POLÍTICA NACIONAL
Sessão pelos seis meses da morte do Papa Francisco destaca legado do pontífice
Publicado em
28 de novembro de 2025por
Da Redação
O Senado realizou nesta sexta-feira (28) sessão especial pela passagem dos seis meses de morte do Papa Francisco. A sessão também destacou o Pacto Educativo Global, proposto pelo pontífice em 2020, que incentiva uma educação humanista e solidária como forma de transformar a sociedade.
Relançado pelo Papa Leão XIV, o pacto convoca sociedade, famílias, instituições de ensino, governos e comunidades religiosas a repensar seu compromisso com a educação.
A sessão foi proposta pelo senador Flávio Arns (PSB-PR), que destacou o legado de Francisco como grande líder da Igreja Católica e que se tornou “referência religiosa e espiritual para toda a humanidade”.
— O Pacto Educativo Global nasceu de seu coração, em 2020, como uma proposta de aliança da humanidade contra as desigualdades. O pacto une famílias, escolas, universidades, religiões, governos e toda a sociedade civil na premissa de que, para educar uma criança, é necessária uma aldeia inteira, e de que a educação é força de cura, reconciliação e esperança — afirmou.
Arns ressaltou ainda que o pacto reúne sete compromissos: colocar a pessoa no centro; ouvir crianças e jovens; promover a dignidade e o papel das mulheres; reconhecer a família como primeira educadora; acolher e incluir os mais vulneráveis; renovar a economia e a política a serviço da pessoa e cuidar da casa comum.
No início da sessão, o estudante do sexto período do curso de educação física da Universidade Católica de Brasília Pedro Paulo Viana Silva leu mensagem do cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, no Vaticano. No texto, o religioso expressa gratidão pela realização da sessão e observa que o Pacto Educativo Global se tornou um “caminho compartilhado” por centenas de escolas, universidade e comunidades educativas no Brasil. A iniciativa, segundo ele, atua como um convite a renovar a aliança educativa entre as instituições públicas e privadas, entre o Estado e a sociedade civil e entre o mundo acadêmico e o eclesial.
‘Patrimônio educativo’
Em mensagem exibida em Plenário, o coordenador do Pacto Educativo Global, padre Ezio Lorenzo Bono, destacou que a Igreja Católica acompanha hoje mais de 230 mil escolas, 1,3 mil universidades e 400 faculdades eclesiásticas em todos os continentes, muitas delas frequentadas por estudantes não católicos. Trata-se de um patrimônio educativo global, cuja origem remonta aos primeiros mosteiros europeus, que preservaram e difundiram cultura, alfabetização e pesquisa, afirmou o religioso.
Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Rogério Mateucci destacou que a fé cristã não despreza a atividade política, ao contrário, a valoriza e a tem em autoestima. “Isso também nos ensinou o Papa Francisco”, afirmou, ao propor um minuto de silêncio em Plenário em gratidão a Deus e a vida do religioso.
— [O Papa Francisco] propôs os quatro “Es”: economia, ecologia ecumenismo e educação. Deixemos que essa antropologia e essa cosmologia ressoem em nosso interior em breve instante de silêncio — afirmou.
A estudante da primeira série do ensino médio do Colégio Marista de Brasília Paula da Silva Dourado Mangueira destacou que o Pacto Educativo Global não faz sentido “se os jovens não forem escutados realmente e considerados parte ativa da construção do mundo”.
— Somos uma geração cheia de perguntas, inquietações e também de sonhos. O pacto nos convida a transformar o processo educativo em responsabilidade compartilhada. Educar não é apenas aprender os conteúdos, é encontrar pessoas dispostas a caminhar conosco, a compreender nossas buscas e apostar em nossas possibilidades — afirmou.
Para o assessor do setor de educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Júlio Cesar Evangelista Resende, a sessão especial “elucida a notável contribuição do Papa Francisco para a humanidade, como um todo, e para os educadores, em especial”.
— A convocação de um pacto educativo global nasceu das reiteradas solicitações de diversos organismos internacionais que reconheceram em Francisco uma voz lúcida, profética e coerente em meio a um mundo marcado por ruídos, fragmentações e contradições — afirmou.
Presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a irmã Maria do Desterro Rocha Santos reafirmou o compromisso “inegociável” com a promoção de uma educação humanista, solidária e transformadora, capaz de gerar pontes, renovar vínculos e colocar a pessoa no centro de todas as decisões.
— Essa inspiração orienta nosso modo de estar no mundo e de servir à sociedade, especialmente quando as travessias humanas exigem coragem, discernimento e a capacidade de construir caminhos de transformação — disse.
A presidente da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil e reitora da Universidade Franciscana, irmã Iraní Rupolo, destacou que o Pacto Educativo Global é uma “marca luminosa” do pontificado do Papa Francisco.
— O Papa Francisco foi um mestre de escuta e nos ensinou, pelo exemplo, que educar é também escutar. Essa sua bandeira erguida com mão forte é, na verdade, uma grande síntese do seu pontificado. Somente é possível construir um caminho comunitário pela participação e envolvimento de todos – afirmou.
Presidente da Organização das Universidades Católicas da América Latina e Caribe e reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o padre Anderson Antônio Pedroso destacou a criação de um “método de escuta” pelo Papa Francisco em favor da natureza e dos mais pobres.
— O Papa Francisco estabeleceu sua agenda como pastor do mundo escutando aqueles que mais precisam. Foi, em primeiro lugar, um ato educativo fundamental. O Papa Francisco nos educou a escutar principalmente o grito da natureza, dos pobres, daqueles que são esquecidos.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Conheça o projeto que abre financiamento a produtores rurais
Published
18 minutos agoon
27 de maio de 2026By
Da Redação
O projeto de lei que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes autorizadas para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais (PL 5.122/2023) aprovado nesta quarta-feira (27) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O texto foi fruto de ampla negociação entre governo e Congresso e muito debate na comissão. O projeto segue agora para análise do Plenário, onde deve ser votado na tarde desta quarta.
Do deputado Domingos Neto (PSD-CE), o texto previa originalmente o financiamento a produtores afetados por eventos climáticos — como o El Niño, por exemplo. Em seu relatório, porém, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ampliou o alcance da matéria para os produtores afetados por impactos econômicos negativos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais.
O Fundo Social do Pré-Sal (FS), previsto na Lei 12.351, de 2010, recebe dinheiro da exploração do petróleo, além de financiar projetos e programas em diversas áreas como educação, saúde pública, meio ambiente e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Segundo o texto, as receitas correntes do Fundo Social de 2026 e 2027, o superávit financeiro apurado no final de 2025 e 2026, o superávit financeiro de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda e outras fontes definidas pelo Poder Executivo poderão ser usadas para disponibilizar linha especial de financiamento para os produtores reais, ou seja, que efetivamente produzem no campo.
Limites financeiros e condições
O crédito poderá ser usado para quitação de dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não. Os débitos serão recalculados sem multa, mora e outros encargos por inadimplência.
Quanto às condições, os juros serão diferenciados por perfil do produtor:
- 3,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e demais pequenos produtores;
- 5,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais médios produtores;
- 7,5% ao ano para os demais.
Os recursos poderão ser operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bancos e cooperativas de crédito. A linha especial de financiamento de crédito terá como limite global o valor definido futuramente pelo Poder Executivo.
Os financiamentos terão como limites o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e de R$ 50 milhões por associação, cooperativa de produção ou condomínio. O prazo para o pagamento poderá chegar a 10 anos, acrescidos de três anos de carência, dependendo do caso.
Beneficiários
Os beneficiários são produtores rurais, associações, cooperativas de produção e condomínios que atendam critérios objetivos ligados a calamidade e perdas produtivas. Estas são algumas das condições previstas no texto:
- que tenham registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que resultaram em redução de, no mínimo, 30% da renda bruta agropecuária esperada para a respectiva safra, comprovado por laudo emitido por profissional habilitado;
- ter empreendimento localizado em município cujo estado ou o próprio município tenha declarado situação de emergência ou estado de calamidade pública, reconhecidos pelo Poder Executivo federal ou estadual, em pelo menos um ano entre 2019 e 2025; ou estar em município que tenha registrado pelo menos duas perdas de produção de, no mínimo, 20% do rendimento médio em pelo menos duas das três principais atividades agrícolas no período;
- o percentual do somatório de dívidas de crédito rural com atraso superior a 90 dias e de dívidas de crédito rural renegociadas supere 10% do total da carteira de crédito rural do município em 31 de dezembro de 2025;
- o beneficiário, no período analisado, comprove dificuldades de fluxo de caixa devido ao impacto acumulado de perdas de safra decorrentes de eventos climáticos adversos em safras anteriores ou devido aos impactos econômicos negativos decorrentes dos conflitos geopolíticos internacionais que lhe causaram perdas de receita e aumento de custos e consequente aumento do endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) e impossibilitaram o reembolso integral das operações de crédito rural.
Para beneficiários localizados na área da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o período de análise será de 2012 a 2025.
Outros fundos
O texto também autoriza que, dentro de suas disponibilidades e áreas de atuação, o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) sejam usados para implementar o financiamento especial para produtores.
Se os recursos desses fundos se esgotarem em suas áreas de abrangência, o Fundo Social poderá assumir a implementação das medidas e os custos correspondentes.
O projeto também autoriza as instituições financeiras a prorrogar por 180 dias os vencimentos das parcelas de principal e juros das operações abrangidas. Nesse período, ficam suspensas cobranças administrativas, execuções extrajudiciais, judiciais e fiscais, inscrição em cadastros negativos de crédito e respectivos prazos processuais.
Emendas
O relator disse considerar a proposição urgente e adequada diante do aumento de eventos climáticos extremos e do impacto econômico sobre produtores rurais. No voto, Renan afirma que o uso do Fundo Social é compatível com as finalidades legais do fundo, especialmente no apoio a ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Ele propôs mudanças ao texto por meio de emendas. Entre elas estão a ampliação da abrangência das dívidas para operações contratadas até 31 de dezembro de 2025 (o texto original registrava 30 de junho de 2025); a autorização para uso de outras fontes de recursos, além do Fundo Social; a criação de mecanismos adicionais de alongamento e composição de dívidas rurais; e a ampliação, para a área da Sudene, do período de análise de calamidades e perdas produtivas para 2012 a 2025.
O relatório também busca impedir que normas infralegais restrinjam a aplicação da nova lei, especialmente por meio de exigências simultâneas de decretação de calamidade em nível estadual e municipal.
Foram apresentadas 54 emendas no total. Em seu parecer, Renan propôs a aceitação parcial das emendas 2, 20,49, 51 e 53. Com base na emenda 2, da senadora Tereza Cristina (PP-MS), Renan acrescentou a autorização para a União ampliar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), exclusivamente para cobertura das operações de crédito destinadas à renegociação de dívidas rurais.
A emenda 51, também de Tereza Cristina, busca ampliar a transparência dos dados sobre essas renegociações. Já as emendas 20, 49 e 53 foram aproveitadas parcialmente para ajustes de enquadramento, adequação de taxas de juros e correção de impactos fiscais. As demais emendas foram rejeitadas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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