POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova projeto que regulamenta uso de token para ativos ambientais

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (10) o projeto de lei (PL) 3.434/2024, que regulamenta a criação, a emissão, o registro, a comercialização e a gestão de tokens para ativos ambientais digitais. Token é um certificado digital que comprova a propriedade de um bem ou ativo.

O texto do senador Fernando Dueire (MDB-PE) recebeu relatório favorável do senador Fernando Farias (MDB-AL) e segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA). A matéria cria um marco legal para a digitalização de ativos ambientais, definindo regras e responsabilidades para as empresas que atuam nesse mercado.

O objetivo é promover práticas sustentáveis e apoiar projetos de conservação ambiental. Criado e gerenciado por meio de tecnologias de registro, o token tem uma identificação imutável que garante a autenticidade e impede a duplicação.

De acordo com o PL 3.434/2024, os ativos ambientais digitais são tokens que representam direitos ou quotas sobre recursos naturais, serviços ecossistêmicos e projetos de conservação ou restauração ambiental. O texto cria dois tipos de tokens:

  • os de conservação, voltados a projetos específicos de preservação do meio ambiente; e
  • os de carbono, que representam a redução verificada de emissões de gases de efeito estufa ou sequestro de carbono.

O projeto relaciona as atividades consideradas como serviços de “tokenização”. Entre elas:

  • design e desenvolvimento dos tokens
  • inscrição em registros blockchain (tecnologia que permite o compartilhamento de dados de forma segura e transparente);
  • gestão dos projetos ambientais financiados;
  • oferta de serviços financeiros para financiamento; e
  • atividades de promoção dos projetos “tokenizados”.
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A regulamentação, a supervisão e a fiscalização dessas atividades ficam a cargo de um órgão ou entidade da Administração Pública federal, a ser definido pelo Poder Executivo. As empresas que prestam serviços relacionados a ativos ambientais digitais deverão cumprir algumas obrigações. Entre elas:

  • garantir total transparência na criação e gestão dos tokens;
  • assegurar a veracidade das informações fornecidas;
  • cumprir as normas estabelecidas pelo órgão regulador;
  • assegurar que os projetos realmente contribuam para a preservação do meio ambiente;
  • proteger os direitos dos investidores; e
  • submeter-se a auditorias independentes.

Segundo o PL 3.434/2024, as empresas devem implementar procedimentos para prevenir lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. O projeto estabelece que os tokens ambientais digitais precisam ser emitidos segundo padrões definidos por entidades certificadoras independentes, com avaliação prévia de impacto ambiental.

Cada token deve ter identificação única e ser rastreável por meio de tecnologias de registro distribuído. As plataformas utilizadas para emissão e comercialização dos tokens precisam empregar tecnologias seguras e auditáveis, adotar protocolos de segurança cibernética e garantir interoperabilidade com outras soluções tecnológicas.

O projeto prevê que os tokens sejam registrados em plataformas aprovadas pelo órgão regulador, com certificações independentes que comprovem a validade dos benefícios ambientais associados. O registro deve incluir informações detalhadas sobre os projetos, como objetivos, métodos de implementação e critérios de verificação.

A negociação dos tokens é permitida em plataformas de troca autorizadas, que deverão assegurar liquidez e transparência nas transações, além de facilitar a participação de pequenos investidores. O texto autoriza o Poder Executivo a conceder incentivos fiscais, como isenções ou reduções de impostos, para emissores e investidores de tokens que comprovem benefícios ambientais significativos.

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Segundo o autor, o PL 3.434/2024 tem por objetivo alinhar o Brasil com as melhores práticas internacionais em tecnologia financeira e ambiental.

— Estamos em busca de avanços tecnológicos na prática ambiental. Isso é fundamental. Estamos procurando nos atualizar para termos um papel de vanguarda dentro do que se tem e mais moderno no mundo — disse Fernando Dueire.

O relator, senador Fernando Farias, argumenta que a humanidade sempre enxergou a natureza como um ativo a ser usado para a sua sobrevivência. Recentemente, aponta, os cientistas e economistas têm mostrado que a sua preservação também pode ser um ativo.

— É preciso que a preservação da natureza possa se tornar um bem apropriável e protegido enquanto também propriedade privada pelos agentes econômicos. É preciso também que haja um mercado para esse bem. É preciso, por fim, que os agentes geradores de externalidades negativas sejam obrigados a internalizar esses efeitos colaterais de sua atividade em seus custos, adquirindo e protegendo esses ativos ambientais — disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Senado faz semana de esforço concentrado a partir de segunda-feira

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O Senado fará a partir de segunda-feira (10) uma semana de esforço concentrado para votar proposições em Plenário e nas comissões. A intenção é conciliar a agenda de votações e outras atividades (como audiências públicas e sessões especiais) com o período eleitoral.

Serão dois esforços concentrados antes das eleições, conforme anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em julho. As semanas de esforço concentrado (entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro) devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara.

A pauta do Plenário ainda não foi divulgada pela Presidência do Senado, mas quatro medidas provisórias (MPs) aguardam votação dos senadores e podem entrar na ordem do dia. Todas as medidas tratam de crédito extraordinário. Uma delas vence antes do segundo esforço concentrado, marcado para 31 de agosto; por isso, precisa ser votada em breve para não perder a validade.

A medida com vencimento próximo é a MP 1.351/2026, que prevê subvenção econômica de R$ 330 milhões para empresas importadoras de gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha. A medida integra o pacote do governo para a contenção dos impactos nos preços do petróleo e de seus derivados causados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O prazo para votação termina no dia 25 de agosto.

A outras medidas que ainda estão pendentes de análise no Senado vencem em setembro e outubro e destinam créditos extraordinários para apoiar famílias atingidas por eventos climáticos extremos em Minas Gerais (MP 1.361/2026) e em Pernambuco e na Paraíba (MP 1.364/2026), além de ações de combate a incêndios florestais (MP 1.367/2026).

As MPs que liberam créditos extraordinários em situações de urgência permitem o uso dos recursos de imediato. Ainda assim, o Congresso Nacional deve analisar cada medida provisória no máximo em 120 dias. Se aprovada, ela se converte em lei, o que mantém o valor disponível ao Poder Executivo durante o ano. Caso contrário, o governo federal dispõe dos valores apenas durante o tempo de vigência da medida provisória.

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Comissões

Três comissões já divulgaram as pautas das reuniões deliberativas.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) tem reunião marcada para terça-feira (11), às 10h. Na pauta de dez itens, estão acordos, convenções e protocolos firmados pelo Brasil com outros países, entre eles o PDL 618/2026, que ratifica o Protocolo de Montevidéu sobre Compromisso com a Democracia no Mercosul (Ushuaia II), assinado em 2011.

Na quarta-feira (12), a partir das 10h, a Comissão de Esporte (CEsp) se reúne para votar dois projetos. Um deles é o PL 3.905/2025, que institui Política Nacional de Acesso à Atividade Física pelo SUS para prevenir e controlar o câncer.

Ainda na quarta, às 10h, a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) analisa pauta com 56 itens. Entre eles, estão projetos de decreto legislativo que tratam de concessão e renovação de outorga para emissoras de rádio. Também pode ser votado o PL 3.844/2025, que inclui a cidadania digital entre os eixos da Política Nacional de Educação Digital (Pned). O texto traz, entre as ações previstas, o estímulo à educação midiática no ambiente de ensino, a orientação das famílias sobre consumo tecnológico e a ampliação de parcerias entre o governo e empresas privadas na área digital.

Audiências públicas

Nas comissões, além das reuniões deliberativas, estão marcadas as seguintes audiências públicas para a semana se esforço concentrado:

  • Segunda-feira (10), às 10h: a Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami debaterá a prestação de contas dos recursos orçamentários discricionários e dos créditos extraordinários destinados a ações no território Ianomâmi e dos recursos do Fundo Amazônia para projetos de proteção de comunidades indígenas.
  • Terça-feira (11), às 14h: a Comissão de Segurança Pública (CSP) avalia a implementação do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita), examinando os protocolos de inclusão, acompanhamento, desligamento e reinserção social das pessoas protegidas.
  • Terça-feira (11), às 14h: a Comissão de Direitos Humanos (CDH) faz audiência pública para instruir o  instruir o Projeto de Lei (PL) 5.115/2025, que trata da instalação de centros-dia para pessoas idosas atendidas pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas).
  • Quarta-feira (12), às 14h30: a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) faz audiência pública para lançar pesquisa sobre a relevância e as contrapartidas do setor filantrópico brasileiro, feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), encomendada pelo Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif).
  • Quinta-feira (13), às 10h: a CAS e a CDH fazem duas audiências conjuntas seguidas para debater o atendimento a pacientes com hemoglobinúria paroxística noturna no SUS e os desafios relacionados ao diagnóstico, tratamento e políticas públicas para a insuficiência adrenal no Brasil.
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Sessões especiais

Também estão marcadas sessões especiais e de debates temáticos do Senado e uma sessão solene do Congresso para a próxima semana.

  • Segunda-feira (10), às 10h: sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional da Proteção de Dados.
  • Terça-feira (11), às 10h: sessão de debates temáticos no Plenário para discutir as políticas públicas de energias renováveis do Brasil e da América Latina e a liderança brasileira no setor, diante do contexto global.
  • Terça-feira (11), às 11h: sessão solene do Congresso para comemorar os 35 anos da TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo no serão de Pernambuco.
  • Quarta-feira (12), as 10h: sessão especial do Senado para celebrar os 100 anos da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn Nacional).
  • Quinta-feira (13), às 15h: sessão especial do Senado para celebrar o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher.
  • Sexta-feira (14), às 14h: sessão especial do Senado para celebrar os 69 anos de história da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet). 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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