POLÍTICA NACIONAL

Especialistas pedem melhorias em projeto de vínculo trabalhista para árbitros

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Em audiência pública nesta quarta-feira (16), especialistas defenderam a profissionalização da arbitragem e o aprimoramento do projeto de lei que estabelece vínculo empregatício entre árbitros e auxiliares e as entidades desportivas às quais estão vinculados (PL 864/2019).

O debate foi realizado na Comissão de Esporte (CEsp) com a participação do grupo de trabalho que analisa a proposição, de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

O grupo de trabalho foi criado a pedido do senador Romário (PL-RJ), que preside a CEsp e é o relator do projeto. A próxima reunião da comissão está prevista para 21 de novembro. Em 3 de dezembro, deverá ser apresentado o relatório geral preliminar da proposição.

“Profunda profissionalização”

Ao abrir o debate, o coordenador do grupo de trabalho, Vicente Costa Pithon Barreto, destacou que a intenção do autor e do relator do projeto é “promover verdadeira e profunda profissionalização na arbitragem brasileira”.

O presidente da Associação de Árbitros de Futebol do Brasil (Abrafut), que conta com 500 filiados, Marcelo Van Gasse, defendeu a pauta da profissionalização, mas questionou “como ela vai ser feita, quem vai pagar por isso, se a federação, a CBF ou o próprio futebol”.

Árbitro de futebol, Anderson Daronco destacou que outros países conquistaram a profissionalização na arbitragem.  Ele afirmou que o árbitro brasileiro é muito bem preparado, de extrema qualidade e excepcionalmente muito bem trabalhado, embora não tenha o reconhecimento necessário, em razão da forma como o futebol é encarado e a figura do árbitro é vista.

Relação de emprego

Para a auditora fiscal do trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego Gabriella Cristina Gonçalves Carneiro, a atividade do árbitro de futebol apresenta todos os requisitos de relação de emprego. Ela disse que chama a atenção o fato de o árbitro não poder negociar a sua remuneração, definida previamente pelas federações e sindicatos. O árbitro tem que se inserir na dinâmica do negócio, fazer arbitragem do jogo em horário predeterminado e pode ser eventualmente punido ou afastado e não ser chamado para próximos, ressaltou.

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Ex-jogador e presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Wilson Luiz Seneme disse que há muitos pontos de interrogação a serem trabalhados no projeto. De acordo com Seneme, existem regulamentação, leis e formatos diversos no mundo que podem alicerçar alguns tópicos do projeto para que seja feito algo tão inovador. Ele destacou ainda que os árbitros devem estar capacitados, preparados e ter todas as condições para que possam estar em campo da mesma maneira e nas mesmas condições que os jogadores profissionais, assim como os técnicos e demais dirigentes profissionais, visto que, na opinião dele, são peças fundamentais em esporte popular.

Árbitro profissional

A profissionalização e a remuneração adequada da arbitragem também foram defendidas pelo árbitro Raphael Claus. Ele destacou que a preparação é fundamental para o árbitro profissional e que, em outros países, como no Chile e na Argentina, já existe um trabalho semiprofissional em que o árbitro tem rendimento mensal e por jogo.

Diretor do Departamento de Arbitragem da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Mairovitch chamou atenção para os árbitros militares, proibidos de acumular outro emprego, e apontou a complexidade do tema. Ele avaliou que o projeto de lei deve chegar a uma solução que seja boa para a arbitragem em geral.

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O assessor legislativo da senadora Leila Barros (PDT-DF) Thalis Murrieta disse que o projeto é justo do ponto de vista trabalhista e que a profissionalização vai melhorar a condição de trabalho da categoria. Ele avaliou que o projeto pode avançar no sentido de contemplar tanto os árbitros de futebol quanto os árbitros em geral.

Diferentes categorias

Já o advogado Rafael Bozzano divergiu nesse ponto. Ele acredita que o mais adequado seria o projeto focar apenas os árbitros de futebol, e que as demais categorias de arbitragem poderiam ser debatidas em um momento posterior, dadas as especificidades previstas nas legislações em vigor.

Assessor jurídico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luiz Felipe Guimarães Santoro defendeu isonomia e direcionamento adequado do projeto, tendo em vista a existência de diferentes categorias de arbitragem. Ele avaliou que os diversos grupos temáticos que analisam a matéria devem aprofundar essa questão e ressaltou que a CBF é completamente a favor da profissionalização da arbitragem.

O apoio foi confirmado pelo gerente técnico de Arbitragem da Comissão de Arbitragem da CBF, Giulliano Bozzano, segundo o qual a profissionalização pode gerar estabilidade e qualidade na atividade do árbitro, embora não vá evitar que decisões subjetivas inerentes ao esporte sejam questionadas. O árbitro presta serviços concomitantes a diversas entidades, e essa particularidade deve ser levada em conta no debate sobre o projeto de lei, afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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