Tribunal de Justiça de MT

Nova desembargadora toma posse no TJMT com discurso em defesa da democracia

Publicado em

Mulher discursa ao microfone em púlpito, vestindo traje de magistrado e medalha tricolor. Ao fundo, bandeiras do Brasil e de Mato Grosso, além de brasão do TJMT.“A independência judicial não se proclama, exerce-se.” Com essa afirmação, pronunciada com ênfase no encerramento de seu discurso, tomou posse nesta sexta-feira (13) a nova desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, Gabriela Knaul Albuquerque. Com 27 anos de magistratura, ela se torna a 13ª mulher a ocupar uma cadeira no Segundo Grau do Judiciário mato-grossense, em um discurso marcado por uma fala firme, sensível e com forte defesa do Estado de Direito.
Eleita por merecimento, em vaga destinada à lista exclusiva de gênero, a magistrada destacou que sua chegada ao Tribunal vai além de uma conquista pessoal. “Não vejo neste momento apenas uma conquista individual, mas a afirmação de que mérito e equidade devem caminhar juntos. A presença de mulheres nos espaços de decisão não é concessão, é expressão do compromisso constitucional com a igualdade material e com a representatividade democrática”, afirmou, em um dos trechos de seu discurso.
Ao relembrar uma conversa com a mãe, ainda no início da carreira, a desembargadora emocionou-se ao contar que foi orientada a nunca se calar diante da injustiça. “Aprendi que julgar não é apenas técnica, embora a técnica seja indispensável. É também dever ético diante da dignidade humana”, declarou. Para ela, a magistratura precisa estar atenta ao sofrimento humano, às desigualdades e às pressões institucionais. “A Justiça não pode ser indiferente ao sofrimento humano, nem hesitante diante da desigualdade, nem complacente com o arbítrio”.

Defesa da democracia e dos direitosMulher sorri sentada à bancada usando traje de magistrado e medalha nas cores verde, branco e azul no pescoço. Ao lado, microfone sobre a mesa. Ambiente de tribunal com parede cinza ao fundo.
No discurso, Gabriela Knaul Albuquerque ressaltou que a independência judicial não é um privilégio corporativo. “A independência judicial não é prerrogativa corporativa, mas garantia da sociedade”, afirmou, ao defender que somente instituições fortes, transparentes e protegidas contra interferências indevidas conseguem preservar direitos fundamentais e a própria democracia.
A nova desembargadora alertou, ainda, para os riscos da erosão institucional silenciosa. “A erosão institucional raramente ocorre por rupturas abruptas. Ela se instala por pequenos deslocamentos tolerados, por interferências naturalizadas, por silêncios convenientes”, pontuou, ao destacar que o papel do Judiciário é manter coerência, transparência e compromisso permanente com os direitos humanos.
Violência contra a mulher
Ao falar dos desafios atuais do Judiciário, a magistrada citou a escalada da violência contra a mulher e a necessidade de respostas institucionais firmes, dentro dos limites constitucionais. “A violência contra a mulher revela-se alarmante, produzindo vítimas e órfãos em ritmo inquietante”, afirmou, ao defender que o enfrentamento da criminalidade e da insegurança pública deve caminhar lado a lado com a proteção das garantias fundamentais.
Em entrevista, a magistrada reforçou que a chegada ao Segundo Grau amplia a responsabilidade dos julgadores. Segundo ela, no Tribunal as decisões passam a ter efeitos ainda mais sensíveis, uma vez que o reexame dos fatos e das provas se encerra, em regra, na instância colegiada. “A responsabilidade se amplia porque revemos decisões judiciais e porque, a partir daqui os recursos são mais restritos”, explicou.
Mulher de traje de magistrado e medalha tricolor concede entrevista cercada por microfones de emissoras de TV. Ao fundo, pessoas e ambiente de tribunal. Experiência internacional e atuação estratégica
Com trajetória marcada por passagens por diversas comarcas de Mato Grosso, a desembargadora também destacou sua experiência nacional e internacional. Entre 2009 e 2015, atuou como Relatora Especial da Organização das Nações Unidas para a Independência de Juízes e Advogados, período em que acompanhou realidades de consolidação democrática e de grave erosão institucional.
Para ela, a vivência fora do país reforçou a compreensão de que a impunidade se constrói não apenas pela ausência de punição, mas também por investigações frágeis, interferências políticas e falta de transparência. “Quando a autonomia judicial é comprometida, instala-se um processo gradual de descrédito que fragiliza a confiança pública e compromete o equilíbrio institucional”, afirmou.
Já em âmbito interno, Gabriela Knaul Albuquerque lembrou a experiência recente à frente da Central de Precatórios, destacando o impacto social e econômico do trabalho desenvolvido. Segundo a magistrada, somente em 2025 foram pagos mais de R$ 1 bilhão em créditos a credores do poder público, o que representa, na prática, a efetivação do direito reconhecido judicialmente. “Receber o valor devido é onde realmente se finaliza a entrega daquilo que a parte pretende do seu direito”, explicou.
Compromisso institucionalMulher e homem idoso em trajes de magistrados posam lado a lado segurando certificado. Ele usa medalha com cordão verde, branco e azul no pescoço. Ao fundo, parede de madeira com crucifixo dourado.
Ao encerrar sua fala, a nova desembargadora reafirmou seu compromisso com a Corte e com a sociedade mato-grossense. “Cada decisão proferida nesta Corte não pertence apenas ao processo que a originou, mas à história institucional que estamos construindo”, afirmou.
E concluiu, em tom de manifesto institucional: “A independência judicial não se proclama, exerce-se. No rigor das decisões. Na fidelidade à Constituição. E na coragem de proteger direitos. Porque a magistratura não é um lugar que se ocupa; é uma responsabilidade que se honra, todos os dias”, finalizou.

Autor: Roberta Penha

Leia Também:  Presidente do TJMT recebe honrarias da Polícia Militar de Mato Grosso

Fotografo: Alair Ribeiro e Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Tribunal de Justiça de MT

Mais de 200 pessoas já garantiram vaga na 2ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis

Published

on

Grupo de corredores com camisas azuis se alonga na linha de largada de uma corrida de rua. Dois instrutores de costas, em cima de um tapete vermelho, orientam os exercícios de aquecimento.Apenas um mês após o lançamento, a 2ª Corrida da Justiça e Cidadania de Rondonópolis já ultrapassou a marca dos 200 inscritos para a prova que acontecerá no dia 16 de agosto. Com 800 vagas disponibilizadas, o evento esportivo segue com inscrições abertas, que podem ser feitas totalmente on-line pelo site www.acronoesportes.com.br.
A corrida é promovida pelo Fórum da Comarca de Rondonópolis e tem como principal objetivo arrecadar recursos financeiros para doação à Escola Louis Braille. A instituição atua no município há mais de quatro décadas, promovendo a reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência visual. Atualmente, são atendidos cerca de 230 alunos de todas as idades.
Para esta edição, o evento esportivo contará com as modalidades de corrida de 7 km, de caráter competitivo, e caminhada de 3 km, com finalidade exclusivamente participativa, sem classificação por tempo ou premiação por colocação. A largada está prevista para as 6h30 (horário de MT), em frente ao Fórum Desembargador William Drosghic.
Os valores das inscrições são de R$ 69,00 para servidores do Fórum da Comarca de Rondonópolis e integrantes da segurança pública, e de R$ 129,00 para o público geral. Ambos são acrescidos de taxa de serviço da plataforma.
Corrida kids
Ilustração colorida de crianças correndo em uma pista de atletismo em frente ao Fórum de Rondonópolis. Cartaz anuncia a Além dos adultos, as crianças também poderão participar do evento esportivo e solidário realizado em Rondonópolis. Neste ano, a equipe organizadora preparou uma data exclusiva para a 1ª Corrida Kids da Justiça e Cidadania, que acontecerá no dia 15 de agosto. A largada também será realizada em frente ao Fórum Desembargador William Drosghic.
Para a Corrida Kids foram disponibilizadas 150 vagas para o público geral, pelo valor de R$ 65,00, acrescidos da taxa de serviço da plataforma. As inscrições também podem ser feitas pelo site da Acrono Esportes. Assim como a 2ª Corrida da Justiça e Cidadania, o intuito é arrecadar recursos financeiros para a Escola Louis Braille.
Além das inscrições pagas, a Corrida Kids reservou 150 vagas gratuitas que serão preenchidas por crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A ação faz parte de uma parceria feita pelo Fórum de Rondonópolis com as secretarias municipais de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e de Promoção e Assistência Social.
No total, serão cinco modalidades, separadas pelas seguintes faixas etárias: 2 a 3 anos (40 metros); 4 a 5 anos (60 metros); 6 a 7 anos (150 metros); 8 a 10 anos (300 metros); 11 a 12 anos (400 metros).
A Corrida Kids terá caráter participativo, educativo e recreativo, não havendo classificação oficial por tempo, premiação em dinheiro, troféus ou distinção por colocação. Dessa forma, todos que concluírem o percurso receberão medalha de participação, entregue pela organização ao final da respectiva bateria.

Autor: Bruno Vicente

Leia Também:  Judiciário e Ampara lançam Mês Nacional da Adoção com foco em celeridade e proteção à infância

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA