POLÍTICA NACIONAL
Criação de semana nacional da Previdência Social ganha apoio em audiência
Publicado em
1 de setembro de 2025por
Da Redação
Diante do crescimento dos novos arranjos do trabalho, das alterações na pirâmide etária brasileira e da substituição de empregos por inovações como a inteligência artificial, a instituição da Semana Nacional da Previdência Social é necessária para informar a população e discutir estratégias para fortalecer o setor. A opinião foi manifestada por especialistas que participaram nesta segunda-feira (1º) de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para avaliar o projeto que institui a campanha (PL 2.783/2022).
O debate foi proposto pelo autor do projeto de lei, senador Paulo Paim (PT-RS). Segundo o parlamentar, a semana nacional deverá destacar a importância da Previdência e da formalização do trabalho, com todos contribuindo e tendo direito aos benefícios previdenciários. Além de ser educativa, a campanha será um momento de discussão sobre melhorias no sistema.
— Propomos regras para conferir maior transparência ao sistema previdenciário, com a divulgação de informações que permitam maior controle social, como fluxo orçamentário, receita, despesas, dívidas e créditos, número de segurados, beneficiários, dependentes, além do valor das prestações. Para que não se repitam fatos como esse que virou agora uma CPMI — disse o senador, referindo-se à CPMI do INSS, que investiga fraudes a partir de descontos ilegais nos benefícios pagos a aposentados e pensionistas.
Paim salientou que, enquanto trabalhadores acabam “sempre pagando a conta”, grandes empresas acumulam dívidas bilionárias com a Previdência e mesmo assim continuam sendo beneficiadas por isenções fiscais.
O senador defendeu ainda que se aprofunde o debate para que o cálculo previdenciário não seja sobre a folha, mas que o desconto seja calculado sobre o faturamento das empresas.
Desvalorização
Diretor do Departamento de Regime Geral da Previdência Social do Ministério da Previdência Social (MPS), Eduardo da Silva Pereira chamou a atenção para um “discurso muito forte” de que o emprego com carteira assinada hoje é desvalorizado.
— Isso vem no bojo de transformações no mercado de trabalho. Especialmente quando a gente tem o exemplo do trabalho de aplicativos, das novas tecnologias. Elas vão fazendo com que as empresas fragmentem suas operações, fragmentem o trabalho, e você vai usando os trabalhadores sem um vínculo contínuo, de forma fragmentada, em vínculos parciais. E, no nosso modelo de proteção social, quando um trabalhador não é empregado, ele deve contribuir para a Previdência como autônomo, como um contribuinte individual — alertou Pereira.
Nessas condições, segundo o diretor do MPS, acaba sendo muito mais difícil a pessoa contribuir, o que é um “contexto muito ruim para a Previdência Social”. Pereira lembrou ainda que, em 2022, o número de contribuintes à Previdência era o mesmo de 2014, o que é preocupante diante do sistema de repartição, em que as contribuições dos trabalhadores ativos são usadas para pagar o benefício dos trabalhadores já inativos. Ou seja, sem a entrada de novos contribuintes, a Previdência Social fica em risco.
— Essa tendência foi revertida a partir de 2022, 2023, um pouco depois da saída da pandemia. Mas nós vemos realmente uma pressão do mercado de trabalho que, no futuro, pode comprometer significativamente a base de financiamento da Previdência.
Para o gestor, o projeto de lei é relevante porque assegura um espaço na agenda institucional para que se faça a disseminação de informações sobre a Previdência Social, de forma a melhorar a conscientização do trabalhador para fazer suas contribuições e garantir os seus direitos, e para que se possa encaminhar ajustes e soluções, tanto sobre a contribuição quanto sobre os benefícios.
O diretor de Assuntos Parlamentares do Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), Floriano Martins de Sá Neto, considerou “preocupantes” os novos arranjos do mercado de trabalho. Ele lembrou que em 2024, a Previdência Social pagou cerca de R$ 1 trilhão a aproximadamente 40 milhões de beneficiários.
— Talvez a gente tenha que já pensar em cobrar imposto sobre inteligência artificial, sobre robôs, porque a gente tem lido que as inteligências artificiais consomem não só energia elétrica, mas água. Então, que paguem também. E a gente poderia já começar a pensar em fazer essa discussão, porque a Previdência Social e a seguridade social não podem ficar descobertas; esse é um contrato feito no nascimento e passa pelo falecimento, e a Previdência não deixa ninguém na mão — expôs Neto.
Renúncia fiscal
Vice-Presidente de Assuntos da Seguridade Social da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Wanderson Dias Ferreira afirmou que, quando se fala de seguridade social (que, além da Previdência, inclui saúde e assistência social), sempre é levantada a questão do “suposto déficit”. Ele ressaltou que o financiamento do setor é prejudicado pelas renúncias fiscais e observou que, com base no demonstrativo de gastos tributários da Receita Federal, em 2024 essas chegaram a R$ 94 bilhões para a Previdência Social.
— Todos nós sabemos que o governo atual e esta Casa, as duas Casas, já demonstraram ser sensíveis ao fato e já atuaram na questão da desoneração da folha de pagamentos, que tem data para ser finalizada: 2027. Mas existem outras contribuições que ainda participam significativamente do aspecto da renúncia fiscal — disse Ferreira.
O representante da Anfip citou desafios da seguridade social. Entre eles, a regulamentação da reforma tributária, a oferta de mais e melhores empregos e outras ocupações, a garantia de ampliação da ocupação, da formalização do trabalho e da ampliação da renda do trabalho, com ampliação da participação dos salários na renda nacional. Ferreira também salientou preocupação com as mudanças na pirâmide etária brasileira:
— Talvez agora seja o momento, enquanto temos o equilíbrio, de começarmos uma discussão na sociedade, nas Casas Legislativas, sobre um mecanismo alternativo de financiamento da Previdência Social, porque a dinâmica do mercado de trabalho está mudando. O capital precisa suportar a sociedade. Esse é um mandamento constitucional — afirmou.
Servidores
Ao lembrar que a Previdência Social é o “maior distribuidor de renda do país”, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo (SINSSP-BR), Leonardo Gomes Fonseca, chamou a atenção para a desvalorização dos servidores públicos que atendem na área.
— Hoje, com a política de produtividade implantada, deu-se mais importância a números do que efetivamente à qualidade de trabalho — disse Fonseca.
Diretor da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), Luciano Wolffenbuttel Véras lembrou que os servidores do INSS já foram 40 mil, e hoje são pouco mais de 18 mil.
— Estão numa linha de produção, pressionada por reconhecimentos iniciais de direito, para analisar processo, para diminuir estoque; enfim, quantidade para além da qualidade— complementou Véras.
Secretário-adjunto de Relações de Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Pedro Armengol também afirmou estar preocupado com o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), destinado aos servidores públicos.
— Esse regime próprio também está sendo atacado, há muito tempo, chegando à possibilidade de inviabilização. Inclusive, nós estamos agora com uma agenda na Câmara de uma reforma da Previdência que tem tudo a ver com este debate aqui. No momento em que se aponta claramente para se flexibilizar a forma de ingresso no serviço público, os vínculos empregatícios, o que vai ter reflexo diretamente no regime próprio; no momento em que você diminui a quantidade de trabalhadores que vão contribuir com o sistema de regime próprio, e é essa perspectiva que está colocada quando se estimulam os contratos temporários de trabalho. Quer dizer, vai jogando a maioria para o INSS — disse o representante da CUT.
Direitos
Primeira testemunha a depor à CPMI do INSS, em 28 de agosto, a coordenadora de Assuntos de Previdência Social na Defensoria Pública da União (DPU), Patrícia Bettin Chaves, disse que o projeto de uma semana nacional é muito importante e que poderia, até mesmo, ser estendido a um mês de ações e debates.
Ela informou que, entre 2018 e 2025, a DPU fez 4 milhões de atendimentos em matérias previdenciárias, mas que ainda não consegue atender todo o país. Patrícia informou que a Defensoria Pública desenvolveu uma cartilha sobre direitos previdenciários (disponível no site da DPU) e conseguiu que as ligações para o número 135, do INSS, fossem gratuitas.
Ao responder questionamentos dos internautas, a coordenadora enfatizou que “a Previdência Social é um direito social do cidadão”.
— Hoje, nós temos um princípio da Previdência Social e da seguridade social que é o da solidariedade. Todos devem contribuir para a Previdência Social, de forma direta ou indireta, e não podemos perder de vista esse princípio. E as reformas que vêm sendo feitas nunca podem deixar de abordar os direitos adquiridos, não podem representar um retrocesso social e devem trazer sempre uma regra de transição para as pessoas que estavam atingindo o direito — afirmou Patrícia.
Para a vice-presidente da Comissão de Direito Previdenciário e Seguridade Social da OAB-DF, Elizângela Costa da Silva, a Semana Nacional da Previdência Social vai contribuir para combater a desinformação.
— Na grande maioria, os segurados que não contribuem para a Previdência agem assim por falta de informação. Quando se fala celetista [empregado contratado com carteira assinada], está assegurado: pagou as contribuições, a empresa pagou, houve a contribuição, e o segurado está ali, protegido. Mas a grande maioria não tem essa oportunidade de ter a carteira registrada. A informalidade é muito grande em nosso país — disse Elizângela.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Lei proíbe prisão de candidatos e eleitores durante período de votação
Published
6 horas agoon
18 de setembro de 2026By
Da Redação
A legislação oferece uma espécie de “imunidade” para candidatos e eleitores, para que não sejam presos durante as votações. Mas há exceções. Veja a seguir como isso funciona.
Os candidatos que concorrem nas eleições de 4 de outubro (1º turno) não podem ser detidos ou presos a partir deste sábado (19). Isso vale até 6 de outubro. A prisão nesse período só pode acontecer em caso de flagrante delito.
A proteção está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral: os candidatos não podem ser presos a partir de 15 dias antes da eleição até 48 horas depois da votação.
A medida também vale para o segundo turno, marcado para 25 de outubro: nenhum candidato poderá ser detido ou preso entre 10 e 27 de outubro, a não ser em caso de flagrante delito.
Conforme destacam vários tribunais regionais eleitorais, o objetivo é assegurar o equilíbrio da disputa, evitando que eventuais prisões sejam realizadas com o objetivo de prejudicar candidatos.
O flagrante delito acontece quando alguém é surpreendido cometendo um crime ou logo após tê-lo praticado. Boca de urna e compra de votos, por exemplo, são crimes eleitorais que permitem a prisão em flagrante.
Prisão
Se ocorrer a prisão de um candidato, ele deverá ser imediatamente conduzido à presença de um juiz competente, que irá avaliar a legalidade da detenção. Se constatar ilegalidade, o juiz deverá determinar a soltura imediata, além de poder responsabilizar o autor da prisão.
Mesmo que a detenção em flagrante delito seja confirmada, o candidato poderá concorrer às eleições, pois a legislação exige condenação por órgão colegiado ou trânsito em julgado (condenação definitiva) para impedir o direito de disputa.
Eleitores
A “imunidade” também vale para os eleitores, mas por um período menor: de acordo com o Código Eleitoral, nenhum eleitor poderá ser preso a partir de cinco dias antes das eleições até 48 horas depois da votação.
Assim, os eleitores não podem ser detidos ou presos entre 29 de setembro e 6 de outubro — pois o primeiro turno acontece em 4 de outubro.
Também não podem ser detidos ou presos entre 20 e 27 de outubro (já que o segundo turno ocorre no dia 25 desse mês).
O objetivo é evitar que o cidadão seja impedido de exercer seu direito ao voto. A origem dessa proteção remonta ao primeiro Código Eleitoral do país, de 1932, que tinha o objetivo de evitar a intimidação dos eleitores pelos “coronéis” (chefes políticos regionais da época).
Mas há três casos em que o eleitor poderá ser detido ou preso nesse período:
- flagrante delito;
- sentença criminal condenatória por crime inafiançável (decisão definitiva da Justiça que condena alguém por um crime grave, para o qual a lei não permite o pagamento de fiança para que o condenado responda em liberdade);
- desrespeito a salvo-conduto (quando alguém descumpre uma ordem judicial que protege outro eleitor contra ameaças ou coerção para votar, não votar ou por já ter votado).
Mesários e fiscais
Mesários e fiscais de partido têm direito à imunidade eleitoral, mas somente nos dias das votações e enquanto estiverem exercendo suas funções.
Apesar dessa proteção, eles poderão ser detidos ou presos em caso de flagrante delito.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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