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Juiz Tiago Gagliano fala sobre o cérebro e a tomada de decisões no podcast Explicando Direito

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O juiz Tiago Gagliano Pinto Alberto, do Tribunal de Justiça do Paraná, é o mais novo entrevistado do podcast Explicando Direito, produzido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) em parceria com a Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça. Neste episódio, o magistrado conversa com a jornalista Elaine Coimbra sobre o funcionamento do cérebro e a tomada de decisões, assim como sobre o papel das emoções no Direito.

Segundo Gagliano, o processo de tomada de decisão é único no nosso cérebro. “Funciona da mesma maneira, seja quando um juiz vai condenar alguém a muitos e muitos anos de prisão, seja quando uma pessoa vai escolher com qual sapato deseja sair de casa. O que muda são apenas as especificidades. Então, obviamente, o juiz não vai virar para um acusado e dizer: ‘use o sapato tal’. Não, ele vai condená-lo, assim como não olhará para o sapato e dirá: ‘eu te condeno’. O que muda são apenas as especificidades, mas o processo em si de tomada de decisão é o mesmo, o que nos dá algumas pistas indicativas interessantes.”

Conforme o entrevistado, diferentemente do que se imagina, o nosso cérebro não é programado para encontrar a verdade nas coisas. “Ao contrário, se ele tiver que escolher entre verdade e sobrevivência, escolherá, sem sombra de dúvida, a sobrevivência. Então, muitas vezes isso se traduz em falsos positivos ou falsos negativos. Ou seja, você acaba acreditando ou deixando de acreditar em alguém ou em alguma coisa porque o que o seu cérebro está tentando fazer é proteger você, para que possa permanecer vivo. Isso ocorre num nível de inconsciência tremendo, em que você sequer tem percepção do movimento cerebral que está acontecendo. E isso se traduz também no âmbito judicial”, observou.

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Dentre outros assuntos abordados na entrevista, o magistrado ressaltou a importância da terapia para uma melhor tomada de decisões. “O terapeuta mostra aspectos que não vimos, então ele corrige uma coisa chamada assimetria informacional. Ele nos dá mais dados, mais variáveis, mais informações que estavam nubladas para nós. E aí, se você está disposto a conhecer esses dados, essas informações e considerá-las, o seu processo decisório se torna mais rico. Então, o seu terapeuta tem razão, e esse pode ser um bom caminho para todos nós.”

“A mensagem final e, obviamente, o que pode ajudar a corrigir toda a rota do sistema é o processo educacional. Precisamos educar mais as pessoas, os técnicos, os profissionais que atuam na área decisória, na área de tomada de decisão, para que possam visualizar as variáveis que devem ser consideradas e perceber os possíveis equívocos que não perceberiam — as ‘casquinhas de banana’ que os levariam a escorregar — para que isso não ocorra. Em síntese, é uma questão educacional”, complementou.

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Neste link, você ouve o programa na página da Rádio TJ.

Clique aqui para ouvir a entrevista na página do TJMT no Spotify.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.


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Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Quando o Estado entra só para reprimir, atua nas consequências”, afirma juíza sobre infância

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“Quando o Estado entra apenas para reprimir, já estamos trabalhando com as consequências.” A afirmação da juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, Anna Paula Gomes de Freitas, feita durante o 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais de Crianças e Adolescentes na Perspectiva Nacional e Internacional e o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, realizados nos dias 18 e 19 de maio, em Cuiabá, aponta para a necessidade das instituições públicas atuarem mais preventivamente para melhor proteger os direitos fundamentais desses segmentos da população, hoje expostos às mais diversas formas de violência.

Coordenadora do evento, a magistrada defendeu o fortalecimento das ações preventivas e da rede de proteção diante do avanço de problemas que atingem diretamente crianças e adolescentes, como violência digital, vulnerabilidade social e recrutamento por facções criminosas.

A juíza ponderou que a programação foi construída a partir das situações que mais têm impactado a vida de crianças e adolescentes na atualidade.

“Nós selecionamos esses temas pensando no que vem atingindo mais a vida das crianças e adolescentes atualmente. Nós temos fases, ora são as facções criminosas, ora o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. Estamos vivendo um tempo em que as crianças estão sendo altamente prejudicadas pelo uso indiscriminado da internet”, afirmou.

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Anna Paula Gomes de Freitas alertou para os efeitos emocionais provocados pela exposição excessiva às redes sociais e pelo ambiente virtual sem acompanhamento adequado.

“O uso excessivo das redes por parte das crianças e adolescentes vem deixando-os ansiosos, talvez até tendentes ao suicídio. Nós estamos preocupados com esses temas e, com base nisso, fizemos a seleção daquilo que deve ser tratado aqui e do que vem apresentando os maiores problemas atualmente na proteção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, destacou.

Realizado em 18 de maio, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o encontro também trouxe para o centro das discussões a necessidade de fortalecer a atuação preventiva do Estado e da rede de proteção.

“Essa é a principal preocupação da rede de proteção: estar fortalecida. Falta o Estado estar mais presente, dar mais respostas, não só no sentido de punição, mas principalmente no sentido de apoio”, ressaltou a juíza.

De acordo com a coordenadora do evento, muitas famílias em situação de vulnerabilidade precisam de suporte para evitar que crianças e adolescentes sejam expostos a riscos e à criminalidade.

“A maioria dessas famílias é vulnerável. Elas precisam de uma estrutura, de apoio do Estado, para tirar os filhos de situações em que eles se colocam à mercê do risco”, pontuou.

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Ao defender políticas públicas mais efetivas e integradas, Anna Paula Gomes de Freitas reforçou que o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes deve priorizar a prevenção.

“Nós precisamos adiantar um passo nesse sentido para atuar mais preventivamente. Precisamos estar mais presentes, não só na educação, mas também na preparação dessas crianças, adolescentes e famílias, para que eles não cheguem a entrar em situação de risco”, concluiu.

Além do Poder Judiciário de Mato Grosso, do Ministério Público Estadual e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), participam da organização dos encontros a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis), Escola dos Servidores, Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf). O evento conta ainda com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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