POLÍTICA NACIONAL

Representantes dos policiais penais pedem a criação de uma lei geral da categoria

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Representantes de associações e sindicatos dos policiais penais pediram a criação de uma Lei Geral da categoria, durtante audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara, nesta terça-feira (8).

A presidente do Sindicato dos Policiais Penais (Sindppen) no Ceará, Joélia Silveira, disse que naquele estado os trabalhadores não têm estatuto próprio e são regidos pela Lei Geral do Servidor Público Estadual. Para ela, é preciso haver definições claras sobre a competência e também adequação a outras legislações existentes.

O diretor do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário de São Paulo (Sindcop), Eduardo Blasques Martins, alertou que “muitas vezes as leis são feitas por pessoas que não têm o mínimo de entendimento de como funciona o sistema penitenciário por dentro”.

Eduardo Blasques trabalhou por 31 anos como policial penal e se aposentou em 2020. Quando começou sua carreira havia 41 penitenciárias em São Paulo – hoje são 182. Segundo ele, o sistema penitenciário paulista abriga 220 mil presos, e a superlotação só não é maior porque há mais de 250 mil mandados de prisão no estado a serem cumpridos. “A insegurança se mostra em situações em que há mais de 2 mil presos em uma unidade prisional com cinco funcionários no plantão”, afirmou.

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As consequências da falta de condições de segurança foi ressaltada pelo presidente nacional da Associação dos Policiais Penais do Brasil, Ferdinando Gregório. “O policial penal tem os maiores números de afastamento por problemas psicológicos, o maior número de invalidez permanente por problemas psicológicos. Nós trabalhamos dentro da nossa escala de trabalho, e levando em consideração 30 anos de serviço, nós cumprimos 25% do nosso tempo de trabalho cumprindo pena. Nós estamos lá dentro”, comparou.

Gregório defende o fim da disparidade salarial entre as polícias penais em cada estado e lembra que a polícia penal funciona como engrenagem que liga o sistema penal e a segurança pública, pois é ela que faz a custódia e executa a pena. As medidas impostas pelo Judiciário são executadas pelos quase cem mil policiais penais do Brasil.

Integração
A audiência pública foi presidida pela deputada Erika Kokay (PT-DF), que afirma ser necessário discutir as funções, a integração com as demais polícias e os impactos na administração penitenciária. Ela lembra que a discussão da lei orgânica da polícia civil e da policia militar foi um processo lento.

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“Esta audiência pública vem na perspectiva de nós pontuarmos elementos que são fundamentais para constarem na proposta que, penso eu, deverá ter o maior número possível de assinaturas na condição de autores da proposição. Ou seja, quanto mais parlamentares estiverem nesse processo como coautores, mais força a proposição vem ao adentrar nesta Casa”, disse a deputada.

Segundo ela, a criação de uma lei geral para regulamentar a atividade dos policiais penais será um marco na estruturação das atividades de segurança pública. Erika Kokay adiantou que deve ser apresentada no início de novembro a minuta da proposta, com apoio das entidades em todo o país, sobre a lei geral dos policiais penais.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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