POLÍTICA NACIONAL

Aprovada em 1º turno PEC que altera regras para pagamento de precatórios

Publicado em

A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/23, do Senado, que altera regras sobe precatórios. A proposta deverá ser votada ainda hoje em segundo turno.

A PEC retira os precatórios federais do limite de despesas primárias do Executivo a partir de 2026; limita o pagamento dessas dívidas por parte de estados e municípios; e refinancia dívidas previdenciárias desses entes com a União.

O relator da proposta, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), afirmou que o texto garante que os municípios tenham condições de investimentos reais no que interessa. “Quem é municipalista sabe que o problema está nos municípios, e a melhor solução também. Ao garantir recursos para as políticas de ponta, tenho certeza de estarmos fazenda justiça”, disse.

De acordo com o substitutivo de Baleia Rossi, aprovado hoje na comissão especial sobre o tema, a PEC ajuda o governo a cumprir a meta fiscal em 2026 e acrescenta, a cada ano, a partir de 2027, 10% do estoque de precatórios dentro das metas fiscais previstas pela LDO em razão do arcabouço fiscal (Lei Complementar 200/23).

O texto também permite novo parcelamento de dívidas de municípios com a Previdência Social e institui novas regras para o pagamento de precatórios por parte de estados, Distrito Federal e municípios.

Para votar o segundo turno ainda hoje, o Plenário deve aprovar requerimento para dispensar o intervalo de sessões exigido entre os dois turnos pelo Regimento Interno.

Mudanças rejeitadas
Nessa primeira votação, o Plenário rejeitou dois destaques apresentados pelos partidos na tentativa de mudar trechos da PEC.

O primeiro destaque rejeitado, do Novo, pretendia aprovar emenda do deputado Gilson Daniel (Pode-ES) que propunha a retomada de dispositivo retirado na votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Trata-se de determinação para que os municípios adotem regras de elegibilidade, de cálculo e de reajustamento de benefícios previdenciários para promover resultado financeiro e atuarial semelhante ao das regras aplicadas ao regime próprio de Previdência Social da União.

Leia Também:  Projeto que facilita compra de armas de fogo é aprovado pela CSP

O segundo destaque rejeitado pretendia retirar a possibilidade de considerar créditos suplementares e especiais do Orçamento de 2025 no cálculo do teto de despesas primárias para 2026.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Proposições remanescentes da Sessão Anterior. Dep. Baleia Rossi (MDB - SP)
Baleia Rossi, relator da proposta

Debate em Plenário
Durante o debate em Plenário, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) defendeu a necessidade de aliviar os caixas dos municípios para que as políticas públicas em áreas como saúde e educação possam se desenvolver.

Ayres afirmou, no entanto, que não se pode dar aos municípios a estabilidade fiscal para viabilizar suas políticas se não houver a responsabilização para quem não cumprir o pagamento dos precatórios. “Não podem os prefeitos ampliar despesa de pessoal, criando cargos comissionados que vão fazer com que se desvie da finalidade da PEC”, disse.

Para o deputado Gabriel Nunes (PSD-BA), muitos municípios ficam inviabilizados em sua gestão por conta dos precatórios a pagar. “Não é justo o prefeito que assume seu mandato ter a sua administração inviabilizada por problemas das gestões anteriores, seja de precatórios, seja de débitos previdenciários.”

O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que as empresas de lixo são as que mais devem receber precatórios de municípios. “Posso assegurar que nenhum servidor está perdendo com essa votação”, declarou.

Críticas
Porém, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que a PEC permitirá à União burlar o arcabouço fiscal. “A União está aproveitando o trem da alegria para ampliar o teto de gastos. Votar sim é votar autorização para o Governo Lula gastar mais, fora do arcabouço fiscal que ele próprio aprovou”, disse.

Para Kataguiri, o estado e o município “caloteiros” sempre ganham anistia e perdão do Congresso. “Com este texto, até governador e prefeito que paga as contas em dia agora vai ter incentivo para dar calote porque vai ter desconto, deságio”, declarou.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) ressaltou que precatório é dívida, não é favor ou algo que pode se inscrever no ditado ‘devo não nego, pago quando puder’. “O que esta PEC traz, com o escopo generoso de se preocupar com a realidade financeira e atuarial dos municípios, é a legitimação do calote”, afirmou.

Leia Também:  Câmara aprova transferência da capital da República para Belém (PA) durante a COP30

Ele disse que a PEC precariza o instituto dos precatórios ao não prever prazo limite para o pagamento.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) avaliou que a PEC prejudica servidores aposentados e, por isso, criticou o argumento de que o texto ajudaria a fortalecer os municípios. “A partir da aprovação desta PEC, os servidores aposentados podem ficar até o final de sua vida sem receber o dinheiro que lhes é direito. As pessoas contribuíram ao longo de toda a vida e vão receber um calote. Como isso é fortalecer município?”, questionou.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) perguntou qual o incentivo para município e governo federal administrarem bem se não há necessidade de pagar a conta. “O prefeito não paga a dívida passada e faz dívida para o futuro. E autoriza o Executivo federal gastar. É um absurdo autorizar esse gasto”, criticou.

Já o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) considerou que os prefeitos e governadores não darão calote. “Pela primeira vez, está sendo colocado na Constituição que é crime de improbidade administrativa o prefeito ou governador deixar de pagar o precatório. O que estamos fazendo é justiça aos municípios.”

Atualização de precatórios
O deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) elogiou a atualização dos precatórios pelo IPCA mais 2% de juros simples, como prevê o texto. “Isso dá outro conforto para os municípios manterem sua condição financeira equacionada, se esse percentual for reduzido”, disse.

Para ele, essa foi a principal inovação da proposta.

Situação dos municípios
O deputado Gilson Daniel (Pode-ES) afirmou que a PEC nasceu de debates da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). “A confederação tem de fazer estudos e mostrar aos parlamentares como os municípios estão endividados, estão no vermelho, e a população cobrando dos prefeitos”, declarou.

Mais informações em instantes

Assista ao vivo

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

Published

on

O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

Leia Também:  Deputado Afonso Motta afirma que adota critérios legais e bem definidos na destinação de suas emendas orçamentárias

— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

Leia Também:  Projeto que facilita compra de armas de fogo é aprovado pela CSP

— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA