POLÍTICA NACIONAL

Debatedores defendem projeto de realocação de empregados da Eletrobras

Publicado em

Debatedores ouvidos pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta segunda-feira (9) defenderam o Projeto de Lei 1.791/2019, que assegura aos trabalhadores da Eletrobras, privatizada em 2022, o direito de serem transferidos para outras empresas públicas.

Com origem na Câmara dos Deputados, a proposição foi aprovada em novembro pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), sob a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), quando foi então encaminhada para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

O autor do requerimento para o debate na CDH foi o próprio presidente dessa comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), que conduziu a reunião.

Ele apresentou um documento — que recebeu dos representantes desses trabalhadores — que descreve a situação atual deles. Segundo Paim, desde a privatização cerca de 4 mil empregados foram desligados das empresas do grupo Eletrobras, e desse total em torno de 3 mil têm mais de 50 anos de idade.

Paim afirmou que a intenção da companhia é demitir mais pessoas para reduzir o atual quadro de funcionários em mais de 20%. O senador ressaltou, no entanto, que a legislação exige a realização de diálogos entre empresas e sindicatos dos trabalhadores como primeira etapa antes de uma demissão coletiva, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, as entidades que o procuraram informaram que as discussões não foram realizadas.

— O diálogo envolve a apresentação de análise de soluções alternativas às demissões, contribuindo para a preservação de empregos e a recuperação econômica, mas essas discussões não ocorreram. O reaproveitamento desses profissionais refletiria uma responsabilidade social com os trabalhadores da Eletrobras, que é a maior companhia de energia elétrica da América Latina e um dos principais grupos empresariais do Brasil. As empresas da Eletrobras operam 33% da capacidade instalada de geração no país, 50% das linhas de transmissão e atendem 31% do território nacional na área de distribuição. Então, que a CCJ vote esse projeto de lei [o PL 1.791/2019] o mais rapidamente possível — pediu Paim. 

Constitucionalidade

Para o diretor jurídico do Sindicato dos Urbanitários do Estado do Maranhão, Welligton Araujo Diniz, o projeto de lei é constitucional, e uma prova disso é o fato de o texto ter sido aprovado pela CCJ da Câmara dos Deputados e, posteriormente, ter sido enviado ao Senado.

Leia Também:  Câmara aprova projeto que inclui seis comitês privados no Sistema Nacional do Esporte; acompanhe

Entre os pontos positivos da aprovação da matéria elencados por ele estão a manutenção da expertise e do conhecimento técnico acumulados pelos profissionais da Eletrobras e o fortalecimento do serviço público por meio do preenchimento de vagas em órgãos com déficit de pessoal, além da redução de custos com treinamento e capacitação de novos profissionais.

Diniz agradeceu a Paulo Paim pela oportunidade de discutir a matéria e disse estar à disposição dos demais parlamentares que ainda tiverem alguma dúvida a respeito do assunto.

— A constitucionalidade da proposição é incontestável. [O projeto] não viola e nem burla a regra dos concursos públicos, pois os trabalhadores já foram admitidos por concurso anteriormente. O STF, inclusive, já se manifestou favoravelmente em caso semelhante, na ADI 5.406, que versa sobre o enquadramento de trabalhadores em outros cargos e empregos — declarou Diniz, fazendo um apelo “aos nobres parlamentares para que considerem cuidadosamente os benefícios da proposta e votem pela sua aprovação, visando ao interesse público e à valorização dos profissionais qualificados do setor elétrico”.

Contramão do mundo

O diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias do Rêgo, considerou plenamente possível a aprovação do projeto de lei, principalmente diante do atual cenário de pressão por privatizações no país. Ele reconheceu que cabe ao governo a prerrogativa de privatizar empresas, mas observou que o Brasil tem caminhado na contramão do mundo quando se trata de garantir direitos como a qualidade e o baixo custo de serviços.

— Com as privatizações se visa somente ao lucro para essas empresas, sem que elas cheguem a todos os lugares ou municípios do nosso país para bem atender. Então é extremamente relevante o debate sobre os trabalhadores da Eletrobras. A aprovação desse projeto é algo relevantíssimo, e nosso desejo é que os senadores se sensibilizem com o tema.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (STIUAM), Josehirton Pereira de Albuquerque criticou os processos de privatização no Brasil. Ele ressaltou que servidores se prepararam para prestar concurso público que oferecesse segurança e estabilidade às suas famílias, mas acabaram tendo suas carreiras prejudicadas por decisões unilaterais. 

Leia Também:  Projeto prevê fim da punição coletiva de torcidas organizadas em arenas com biometria

— Energia não é mercadoria. E, nesse setor tão estratégico, cada erro pode ser fatal. Qualquer processo de privatização pode ser danoso, e a gente sabe que medidas assim trouxeram diversas mazelas ao serviço elétrico brasileiro. Temos os exemplos de vários estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que enfrentam frequentemente problemas na distribuição de energia e [quando isso acontece] vivenciam um caos total em virtude dessa realidade — lamentou.

