POLÍTICA NACIONAL

CE convidará ministro da Educação e reitor para falar sobre dança erótica na UFMA

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A Comissão de Educação e Cultura (CE) aprovou nesta terça-feira (29) requerimento do senador Dr. Hiran (PP-RN) convidando o ministro da Educação, Camilo Santana, e o reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Fernando Carvalho Silva, para “prestar esclarecimentos” sobre apresentação de Tertuliana Lustosa durante o 1º Encontro de Gênero do Grupo de Pesquisa Epistemologia da Antropologia, Etnologia e Política na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). No evento, de acordo com informações veiculadas pela imprensa, a historiadora faz uma performance erótica. A intenção, diz o senador ao justificar o requerimento (REQ 95/2024 – CE), é ouvir o ministro e o reitor no mesmo dia, mas a data da audiência pública ainda não foi confirmada. 

Além da audiência sobre a dança erótica, a CE aprovou outras outras audiências públicas, também sem data definida. Um deles (REQ 97/2024 – CE), da senadora Augusta Brito (PT-CE) e do senador Paulo Paim (PT-RS), também prevê a presença do ministro da Educação, mas para falar sobre o sobre o Programa Pé de Meia, em reunião conjunta com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Também foram aprovados requerimentos para debates para instruir o PL 403/2019, que cria o Dia Nacional da Consciência Vascular (REQ 94/2024 – CE), e o PL 2.080/2022, que institui o Agosto Cinza como mês de reflexão e promoção de eventos sobre prevenção e combate a incêndios (REQ 98/2024 – CE). Além disso, serão debatidos os impactos do uso de celulares por crianças e adolescentes nas escolas, em consonância com a medida anunciada pelo Ministério da Educação (REQ 99/2024 – CE), e a avaliação dos métodos educacionais aplicados através da “Pedagogia das Virtudes”, que promove disciplina, respeito à hierarquia e cidadania e das Escolas Cívico Militares (REQ 100/2024 – CE).

Dança na UFMA

A apresentação citada por Dr. Hiran em seu requerimento foi realizada pela historiadora, cantora e travesti Tertuliana Lustosa durante uma mesa redonda sobre gênero e sexualidade. A performance de cunho erótico teria incluído a exposição de partes íntimas. O senador alegou que a apresentação gerou ampla repercussão pública e questionamentos sobre a adequação de eventos acadêmicos aos princípios éticos e morais, conforme estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394, de 1996). 

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Ele afirmou que a Constituição determina que a educação deve promover o desenvolvimento integral do indivíduo, preparando-o para a cidadania e o mercado de trabalho, reforçando a “necessidade de que o ensino respeite a liberdade e o pluralismo de ideias, sem comprometer os valores éticos e sociais”. O que, na visão dele, não foi o que a cena representou. 

— Diante da possibilidade de que a apresentação tenha violado normas constitucionais e educacionais, bem como desrespeitado valores sociais e familiares, é crucial o esclarecimento — afirmou, Dr. Hiran. 

Ele ainda informou que enviou ao Ministério Público do Maranhão e ao Ministério Público Federal ofício para apuração de possível ato de improbidade administrativa no uso de recursos públicos para fins que possam estar desalinhados com os objetivos institucionais e legais, a responsabilidade dos gestores da universidade e por ação ou omissão dos mesmos. 

“Repugnância”

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) concordou que o ato gerou repugnância à população e informou que já foi instalado processo investigativo, tanto pelo Ministério Público Federal como do estado do Maranhão, além de sindicância interna, para garantir a responsabilização adequada e preservar a integridade institucional da universidade. Diante disso, ela sugeriu que a audiência seja realizada após essas apurações, que possuem prazo de até 30 dias para desfecho. Ela ainda defendeu a participação conjunta dos convidados, até mesmo para identificar os limites da autonomia acadêmica. 

— Até os dois poderiam vir no mesmo dia. O que concerne ao Ministério da Educação, o que não concerne. Até que ponto a autonomia universitária está considerada, não está considerada. Acho que a gente poderia fazer um debate mais proativo, onde a gente de fato possa ter condições de influir.   

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A indignação sobre o acontecimento também foi manifestada pelos senadores Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Eduardo Girão (Novo-CE) e Zenaide Maia (PSD-RN) que ressaltaram a importância de se ouvir os convidados e responsabilizar os culpados, além de identificar quais providências estão sendo tomadas para que atos similares não voltem a ocorrer. 

— Eu acho que isso tem que ser feito em paralelo com as investigações de forma que a gente converse, saiba, levante os fatos de uma situação como esta para que não deixe esfriar e entrar no sistema normal do esquecimento — disse Astronauta Marcos Pontes.

Desfecho das sindicâncias

O presidente da CE, senador Flávio Arns (PSB-PR), acatou a sugestão de aguardar o desfecho das investigações para só assim marcar a data da audiência. Ele avaliou que respeitando esse prazo, o Senado terá mais informações e condições de cobrar os encaminhamentos, buscando preservar a instituição. 

— A instituição se presa também pelo comportamento das pessoas. Se há um problema, a questão grande que a sociedade espera é: qual foi o posicionamento em relação ao problema? Porque houve um problema. Agora se a instituição não tomar providência alguma, aí é um problema da instituição. E nós não queremos que seja um problema da instituição. Nós queremos que seja abordado e o resultado seja apontado, os encaminhamentos feitos e nós, como Senado Federal, temos todo o direito de saber o que aconteceu e o que foi feito. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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