026 e o papel das instituições públicas no enfrentamento da desinformação.

A inclusão no mapa amplia o reconhecimento nacional do Senado Verifica e permite que a iniciativa passe a integrar um conjunto de experiências voltadas ao fortalecimento da educação midiática no país, ao lado de projetos desenvolvidos por instituições de ensino, organizações da sociedade civil, órgãos públicos e veículos de comunicação.

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Conheça as principais ações de educação midiática

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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