Dados

Segundo Paulo Paim, no ano de 2016, quando começaram os primeiros passos para a privatização da companhia, a Eletrobras contava com cerca de 39 mil trabalhadores: 24.701 empregados diretos e 14.472 terceirizados, distribuídos em quase todos os estados do país. Na avaliação dele, a privatização resultou no fim do protagonismo estatal do Brasil no seu setor energético. 

— A empresa desempenhava um papel de liderança e atuava como estabilizadora dos preços e da oferta no sistema elétrico brasileiro. Entre os cinco maiores grupos responsáveis por 53% da capacidade instalada de geração de energia no Brasil, três eram estatais nacionais — Eletrobras, Cemig e Petrobras — e estavam incluídos nos programas de privatização, enquanto dois eram estrangeiros, ambos com participação e controle estatais em seus países de origem.

Além da audiência na CDH, Paim destacou que pretende promover um debate sobre o tema também no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a matéria aguarda designação de relator.

Atendendo a um pedido dos participantes da reunião, o senador informou que encaminhará um documento ao Poder Executivo, em nome da CDH, solicitando o fim das demissões e o apoio ao PL 1.791/2019. Além disso, Paim sugeriu que os representantes da categoria também busquem os demais senadores para conscientizá-los sobre a importância do assunto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Advertisement

POLÍTICA NACIONAL

Poder Executivo anuncia MPs contra bets e endividamento das famílias

Published

on

Foram anunciadas pela Presidência da República, no início da noite desta sexta-feira (25), duas medidas provisórias (MPs), uma delas proibindo as chamadas apostas por quota fixa, conhecidas como bets, e outra com ações para aliviar a situação de endividamento das famílias, programa batizado como Desenrola Brasil 3.0.

No mesmo evento em São Paulo que tratou da edição das MPs, também foi anunciado um projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo, que tipifica crimes relacionados aos jogos de azar on-line. As MPs passam a valer a partir de sua publicação no Diário Oficial da União.  

Calendário

A partir da publicação da MP, não serão mais permitidas as apostas on-line no país. No caso de aportes já feitos, a MP prevê a devolução dos saldos em contas em sites desse tipo.

Também a partir da entrada em vigor do texto, não será permitida nova contratação de publicidade de apostas. O que já foi contratado poderá ser veiculado até o dia 5 de outubro, quando também deverá ocorrer a retirada dos sinais visíveis de patrocínio. Veja algumas datas do calendário da MP.

  • 5 de outubro: prazo para os usuários retirarem voluntariamente o dinheiro dos aportes que fizeram nas plataformas.
  • 6 de outubro: sites de apostas serão bloqueados no país, redirecionando à informação sobre a devolução de valores.
  • 7 e 8 de outubro: empresas de apostas informarão aos bancos os saldos das contas dos apostadores.
  • 9 a 14 de outubro: os bancos farão a devolução dos valores aos apostadores que tiverem contas.
  • A partir de 14 de outubro: em caso de algum impedimento no processo, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução aos apostadores.
Leia Também:  Vai à Câmara projeto que fortalece proteção a testemunhas

Proteção

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entre 2018 e 2025 os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram cerca de 140% para questões ligadas ao jogo patológico.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, explicou no evento de apresentação das medidas provisórias que o público-alvo da MP para redução do endividamento são as famílias com dívidas em atraso de dois anos a quatro anos e meio. A estimativa é que as dívidas dessas famílias cheguem a R$ 300 bilhões. O objetivo é reduzir em 50% esse valor.

De acordo com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o governo reforçará a remoção de sites ilegais e investigações das movimentações financeiras. Veja algumas medidas previstas na MP do fim das bets:

  • Força-tarefa composta por diversos órgãos do governo;
  • Integração de forças e compartilhamento de informações estratégicas;
  • Reforço da estrutura do Ministério da Justiça e da Polícia Federal sobre o tema;
  • Oferecimento do canal www.gov.br/falabr para denúncias sobre bets e jogos on-line.

Projeto de lei

O governo anunciou que vai enviar ao Legislativo um projeto de lei que tipifica crimes específicos relacionados aos jogos on line. De acordo com a minuta do projeto, a pena será de quatro até seis anos de cadeia, além de multa, para quem operar ou explorar as bets de forma irregular. Influenciadores que lucram com a divulgação de apostas ilegais também poderão ser responsabilizados pela proposta, com pena de até quatro anos de prisão.

Leia Também:  Entra em vigor lei que obriga emissoras públicas a divulgarem informações sobre prevenção de doenças

O texto também vai, segundo o Executivo, transformar em crime o uso de dados pessoais com o objetivo de captar apostadores ou direcionar publicidade de bets. A pessoa que fornecer, negociar, comercializar ou utilizar cadastros e listas de dados para essa finalidade poderá pegar de dois a quatro anos de cadeia, além de multa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA