Tribunal de Justiça de MT

Desembargadora Maria Erotides alerta para efeito cíclico da violência infantojuvenil

Publicado em

Desembargadora Maria Erotides discursa ao microfone em frente ao painel do projeto “Seja Raio de Luz”. Ilustrações infantis reforçam o tema de proteção. Cena destaca momento de conscientização pública sobre violência sexual.“A violência é cíclica e geracional”. Esse foi o alerta feito pela desembargadora Maria Erotides Kneip durante o lançamento do projeto “Seja Raio de Luz na Vida de uma Criança e de um Adolescente”. A ação é coordenada pela Polícia Judiciária Civil (PJC) e foi apresentada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, nesta terça-feira (07), como uma ferramenta de prevenção e combate à violência sexual infantojuvenil.
“Sabemos das consequências individuais da violência contra a menina, que é, inclusive, uma das principais causas de suicídio de jovens. E também sabemos que a violência na infância acaba se transfigurando em agressividade na fase adulta. A violência é cíclica e geracional. É a criança violentada que, muitas vezes, passa a ser o agressor no futuro. Esse projeto é muito bem pensado, pois busca esse mundo melhor no qual acreditamos”, disse Maria Erotides.
Responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), a desembargadora ressaltou que a participação na solenidade reforça o compromisso do Judiciário de Mato Grosso com a proteção de crianças e adolescentes. “A integridade sexual de meninas e meninos também é um motivo de extrema preocupação para nós. Então, o Estado e a Polícia Civil estão de parabéns”, completou.
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, enfatizou que o projeto vai atuar preventivamente. “Esse tipo de crime precisa ser combatido. É um crime silencioso que, muitas vezes, acontece dentro dos lares. Por isso, é uma situação que precisa de uma ação preventiva, educativa, para que, no menor indício da sua ocorrência, possa ser denunciado, antes que aconteçam consequências maiores que deixem os traumas e sequelas”, afirmou.
O projeto promoverá ações de conscientização para crianças, adolescentes, pais, cuidadores, profissionais da rede de proteção e comunidade em geral. De acordo com dados da PJC, em 2024, Mato Grosso registrou o maior número de estupros e estupros de vulneráveis da história, com 87.545 vítimas. Desse total, 67.204 correspondiam a crianças e adolescentes, sendo que 56 mil eram meninas.
Segundo a delegada Mariell Antonini, responsável pela Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, o projeto conta com uma metodologia desenvolvida pela própria PJC, com dinâmicas que promovem o entendimento sobre as partes do corpo, cuidados com toques. Entre as atividades destacadas está o semáforo do corpo que, de forma lúdica, mostra para a criança onde ela pode ou não ser tocada.
“Desenvolvemos uma metodologia específica de trabalho para tratar com as nossas crianças, sem avançar para um conhecimento para o qual elas não estão preparadas. Elas aprendem de que forma podem ser tocadas, os cuidados necessários, quem são as pessoas de confiança que devem acionar em caso de um crime, quais os segredos que podem ser mantidos e quais devem ser revelados”, explicou a delegada.
O projeto conta com o apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A solenidade de lançamento contou com a presença da chefe de gabinete da Unidade de Atenção à Família (Unaf), Maria Fernanda Ferri – representando a primeira-dama Virginia Mendes, do secretário de Segurança Pública, coronel César Roveri, da delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel, do procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, entre outras autoridades.

Autor: Bruno Vicente

Leia Também:  Justiça mantém condenação e buffet terá de devolver R$ 9,5 mil por serviços de casamento

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Plano deve pagar congelamento de óvulos para evitar infertilidade

Published

on

A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Plano de saúde deverá custear congelamento de óvulos para evitar infertilidade causada por tratamento médico, mas não pagará despesas futuras.

  • A decisão diferenciou prevenção de infertilidade de reprodução assistida.

Uma operadora de plano de saúde deverá custear parte do procedimento de congelamento de óvulos de uma paciente diagnosticada com endometriose profunda, diante do risco de infertilidade decorrente de tratamento cirúrgico. A decisão, porém, limitou a cobertura apenas às etapas iniciais do procedimento, excluindo despesas futuras.

O caso foi analisado pela Quarta Câmara de Direito Privado, sob relatoria do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho. A paciente relatou que precisava passar por cirurgia para tratar a doença e que, por orientação médica, deveria realizar a criopreservação de óvulos como forma de preservar a fertilidade.

A operadora negou o custeio sob o argumento de que o procedimento estaria relacionado à reprodução assistida, o que não é de cobertura obrigatória. No entanto, ao julgar o recurso, o relator destacou que a situação não se confunde com fertilização in vitro, mas sim com uma medida preventiva para evitar um dano decorrente do próprio tratamento de saúde.

Segundo o entendimento adotado, quando o plano cobre a doença, também deve arcar com medidas necessárias para evitar efeitos colaterais previsíveis, como a infertilidade. O magistrado ressaltou que a criopreservação, nesse contexto, tem caráter preventivo e está ligada diretamente ao tratamento médico indicado.

Por outro lado, a decisão estabeleceu limites para essa obrigação. Ficou definido que a operadora deve custear apenas as fases iniciais do procedimento, como a estimulação ovariana, a coleta e o congelamento dos óvulos.

Já os custos posteriores, como taxas de armazenamento do material genético e eventual utilização futura em fertilização assistida, não deverão ser arcados pelo plano, por se tratarem de medidas relacionadas ao planejamento familiar.

Processo nº 1004443-86.2026.8.11.0000

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Móveis e equipamentos do fórum ganham nova vida na biblioteca municipal de Porto Alegre do Norte
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA