POLÍTICA NACIONAL

CGU atuou de modo firme nas investigações, diz ministro

Publicado em

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, afirmou nesta quinta-feira (2) que o órgão sempre promoveu auditorias relacionadas a empréstimos consignados e descontos associativos ilegais. Ele também ressaltou que os advogados da União têm capacidade técnica mais que suficiente para desenhar o acordo de devolução dos descontos irregulares aos aposentados.

Carvalho fez essas declarações durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Ele acrescentou que a CGU e a Polícia Federal atuaram de modo firme para desbaratar quadrilhas que prejudicaram aposentados.

O ministro disse aos senadores que garantiu autonomia para sua equipe nas investigações. E argumentou que a CPMI do INSS “existe em boa parte por causa do trabalho realizado pela própria CGU e a Polícia Federal”.

— Eu garanti autonomia para minha equipe trabalhar. Se ela procurou a Polícia Federal porque identificou indícios de atividade criminosa, era porque ela tinha autonomia para fazer isso. A equipe foi atrás da Polícia Federal, e isso é motivo de muito orgulho para mim. Deixei minha equipe conduzir a investigação e desenvolver a estratégia.

Carvalho garantiu que nunca atuaria na CGU para “proteger A, B ou C”. Também enfatizou que “não tem medo, mas orgulho, da CGU como instituição”.

— Se os aposentados estão recebendo ressarcimento hoje é porque essa auditoria foi feita. Desde 2019 há denúncias do MP [Ministério Público] e isso foi pego em 2024. O Estado brasileiro demorou, mas a CGU fez o trabalho dela.

Ele também destacou que a CGU não tem como obrigar que as recomendações do órgão sejam implementadas, nem tem o poder de suspender os acordos de cooperação técnica relacionados a mensalidades associativas.

Leia Também:  Leila Barros cobra transparência sobre situação do BRB

— A CGU fez seu trabalho na velocidade em que ela podia fazer, com um nível técnico muito adequado. Em menos de um ano a operação foi colocada na rua. O Estado brasileiro demorou, sim. Todas as instituições do Estado brasileiro demoraram. A CGU é uma dessas instituições. O MP [Ministério Público] tem denúncias desde 2019. O Procon tem denúncias desde 2018. Só uma pessoa com completa ausência de bom senso vai achar que isso não é demora. A CGU fez seu trabalho de investigar. Havia um grupo de trabalho interinstitucional que discutiu vários temas, inclusive descontos associativos. Entre 2019 e 2022, o tema foi discutido em 11 reuniões — salientou o ministro.

Questionamentos

Durante o depoimento, vários deputados federais acusaram o governo Lula de promover “blindagem” na CPMI. Esses parlamentares também acusaram o governo de construir “narrativas” em que o governo Bolsonaro é responsabilizado pelas irregularidades e o governo Lula aparece como a gestão que estaria desmantelando as fraudes no INSS.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), foi um dos parlamentares que apontou o processo de “blindagem”. Segundo ele, a base governista vem impedindo a convocação de suspeitos pela CPMI.

Em relação aos descontos irregulares, Marinho — que foi secretário especial da Previdência e ministro do Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro — declarou que não houve “inércia” naquela gestão. Ele também disse que uma das entidades envolvidas nos descontos irregulares, após ser impedida de atuar em 2019, voltou a atuar posteriormente no governo de Luiz Ináci Lula da Silva.

Em resposta ao senador Izalci Lucas (PL-DF), Carvalho considerou “natural” exigir dos aposentados que aderiram ao acordo de devolução dos descontos irregulares abrir mão de processar o governo.

Leia Também:  Debatedores defendem projeto de realocação de empregados da Eletrobras

— Nesse modelo, é natural abrir mão de processo em razão da abertura de acordo. É assim que funciona o acordo — afirmou o ministro.

Carvalho discordou do senador Jorge Seif (PL-SC) de que a CGU “só mostrou serviço” depois das denúncias veiculadas na imprensa. O ministro apontou a interação com outros órgãos investigativos, que, ressaltou ele, resultaram no aprofundamento das investigações e na suspensão de entidades envolvidas nos descontos irregulares.

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) manifestou apoio a Carvalho. Ela o parabenizou pela atuação da CGU e ressaltou que o órgão atuou para “estancar a roubalheira que era conduzida por integrantes do poder público, representações da sociedade civil e da classe empresarial”. Eliziane enfatizou que a CGU teve conhecimento dos descontos irregulares desde 2019, sem que representantes do governo Bolsonaro agissem para combater os crimes.

Já o senador Eduardo Girão (Novo-CE) defendeu a reformulação da CGU. Ele informou que vai apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para dar autonomia e independência ao órgão. Para o senador, é preciso acabar com os vínculos políticos “profundos” que haveria na CGU, de que Carvalho, segundo Girão, é um exemplo.

O senador Sergio Moro (União-PR) apontou omissão de Carvalho por não ter comunicado a ocorrência das investigações aos ministros do governo Lula. O ministro da CGU, no entanto, disse que o próprio Moro não comunicou supostas irregularidades relacionadas ao INSS quando foi ministro da Justiça no governo Bolsonaro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Davi prega ‘serenidade’ no debate político

Published

on

Ao elogiar o pronunciamento do senador Renan Filho (MDB-AL) no Plenário nesta terça-feira (6), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pregou “serenidade” no debate político. Ele criticou os ataques pessoais, que, em seu entender, comprometem a qualidade da discussão de propostas.

Davi comentou que o Brasil e o mundo vivem um “drama civilizatório”. Ele lamentou que agentes políticos muitas vezes prefiram “agredir colegas em vez de apresentar uma alternativa para o Brasil”, e cobrou uma postura de serenidade dos senadores, mesmo diante de agressões infundadas.

— Que a gente possa ter a consciência, a tranquilidade, a serenidade de não cair, porque, a partir do momento em que a gente passar a ofender os outros que a gente critica, a gente vai passar a ser um deles — ponderou.

O presidente do Senado classificou Renan Filho — que, em seu pronunciamento, tratou do fim da escala 6×1 (PEC 221/2019) — como um dos melhores representantes da nova geração de políticos, e destacou a importância de sua atuação à frente do Ministério dos Transportes para o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária do país.

Leia Também:  CPI: senadores ouvem diretor de Inteligência Penal e pedem mais dados sobre presídios

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA