POLÍTICA NACIONAL

Senado se mobiliza para a COP 30

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A realização no Brasil da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), encontro mundial sobre mudanças climáticas, mobilizará a atenção dos senadores a partir de agosto. Desde o início de 2025 o Senado tem acompanhado os preparativos para o evento, que será realizado de 10 a 21 de novembro em Belém, e tem sido tema de diligências e audiências públicas.

A principal iniciativa do Senado foi a criação da Subcomissão Temporária para Acompanhamento dos Preparativos da COP 30, instalada em 7 de maio dentro da Comissão de Meio Ambiente (CMA). Com prazo de funcionamento de 300 dias, o colegiado tem a missão de fiscalizar as ações de planejamento, infraestrutura e logística para o evento, acompanhar a atuação de organismos públicos e da sociedade civil, apoiar a formulação de políticas públicas relacionadas ao legado da conferência e monitorar o cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo Brasil.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) preside o colegiado. Na abertura da subcomissão, ela declarou que a conferência representa um momento decisivo para o futuro ambiental do planeta.

— A COP 30 não é apenas uma conferência, é a confluência de expectativas, compromissos e decisões que impactarão o planeta por décadas. E, nesse contexto, o Senado Federal, assim como toda a estrutura do Congresso Nacional, não pode se limitar a mero espectador. 

A subcomissão se reuniu três vezes e promoveu uma audiência pública, em 15 de julho, com a presença do secretário extraordinário para a COP 30, Valter Correia. Na opinião do secretário, que assegurou o bom andamento dos preparativos, a realização da conferência em Belém “colocou a Amazônia no centro do debate global”. Também presente ao debate, a embaixadora Liliam Chagas tratou principalmente das negociações multilaterais para o financiamento das políticas climáticas.

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A COP 30 foi tema de audiência pública da CMA em 10 de junho, quando os convidados defenderam o cooperativismo e pediram apoio à agricultura familiar no enfrentamento da crise do clima. A comissão também tratou, em debate em 29 de maio, do papel do Legislativo no fortalecimento da governança climática e o no encaminhamento dessa demanda à COP 30.

O presidente da CMA, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator da subcomissão da COP 30, senador Beto Faro (PT-PA), visitaram Belém em junho, onde acompanharam as obras de infraestrutura em andamento. Contarato afirmou que os participantes da COP 30 vão conviver com os “desafios urbanos, sociais e estruturais” da capital paraense, mas considerou que a cidade tem capacidade para receber o evento.

Um grupo de senadores da subcomissão da COP 30 retornará a Belém em 18 e 19 de agosto, com o objetivo de observar os preparativos logísticos, a organização dos espaços e o planejamento da programação da conferência. A diligência será feita em conjunto com a subcomissão equivalente da Câmara dos Deputados.

Também o Congresso Nacional realizará sessão solene na quarta-feira (6) pela abertura da 2ª Cúpula Parlamentar de Mudança Climática e Transição Justa da América Latina e do Caribe, evento de alinhamento estratégico de legisladores em preparação para a COP 30.

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A conferência é um encontro global que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil de mais de 190 países para debater soluções e ações contra as mudanças climáticas. É considerada um dos principais fóruns internacionais sobre o tema.

A realização do evento no Brasil foi oficializada em 2023, durante sessão plenária da COP 28, em Dubai. Segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cidade de Belém receberá mais de 40 mil visitantes nos principais dias da conferência.

Pré-COP

A conferência será antecedida pela pré-COP, a ser realizada nos dias 13 e 14 de outubro, em Brasília. O encontro preparatório reunirá ministros negociadores de clima em busca de consenso sobre temas para a COP 30.

Espera-se a presença de até 800 pessoas, incluindo delegações internacionais e observadores.  

De 3 a 5 de novembro, no Rio de Janeiro, será realizado o Fórum de Líderes Locais da COP 30, evento de articulação climática. O fórum congrega prefeitos, governadores e dirigentes regionais de todo o mundo, com o objetivo de buscar a implementação de metas globais para o clima e premiar iniciativas locais relevantes. Os compromissos estabelecidos no evento serão encaminhados ao diálogo na COP 30.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.

A vedação vale sempre que o ato puder:

  • comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
  • alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
  • descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.

A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.

Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.

A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.

A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.

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Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:

  • parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
  • estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
  • autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.

O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.

Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.

Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Situação da BR-393 no trecho entre Jamapará (Sapucaia/RJ) e Volta Redonda/RJ. Dep. Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lindbergh citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio

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Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.

Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.

Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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